quinta-feira, 30 de outubro de 2025

Reflitam por Si, ou a sociedade que troca letras por conveniência

Tenho uma visão que a maioria entenderá como horrorosa e absurda, em se tratando do que escrevo e do modo como prego meu entendimento sobre as relações pessoais de respeito e gentileza.  Talvez os animais, se tivessem a consciência que nos foi presenteada pela Grande Mãe Natureza, entenderiam esse meu ponto de vista. É assim:

A humanidade criou a drenagem e a rede de esgotos, para escoar o excesso de água da chuva e também seus dejetos e restos de água potável utilizada em limpeza. Nessa rede subterrânea, a população de um tipo de roedor sobrevive e se multiplica: chamamos de ratazanas. Quando o alimento fica escasso por ali, alguns costumam se aventurar na superfície. A administração das cidades, por conveniência, procede a regulares "limpezas químicas", controlando a população de roedores.

A única espécie viva que não se submete a um controle, é a raça humana. Nossa constituição, por lei, baniu a pena de m0rt3. Antes que você que me lê, diga que estou me contradizendo, pregando a pena de m0rt3, quero que se lembre do que disse em outro texto, a respeito da compaixão: devemos perdoar as pessoas que demonstram poder em se erguer e recomeçar. Alguns de nós, optam por manter um ritmo de vida abominável, que inclui acumular penas por ass4ssin4t0s. Vários, aliás.

Há, entre as gentes, indivíduos que encarnam um modo de vida que nomeio como "cômodo". Esse modo de vida, estabelece que "não se mexe no que está quieto" e mais: "não se mexe no que está errado, se quem faz errado puder lhe prejudicar". Os "ratos cômodos" se proliferam sem controle. Justamente por serem humanos e merecerem uma indiscriminada compaixão da maioria condescendente.

Você deve calar "o bico", ficar "manso" e "pagar pedágio", se quiser preservar os dentes e a vida. É uma zona de "dês"conforto. Algo como ser um ratinho cinzento que foi viver no esgoto por falta de opção e que, quando a administração pública joga veneno para controlar a população de ratazanas, sucumbe sem poder se manifestar. Não por falta de igualdade, de ser considerado e ouvido por estar ali por outras consequências, mas sim, por ser conivente, por preservar os dentes. Por aceitar as m3rd4s do mundo ao seu redor.

Bom, numa sociedade em que você precisa usar números no lugar de letras para não ser censurado, nada mais surpreende. O problema é que estamos nos acostumando ao "dês"conforto de adequar-se as necessidades de alguns e não buscar o consenso e o bem comum. Entendo que se ocorre uma fatalidade pode ser dolosa ou culposa como específica a lei. Mas entendo que isso é apenas NA PRIMEIRA OCORRÊNCIA. A segunda vez, não pode ser "dolosa". Quantos estão com vários crimes fatais na ficha corrida, e vivem ou do que os impostos provem, ou enfiados em locais onde podem causar o "dês"conforto aos inocentes? Inocentes? Não seria "coniventes"? É assim que eu penso e não obrigo ninguém a me seguir. Reflitam por si.

terça-feira, 28 de outubro de 2025

A Rosa é dela mesma

Pensava sobre a posse ontem, após assistir um filme que entendi pela sinopse ser um terror, mas não passava de um suspense com ação e final romântico. Gostei da trilha sonora, como sempre. E não me lembro bem como surgiu esse pensamento, mas me fez refletir muito sobre minha oração matinal e passar a usar nomes no lugar de títulos. Agradecer pelo sucesso de sua filha e de sua ex-mulher por exemplo. Entendi ser errado usar esse tipo de pronome. Não há nada errado, pois todo o mundo faz uso dessas designações, mas parti dessa reflexão para outra maior: a partir do momento em que você denomina uma pessoa como "sua", há dois caminhos. O primeiro é inevitável e forma a base da relação com essa pessoa, ou seja, tudo deve se pautar pelo respeito. É sua a responsabilidade de dividir batalhas diárias, conquistas, conhecimento, felicidade. É sua a responsabilidade de cuidar, acarinhar, incentivar e aplaudir. É sua essa pessoa, para compartilhar contigo a existência e a sobrevivência.

O segundo é a posse e a imposição de vontade. E então surgiu a frase que me fez escrever esse texto, que é: quando uma pessoa tem posse sobre outra, transforma-a em objeto e esses, são descartáveis. Dessa reflexão me veio a compreensão sobre o amor não ser posse. Se você colhe uma flor, você decreta sua morte. Vê-la em botão, desabrochando, perfumando, perdendo as pétalas, extrusando o bulbo e se transformando em fruto é amá-la de verdade. Amar é respeitar a individualidade de cada um, sem "podar". Amar, é deixar ir, mas acolher quando necessário. É respeitar silêncios, autenticidade, possibilidades e argumentos. Não é concordar sempre, mas também não passa por imposição de vontades suas.

Hoje no mundo, falta amor justamente por conta dessa nova educação de massa. Há a educação cultural, que ajuda a moldar o indivíduo a seu meio e essa educação, está seriamente comprometida pela imbecilidade perpetuada. Precisamos reverter esse quadro ao nosso redor. Fazer o que nos cabe, mudar o que é possível, amar com respeito, empatia e sem posse. Dá pra mudar o mundo? Bem, somos especialistas em "jeitinho", não é? Devagar, vamos longe.

Dia a dia de Solitário

Eu estou fazendo errado. Estou fazendo errado? Não escrevi um texto no sábado e também no domingo. Morar só, exige alguma disciplina e tempo muito bem equacionado. Sábado é dia de limpeza e domingo, de preguiça. Porém a proposta continua a mesma: fazer o bem, ser gentil e sorrir sempre. Acreditar que são esses os detalhes que fazem o mundo ao nosso redor ser melhor. Escrever é um conflito para mim. Ao mesmo tempo em que deixo a imaginação e as emoções me guiarem, minha mente se abre a inúmeras associações e novas ideias. Quando desejo manter o foco em uma só história, essas associações bombardeiam o assunto principal e torno-me dispersivo. Por isso, sinto necessidade de me envolver com tudo ao mesmo tempo agora e em obter reconhecimento disso, poder de palavra, como professo no Facebook (visite minha página e verás).

Tenho três grandes histórias por escrever. Estão "meio" no papel e muito na minha cabeça. Ser gentil com o próprio ritmo pode não ser suficiente para pô-las todas na impressão diagramada e com ISBN definido, mas é esse o desejo. Memento Mori. Ainda mais agora que vejo isso claramente no dia a dia, com pessoas que sempre fizeram parte do meu mundo irem embora. É preciso saber viver, canta Roberto. A letra aliás, é uma "poesia vento", daquelas que floreia o assunto com belas frases, mas só. Não transmite uma lição. Fala-se de pedras no caminho e escolhas, mas não se conclui numa "lição de moral". É preciso fazer o certo, mesmo que isso seja uma batalha em que se luta só. Eu defendo a gentileza como forma de harmonizar o mundo, torná-lo mais UP. Sou gentil até comigo, ao tocar a vida no meu ritmo, na esperança que dê tempo para tudo. Porém é uma batalha imensa você decidir entre o prazer e a necessidade. Escrever é maravilhoso e me surpreendo com a capacidade que desenvolvi nesses 5 anos, quando decidi que me tornaria escritor de verdade e desenterraria das gavetas físicas e mentais todas as doideira que povoavam minha mente. Já lancei um livro físico. É uma coletânea de contos, mas é um livro. Quero lançar outro em 2026. Uma fantasia. No meu ritmo, com perseverança, gentileza e esperança de ter muito tempo pela frente.

quinta-feira, 23 de outubro de 2025

Respire e Faça

Três frases me moveram até o papel hoje: "Apenas em águas tranquilas, as imagens se refletem sem distorção", é a primeira. A tranquilidade deve se instalar em nosso raciocínio no momento da resolução dos problemas. Quando você se concentra no seu conhecimento para destrinchar o caso, deve fazê-lo com foco. Quando a solução se apresenta, devemos recebê-la com serenidade e quando aplicamos a resolução, usamos a confiança que o conhecimento nos dá. A segunda frase, é: "O maior remédio para a raiva é o atraso". Ela corrobora essa atitude diante da resolução de problemas.

Se você precisa de um tempo que não tem por conta de outros, é necessário uma análise mais aprofundada no plano geral, pois alguém, em algum ponto dessa cadeia de urgência, pode dispor de tempo extra e não se dá conta disso. E por não se dar conta, exige pressa, que se transmite num efeito dominó por várias pessoas e suas necessidades. Isso gera irritação compartilhada e inútil, que só faz mal. Agita as águas de todos os reflexos.

E a terceira frase é: "Você também pode cometer uma injustiça, simplesmente não fazendo nada". A omissão é um pecado brutal. Se insinua em nossa mente com facilidade, ao menor sinal de possibilidades dentro do raciocínio. "E se eu me omitir?", calcula nosso consciente. "Se eu só deixar acontecer e ver o circo pegar fogo?" Depende, claro, da avaliação de seu conhecimento e capacidade de atuar em cada uma das situações que se apresentem no seu dia. Sua influência é subestimada por você mesmo. Às vezes, uma palavra não omitida, um gesto de solidariedade, pode fazer muito.

Tratar as pessoas com dignidade, por exemplo, com respeito pelo todo do qual fazem parte, já é um grande avanço contra essa omissão nossa de cada dia. Atuar, provoca coisas boas, movimentos pelo BEM COMUM. Isso, aquieta as águas e desvenda os mistérios. Respire! E faça!

quarta-feira, 22 de outubro de 2025

Sobre a Ilusão que Somos Nós - Final

Eu gosto de guardar frases que colho em livros e páginas na internet. Em 21 de janeiro de 2019, guardei essa de Carl Sagan (talvez, não se pode confiar nessas imagens). E no dia 24, o algoritmo me trouxe uma sacola de livraria com uma foto, que dizia: "livros são abelhas que levam o pólen de uma inteligência a outra".

Desenvolver teorias baseadas em seu conhecimento é uma das nossas faculdades mentais. E é surpreendente quando você obtém conhecimentos diversos e os aglutina em uma linha de raciocínio que pode lhe assombrar. Ao mesmo tempo que refleti sobre os conhecimentos que adquiri sobre a matéria e as coisas no meu universo, questionando pilares da civilização nos três textos anteriores, entretinha a mente com filmes da série "The Conjuring", que segundo consta, foram baseados em "fatos reais" (santa redundância, Batman! Se são fatos, são reais!).

A frase sobre os livros é a justificativa para minhas reflexões: um quebra-cabeças vai se encaixando e dando-me a visão cada vez mais clara do universo "pessoal" - uso "universo" pois ele é a medida do conhecimento de cada um. 

Já a frase de Carl Sagan me conduz ao modo como o conhecimento civilizatório foi incutido em mim por meus pais, irmãs, amigos e professores, até eu criar um método próprio de aprender e deixar de acreditar, para descobrir e saber sobre esse universo pessoal. É conflitante você contestar tudo, pois é assim que a situação se apresenta nos textos anteriores e, ao mesmo tempo, temer os que dizem ter passado por isso e aquilo e, que há algo que não estou levando em conta. 

Devo prosseguir, no entanto. Richard Bach diz em seu livro "Ilusões" (hehehe), que "personagens de ficção às vezes são mais reais que pessoas de carne e osso e corações pulsando". Às vezes a ficção nos coloca em contato com outros pontos de vista e, como consequência, com propostas de modificações para o nosso modo de pensar. A enorme pressão que anos de construção da civilização e de todas as crenças que a humanidade desenvolveu, não pode simplesmente esvanecer ao entender que tudo é ilusão, em se falando de matéria. São coisas que estão além da percepção da consciência humana. Você cria a percepção de algo, baseado no tamanho do seu conhecimento. Exemplo?

Imagine-se em um campo de relva rala, com tufos de flores silvestres aqui e ali, sob um céu sem nuvens e Sol das cinco da tarde, às suas costas. Para qualquer ponto que você olhe, seu horizonte é formado pela linha do limite desse campo. Você consegue imaginar um drone com câmera, que transmite diretamente para o seu pensamento, sua tela mental? Pois bem, a imagem é você, de pé nesse campo, de olhos fechados. Então, o drone começa a subir e a câmera continua a apontar para você. Cem metros, mil, dez mil, um quatrilhão de quilômetros, vencendo a gravidade da Terra e o campo gravitacional do Sol. Você não vê mais a Terra ou o Sistema Solar. Consegue imaginar essa progressão a cada segundo? Sua mente irá buscar toda a referência em "filmes" semelhantes, pois você constrói suas experiências baseadas no que viu, ou viveu, ou sentiu. A percepção da sua consciência é limitada pelo seu conhecimento, entendeu?

Compreender que tudo o que nos cerca é, na verdade, uma grande ilusão, levará muito tempo. Por isso, não quero acreditar, quero saber!

terça-feira, 21 de outubro de 2025

Sobre a Ilusão que Somos Nós - Parte 3

Um dia, Siegfried foi questionado por um amigo: "você nunca percebeu que tens uma cara de coitado?" Não respondeu de pronto. Buscou na memória a própria face no espelho e acabou, com um bom tempo de reflexão, por concordar. Desde então, quando a oportunidade surge, posta-se defronte a desconhecidos, usando uma lorota qualquer para pedir uns trocados. Alguns dão. Foi Siegfried quem me parou na rua ontem, pediu um minuto e perguntou se sou católico. Poderia lhe explicar, mas disse "não, não sou". Ele contra-argumentou, perguntando se era evangélico ou espírita. Mas, sua oportunidade perdeu força e sua "cara de coitado" se transformou em cara de espanto.

Não nego que, na hora do aperto, vou apelar para Deus. É algo cultural, que todos têm dificuldade de abandonar. Mas cada vez mais creio numa necessidade expressa do consciente de se agarrar em alguma crença. Eu mesmo tenho essa necessidade, por isso, saí do encontro com Siegfried também espantado e reflexivo. Desnecessário dizer que a reflexão sobre a matéria ainda conduz meus pensamentos. Maravilhado que estou com cada coisa que meus olhos capturam, pensando na sua solidez e na sua ilusão "quarkiniana". A energia entre as não-partículas se torna matéria.

Seria necessário mesmo um arquiteto para isso? Ou trata-se de algo naturalíssimo.

A física teórica explica que o grafeno ou o plasma podem servir como barreira invisível protetiva, como um campo de força da Sue Storm, dos quadrinhos. Seria a transformação de energia em matéria de forma prática. Ionizar átomos, segundo a pesquisa que fiz, ou desenvolver uma barreira de grafeno, com um átomo de espessura. Ou, segundo nossas crenças, a junção de átomos que forma toda a matéria ao nosso redor, que se for partida até o limite, resultará nos quarks, que se sustentam visíveis por bilionésimos de bilionésimos de segundo antes de desaparecer.

Somos levados a crer, pela civilização, que existe algo realmente além de nossa imaginação. Temos Miguel Nicolelis falando sobre isso, temos Richard Dawkins, temos Baruch Espinosa e outros. E temos Siegfried, crendo em sua cara de coitado, usando sua fé para ganhar uns trocados. Há ainda, algumas reflexões de gente mais letrada que eu. Doutora Andrea Vermont, por exemplo, cita que nós nos responsabilizamos por uma dívida eterna: o pecado. Ela explica que nós buscamos a Deus por obrigação. Muitos de nós, pelo menos. No exemplo do corte de entrevista que assisti, ela cita a pessoa recebendo a família para o almoço de domingo e após um papo que se estendeu demais após o almoço, pede que todos se retirem pois tem de ir à missa e seria um pecado não ir. Ela explica que devemos buscar a Deus com o coração e não por obrigação. Me situo quase como um discípulo de Espinosa, ao buscá-La* na alegria, na beleza da paisagem e no sorriso das pessoas que interagem conosco. Estou certo? Não sei. E cada vez me importo menos em saber se é esse o caminho certo para minha consciência.


* o “La” é proposital, pois creio cada dia mais na Deus Mãe Natureza. Estranho escrever assim, não? É proposital também.


 

segunda-feira, 20 de outubro de 2025

Sobre a Ilusão que Somos Nós - Parte 2

O símbolo do infinito, para muitas culturas, é a representação do número 8, na horizontal. Talvez esse seja o propósito da matéria: transformar-se indefinidamente, sem começo, sem meio e sem fim. Sim, estou continuando a reflexão de ontem. Se você que está aqui, não a leu, faça isso. Como lá disse, estou entendendo que o que chamamos de matéria, na verdade, é algo que no universo quântico, não existe. Aquela história das minhas aulas de ciências a partir da 4ª série, quando se dizia que dividir a matéria ao meio, até não poder mais dividir, levaria ao átomo, foi ultrapassada. E eu vi isso acontecer ao longo desses meus 60 anos. Os elétrons que vivem na periferia do átomo podem até mudar de lugar para se juntar a outro átomo e formar substâncias, mas não se tocam, não se fundem. E são formados por partículas ainda menores que ao serem detectadas, desaparecem num instante. Portanto, somos todos feitos de nada.

É totalmente maluco pensar em algo assim, claro. E provavelmente (por enquanto) apenas nós, um "acidente evolutivo" de cérebro descomunal, podemos pensar assim. Um cachorro, por mais inteligente que seja, não faz contas ou resolve equações. Ele apenas vive. A Mãe Natureza é tão maravilhosa que há um fungo se desenvolvendo em Chernobyl, consumindo o veneno da radiação ☢️. 

E qual o propósito disso, se não for o de transformar-se e transformar-se até virar tudo energia outra vez e depois matéria novamente e recomeçar o processo? Para quê?

O advento da consciência é a maior revolução conhecida em termos de evolução da Natureza. A partir do momento em que o Homo sapiens passou a ser consciente de si e do mundo, passou também a se perguntar esse "para quê". É preciso levar em conta que, de repente, a pequena mutação em um gene, de um vírus qualquer, pode causar uma epidemia catastrófica para a raça humana e o despreparo pode ser fatal. Ou então, uma revolução no Sol, um asteroide enorme, uma onda de terremotos, que seja. O restante do Universo irá continuar, mesmo sem humanos para pensar sobre ele.

É por isso que seria mais prudente, pararmos com essas tolas disputas que insistimos em cultivar. Se unir numa onda de amor e respeito uns pelos outros. Ou será que, ao nos prover de consciência, a Natureza nos forneceu a sentença  para o fim e nossa missão seja mesmo e de nós digladiarmos até a extinção? O planeta agradeceria, tenham certeza disso.

domingo, 19 de outubro de 2025

Sobre a Ilusão que Somos Nós


Hoje acordei científico. Ontem, zapeando pelo YouTube, deparei com uma reflexão que tomou conta do meu pensamento até o sono me vencer: somos ilusões! Tão certo como o Sol nascer por trás das nuvens desse dia borocochô. Vamos aos pontos que confirmam essa teoria (teoria?):

1) O Universo, segundo algumas correntes de pensamento, tem o tamanho da sua imaginação. Quanto mais conhecimento você adquire, maior ele fica, ou seja, é mutável também.

2) Sua imaginação, sua mente, seus pensamentos, suas reflexões; se tudo isso não for registrado, perde-se pelos vermes ou pela proteínas beta-amiloide (do Alzheimer). Assim sendo, é gerado na sua matéria cerebral, mas se não for transformado em material, esvanece.

3) Sabe-se que a menor partícula da matéria conhecida e registrada pelos cientistas, são os quarks, mas ao serem detectados, eles desaparecem em um bilionésimo de bilionésimo de segundo (tempo), pois são instáveis se separados. Os aceleradores de partículas promovem a colisão de nêutrons e prótons e assim os quarks são registrados. E desaparecem! 

4) Outra particularidade desses "tijolos fundamentais", se refere à carga magnética. Elas se repelem. Ao levarmos um elétron em direção a outro, tentando juntá-los, obteríamos a energia perfeita da fusão. Oppenheimer, lembrem-se, obteve a fissão (separação). Portanto, quando imaginamos estar segurando uma rosa, na verdade, estamos sentindo essa descarga de energia de repulsão entre cargas magnéticas, que interpretamos como "toque". 

Não tocamos em nada de verdade. Primeiro, por não haver nada para o “tocar” ou para “ser tocado”. É uma loucura pensar sobre isso, mas as provas científicas são cada dia mais evidentes. Tenho exprimido reflexões nesses textos a respeito de manter-se “na vibe” da positividade, da alegria em ser gentil e exalar bondade, do otimismo perpétuo. A insistência em sempre enxergar o copo “meio-cheio”. E outra reflexão me assola:

Se nós insistimos nessa proposta de ser sempre gentis e positivos, acabamos espalhando essa “coisa” entre nossos próximos e iniciamos um movimento em cadeia, uma sequência de acontecimentos que leva a difundir uma onda de bondade e esperança. Isso nos une. É a ideia básica das propostas religiosas também: amarmos uns aos outros, que significa estar todos trabalhando para o bem comum.

Seria a grande fusão o real propósito da matéria? Ou seja, evoluir a tal ponto que tudo se concentre em um buraco negro supermassivo no final de tudo. Para quê? Bem, tenho uma teoria. Como disse Neruda: começa com uma letra maiúscula e termina com um ponto e no meio você coloca ideias. Algo como: “O homem de preto fugia pelo deserto e o pistoleiro ia atrás”. Quem já leu a Torre Negra, sabe do que estou falando.

Todos os Caminhos

Tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa. Uma singela frase de uma oração Celta, onde muito mais do "Humano do BEM" é exposto em um mantra do que apelos à espiritualidade. Rubem Alves, numa entrevista a Antônio Abujamra, diz, num desses cortes de vídeo que circula pelas redes, que "nós só oferecemos sacrifícios para Deus". Pedimos graças e oferecemo-nos para o sacrifício, como Jesus. E o exemplo que Jesus mostrou, não foi o de enfrentar o calvário e a cruz. O "caminho, a verdade e a vida", significa amar o próximo e desejar sinceramente o BEM. As orações são súplicas e não expressam uma afirmação no desejo do "ser melhor a cada dia".

E então, nessa minha ânsia de conhecer sobre tudo e ouvir todos os lados para formar minha ideia, me deparo com uma oração pagã, onde a Deusa Mãe Natureza é exaltada e as frases expressam desejos por sempre fazer o BEM. Vejam:

Que jamais, em tempo algum, o meu coração acalante ódio. Que o canto da maturidade jamais asfixie a minha criança interior. Que o meu sorriso seja sempre verdadeiro. Que as perdas do meu caminho sejam sempre encaradas como lições de vida. Que a música seja minha companheira em momentos secretos, comigo mesmo. Que os meus momentos de amor contenham a magia de minha alma eterna em cada beijo. Que os meus olhos sejam dois sóis olhando a luz da vida em cada amanhecer. Que cada dia seja um novo recomeço, onde minha alma dance na luz. Que em cada passo meu, fiquem marcas luminosas de minha caminhada em cada coração. Que em cada amigo, o meu coração faça festa, que celebre o canto da amizade profunda que liga as almas afins. Que em meus momentos de solidão e cansaço, esteja sempre presente em meu coração a lembrança de que tudo passa e se transforma, quando a alma é grande e generosa. Que jamais, em tempo algum, me esqueça da Presença que está em mim e em todos os seres. Que o meu viver seja pleno de Paz e Luz.

Há, inegavelmente, uma soma de desejos pela melhoria como pessoa. Um pedido, sim, de ser "melhor a cada dia". É o poder sobre o que está em nosso alcance: nós mesmos. Oferecer-se em sacrifício e usar seu tempo como penitência, é submeter-se em rebanho. Na minha opinião, ao menos. No lugar de saudar a Natureza e suas belezas, de saudar a possibilidade de ser melhor e receber a benção de viver a partir de cada nova manhã, suplicamos e oferecemos penitência, sacrifício e obediência cega.

É certo que essa transformação depende de muito esforço e dedicação, disciplina, resiliência. Não é fácil subverter um hábito. Porém, é uma alegria ter essa oportunidade. Vamos?

sexta-feira, 17 de outubro de 2025

Sobre tornar-se um Samba

A difícil arte de viver, é daquelas reflexões que nos faz rir da tragédia que somos nós. Claro que, professar valores como bondade, empatia, altruísmo, gentileza, são mantras para uma proteção contra essa tragédia, mas é importante entender qual é essa "tragédia" da qual estou falando.

A única certeza que temos é a de que um dia iremos morrer. E se pode considerar um ponto de reflexão, saber que todos os seus esforços resultarão no mesmo final: ...

Diante disso, seria muito mais fácil você mandar tudo à merda e viver intensamente enquanto pode, certo? Talvez. As pessoas têm uma certa realização quando se dispõem a fazer o bem, a serem empáticos, gentis e altruístas. Há recompensa em vida. Daí a insistência de alguns em compartilhar ações de "bom coração".

Se formos pesar essas reflexões, a carga negativa que envolve aqueles que só pensam em si, é suficientemente explosiva como o tal inferno. Afinal, na hora final tudo se avalia e fica óbvio o resultado dessas escolhas ruins.

E então, vê-se a real tragédia da vida: é uma jornada cheia de percalços, tristezas, alegrias, muitos "sim" e "não", onde se pode optar por ser solidário ou egoísta, e que sempre acaba em samba, se você fizer as escolhas certas.

Um samba pode lhe dar a vida eterna, então, faça por merecer. Não se faz samba de gente ruim, concorda? "Iracema, você atravessou na contramão", por exemplo, foi um samba de um amor que se foi e não de uma mulher que foi atropelada. Assim conta a história. A história de uma moça que pode ter levado a vida com a intenção do bem em suas ações. Ou não.

Convido-lhe a refletir sobre esse tema e a deixar seu nome para guardar (eu hei de guardar seu nome, ou diz o dito popular: morre o homem fica a fama). O final, você já sabe que será o mesmo para todos. Eternize-se!

*Não sabia que meu amigo Paulinho havia partido essa madrugada. Nos corações de muitos, ele "virou samba" e será sempre lembrado.

quinta-feira, 16 de outubro de 2025

Sobre trocas e crescimento

Um lagarto troca de pele por conta da pouca elasticidade de seu couro. É uma reação natural para facultar o crescimento do corpo. Isso também acontece com répteis, anfíbios e artrópodes. Reflito a respeito de "trocas evolutivas" na raça humana.

Há trocas para um crescimento intelectual, por exemplo. Não sei se "intelectual" seria o modo correto de designar a necessidade de algumas pessoas em melhorar como ser humano. O que cresce é o coração, a consciência do seu lugar no mundo, a relação com as pessoas.

Terça-feira voltava para casa após uma tentativa meio frustrada de acertar os pormenores sobre as aulas de teatro numa escola da cidade e, ao dobrar a esquina da 7 de setembro coma Washington Luiz, vi um homem solitário, empurrando seu carro. Parei a bicicleta de imediato e o ajudei a empurrar. O motor pegou no tranco, eu voltei para minha bike e retomei meu caminho.

Não havia necessidade do motorista completar o quarteirão e cruzar meu caminho outra vez, para me agradecer. Mas, ele o fez. Poderia ter seguido em frente, sem me importar com o esforço dele. Afinal, a rua estava deserta e empurrar o carro até a descida estava simples. Não me custou ser gentil.

Essa é a troca. O sentimento de saber avaliar que o mundo não irá resolver os SEUS problemas. Tem de ser você. A sua capacidade colocada a prova, pode lhe irritar e aborrecer, mas ninguém pode sofrer por você. Isso, de SEUS problemas, não deve influenciar o seu modo de agir com as pessoas. Troque de pele e CRESÇA.

Infelizmente, há trocas que não são tão benéficas assim. São trocas momentâneas, que só constroem dissabores. Pessoas com o egoísmo em alta rotação, deixando-o tomar conta de suas relações. São os "2 caras". Pessoas que transformam para atender esse egoísmo comandante. São "répteis" no pior sentido da palavra. Esses precisam muito mais da "troca de pele" verdadeira, onde crenças limitantes e conceitos egoístas são abandonados como uma casca seca e sem vida.

Mudar é uma necessidade. Tão importante quanto compreender que algumas pessoas levarão mais tempo para essa "troca". Algo como a primeira troca leva a gentileza e compaixão, e a segunda, a empatia e ao altruísmo.

quarta-feira, 15 de outubro de 2025

Let's Just Breathe ou Sobre a Insistência de Amar

Eddie Vedder canta em uma balada de voz e violão do Pearl Jam: "Yeah, I'm a lucky man to count on both hands the ones I love", que numa tradução literal seria: "Sim, sou um cara de sorte que conta nas duas mãos aqueles que amo".

Fiz 60 anos ontem e acho que algo além de 10 pessoas me desejaram um feliz aniversário. Para dizer a verdade, prefiro assim. Nada daquelas mensagens de quem pouco ou nada interage comigo, destilando hipocrisia. Eu também sou assim: um hipócrita. Somos todos, essa é a verdade. É quase uma obrigação nos dias atuais.

É difícil você ser verdadeiramente sincero, pois opiniões podem ferir de morte o bando de idiotas que povoa a Terra. Porém, uso esse verso cantado por Vedder para colocar as mãos abertas diante dos olhos e então fazer o gesto mais complicado dos dias atuais: estender os braços e demonstrar o desejo de abraçar a todos. Porque não importa que o mundo não lhe ame, importa o que você deseja, o que você se esforça para praticar em relação às pessoas do mundo.

Uma grande campanha entre as cabeças ainda pensantes do planeta, seria algo como: "Adote um idiota". Como Pantaleão e Pedro Bó. Este último ainda era puro. O problema era Terta, que confirmava tudo. O pior cego é o que não quer enxergar. A campanha que é necessária, no entanto, é aquela que está nas ruas a quase dois mil anos e tem pouquíssimos adeptos. Diz ela: "Amai-vos uns aos outros". E nela reside a maior parte da hipocrisia.

Não devemos encher nosso copo de mágoas, porém. Temos de insistir em um propósito de fazer o BEM, sempre, como um plano traçado em que muito esforço e recursos foram empregados e seria muito pior parar. Eu faço isso, afinal, já enfiei 60 anos na missão de viver e aprender o suficiente para exercitar o amor e o BEM.

A missão é ingrata, pois você nunca atinge a excelência a tempo. E a cada dia que passa, seu tempo é mais curto, seu abraço é mais difícil e suas vontades são maiores. Não se renda. Não deixe de insistir. Há um Sol além dessas montanhas imensas que temos de vencer e lá do alto, toda essa caminhada deixa de ser difícil e dolorida. É apenas mais um dia e ninguém disse que seria fácil.

Sobre Abraços e Dignidade


Dignidade é a qualidade do que é nobre, consciente do próprio valor, a honra de uma pessoa. Aprendi na balada sobre isso, lá pelos 25, 26, nos tempos em que frequentar o Café Piu-Piu era minha necessidade de fim de semana. Alguém que não me lembro quem, me disse que as pessoas se sentem mais seguras se você perguntar o nome delas e dizer expressamente que "gosta de tratar as pessoas pelo nome". E lembro de outro amigo na conversa, comentar que quando aprendeu sobre vendas, o instrutor observou isso. 

Nós estamos sempre no processo de uma venda.  Tempo, atenção, carinho, alegria, ideias. O diálogo, mais hora menos hora, se transforma em uma venda. Sempre pensamos em troca, é óbvio. No entanto, nossa ânsia em ser aceito, em participar, em colaborar para o BEM comum, é sempre uma motivação de venda. Queremos que nosso interlocutor "compre" nossa opinião.  Na maioria das vezes, apenas por ouvir e considerar por alguns instantes. Aí reside a dignidade.

Aquele que devolve atenção ao próximo, concede a preciosidade das relações: a dignidade da equiparação. O nome da moda, é empatia, mas vejo coisas distintas. A empatia é mais íntima. A dignidade é o primeiro passo para a empatia, penso eu. E como disse Saramago, "é preciso criar o Dia dos Deveres Humanos".

É necessário cobrar dignidade de todos, mas principalmente, de si próprio. Nesses 60 anos, tenho exercitado isso no dia a dia, sem descanso. Considero-me um excelente aprendiz. Estou atento na maior parte do dia, para responder com atenção e cuidado. Excelente seria muita pretensão de minha parte. Um boníssimo aprendiz, digamos.

Olhe ao redor e veja quanta gente pode ser impactada por um gesto simples, como um sorriso, um desejo de bom dia e um abraço. Abraços são tão importantes que deveria-se instituir um horário específico, todo dia, para trocarmos um abraço. Algo como 18h18, por exemplo.

Já que existem narrativas sobre mundos distópicos, usemos essa possibilidade para um movimento disruptivo em nossos dias: um abraço amigo em um estranho, só para lhe entregar essa preciosa moeda chamada dignidade. Comecemos com um aperto de mãos, que a acham? A vergonha vai cedendo aos poucos e chegamos nos abraços. É exagero? Bom, eu comecei com sorrisos e "bom dia", portanto, apertos de mão estão ao meu alcance.

A Caravela no Asfalto

Não é, definitivamente, um barco. Trata-se de um pedaço de lata esmagado possivelmente pelas rodas de tantos automóveis que por ali transitaram e fim. Nem se pode dizer que lembra uma caravela, afinal. É preciso olhos atentos e boa quantidade de imaginação para captar a silhueta de uma caravela. A chamada “vela latina” não está bem recortada e mesmo as curvas leves da vela do mastro principal requerem um esforço mental, mas por bondade, caro leitor, peço que creia que se trata de uma caravela estilizada.

A analogia principal aqui é a do mar com o asfalto. Tudo o que se carrega do outro para o um. Afinal, hoje em dia se fala tanto no descaso humano com a preservação do planeta. Toneladas de lixo são despejadas no mar e boa parte delas, é varrida pelas chuvas que lavam o asfalto das cidades humanas. A caravela singra o asfalto com essa tenebrosa missão: carregar-nos a todos para a destruição.

E nesse meio tempo, os poetas vislumbram possibilidades em um encontro casual com um pedaço de lata retorcido no asfalto, semelhante a uma caravela singrando solitária os mares imaginários das noites das ilusões perdidas. Imagine o que quiser. Pode-se pensar nos amores que tiveram o ato final ou inicial, nos arrependimentos das palavras não ditas, os beijos não pedidos ou não roubados, as decisões cortantes que rompem histórias. Tudo borbulha em meio as ondas daquele asfalto onde a caravela imaginária singra, perdida, sem vento na popa.

Solidão, desespero, mágoa, amor, enfado, tristeza, esbórnia. O mar do asfalto segreda tantos sentimentos de tão diversos personagens que imaginar uma caravela através de um pedaço sujo de lata, é apenas mais um dos tantos delírios inúteis que fazem os homens escrever e escrever coisas sem sentido, ou recheadas de pontas soltas, que incomodam a mentes diversas.

sexta-feira, 10 de outubro de 2025

Ouro de Tolo

Há um adjetivo que qualifica boa parte da raça humana de hoje em dia, muito mais pelo nosso nível de educação coletiva do que pela distinção dos indivíduos. Esse adjetivo é "sensível". Hoje, com o fracasso da civilização (aquela história de "tempos difíceis geram homens fortes, que geram tempos fáceis e homens fracos"), a sensibilidade não é mais uma característica distintiva e sim, algo por vezes pejorativo. Não considerem, nessa análise que proponho, os problemas psicossociais, tão em destaque nas análises comportamentais. Apenas e tão somente, considerem a capacidade de se encantar com o mundo ao seu redor, em um nível além do normal. A sensibilidade artística, digamos. É importante frisar que a arte é primeiramente, uma expressão de sensibilidade capaz de tirar você do lugar comum. Há absurdos, como a banana na parede, mas a ideia por vezes, é essa: o quão absurda pode ser a percepção humana? O quanto de atenção merece uma obra?

Ennio Morricone recebeu uma missão de Sérgio Leone, em 1966: fazer uma trilha para a cena onde Tuco (Eli Wallach) corre entre as sepulturas no cemitério, atrás do túmulo onde está o tesouro confederado. "É apenas um homem correndo pelo cemitério", teria dito Leone. "Não precisa ser tão dramática", teria dito após ouvir a música. "The Ectasy of Gold" é uma trilha tão icônica e poderosa, que reflete algo que "apenas um homem correndo" não conseguiria. A sensibilidade de Morricone em compreender o momento do personagem cômico de Wallach, tão próximo do "final do arco-íris", é genial.

Assisti o filme lá por 1980, na Sessão da Tarde. Não sei se alcancei esse impacto. Me lembrei dele a primeira vez que vi um concerto ao vivo do Metallica e quando li uma biografia de Clint Eastwood. Revi o filme e penso que atingi esse nível de sensibilidade. Principalmente por ter dado uma chance a mais para a arte me encantar.

Baixar a guarda e ouvir, ver, para tentar sentir, é natural. Damos um valor exagerado a nossas convicções. Algumas vezes, influenciados pelo sentido de pertencimento, pela rigidez de uma visão limitada por crenças. E hoje, estamos embutindo crenças limitantes que até deturpam a arte, como no caso de Tony Garrido e sua "Girassol".

A "banana na parede" foi leiloada por US$ 6,2 milhões. É absurdo, mas a sensibilidade do comprador lhe permite isso. Bill Gates já doou mais de US$ 100 bilhões para a caridade e prometeu doar 99% de sua fortuna até 2045. A sensibilidade atinge cada pessoa de uma maneira peculiar e única, pois somos peculiares e únicos. A sensibilidade hoje, é confundida com fraqueza. Escutamos a arte já pensando em onde ela ataca nossas crenças limitantes, deixando de interpretar, de ter sensibilidade de apreciar. Uma das opções, é óbvio, é ignorar. Porém, estamos correndo atrás de um "pote de ouro", pelo visto. O ouro dos tolos. "Ah, mas que sujeito chato sou eu ..."

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

O crime da "mentidade"

Verdade tem 7 letras. Mentira também. Porém, o que se prática no nosso país, é a "mentidade", que tem 8 e cada vez mais integrada ao nosso modo de vida. Antes, no entanto, deixe-me declarar que não discuto por políticas e muito menos por políticos. A reflexão é sobre comportamentos.

Há uma estatística que aponta 94 milhões de pessoas beneficiadas por algum programa assistencial do governo. Algo como a população do Egito. É inegável que a oposição use isso como crítica e o governo como apoio. O que me espanta, no entanto, é saber que há gente perfeitamente acomodada com essa situação. Não há peso na consciência em ter saúde, vitalidade e se valer da mentira travestida de verdade para sobreviver. Alguns, que realmente não tem saída e precisam de ajuda educacional, de saúde e cuidados especiais, às vezes tem menos assistência do que esses neo-mentirosos.

O absurdo do abuso é para os defensores de políticos. Me espanto é com o indivíduo se acostumar à mentira como meio de vida. "Conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" é um mantra sem valor entre esses "egípcios" e o crime que aponto no título, refere-se ao seguinte pensamento: a defesa do assistencialismo é uma compra de votos travestida de boa ação. Porém, o crime maior e mais aterrador, é o praticado contra si mesmo.

Há de se levar em conta, a desigualdade social, uma marca da sociedade brasileira. Há de se levar em conta a oportunização de alternativas, algo tão em desuso entre os assistidos egípcios. Mas, perceba: todas as atitudes, as falas, os bordões, são um teatro. Vivem uma mentira e bastam-se.

"Após a tempestade, vem a bonança", é outro mantra muito utilizado por aqueles que lutam por si, sem a "mentidade". Experienciar e tornar-se mais precavido, é o fruto dessa bonança. Pois as tempestades se repetem. A estabilidade é uma conquista efêmera. O mar é imenso e imprevisível. Como a vida. O que essas pessoas acostumadas a "mentidade" fazem, é imaginar-se no maior navio do mundo, tão pesado e poderoso a ponto de vencer as tempestades. Ainda assim, é o mar.

E, a propósito, "mentidade" tem 9 letras 😉

quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Isso a TV não mostra


Me deparei com uma frase, ainda agora, e veio a mente essa nossa "apropriação por necessidade", tão comum hoje em dia. O "compartilhar" é na verdade uma apropriação. Poucos questionam o destino do fluxo, no entanto. É mais fácil seguir. De repente, um indivíduo tão comum como eu e você, dispara algo como "pisei na dobradinha". Isso é compartilhado pelos amigos, em cortes fora do contexto, vira um meme da turma e então extrapola as barreiras do sentido, adaptando-se às situações. As pessoas se apropriam de algo sem a menor preocupação com a origem e o que realmente se quis referenciar.

Aqui na cidade, por exemplo. Um amigo transformou uma saudação em algo pessoal que acabou se espalhando. "Bom dia, tudo bem?" diz alguém. Aí que ele sempre respondia "Bom cê", uma abreviação de "Bom dia, tudo, e você?" Isso se espalhou pela cidade e você escuta da boca das pessoas mais diversas, alguns que nem conhecem o autor. Claro, a cidade é pequena e a maioria deve conhecê-lo. Porém, nas viagens loucas da minha mente, fico pensando em crianças ouvindo e aprendendo esses memes linguísticos, sendo condicionados a seguir o fluxo sem questionar, sem descobrir antes o destino desse "bonde". E os comportamentos se repetem para a vida.

Repostei (apropriei-me) um vídeo do músico Lobão, que cita que a ofensa é muito mais culpa do ofendido do que do ofensor. Você não está plenamente resolvido com essa questão e por isso se ofende quando ela é imposta. Eu me ofendo constantemente com o uso da língua de modo "desleixado". Principalmente porque o sentido é jogado para escanteio: a pessoa que lhe saúda não quer saber da sua vida de verdade e se você está mesmo bem. É apenas educação. E você passaria por chato, se explicar como se sente. Antes que alguém se sinta ofendido, eu conheço o autor desde a adolescência e sei de suas intenções e a bondade de seu coração. Sua "criação" é antes de mais nada, uma marca. Um registro na história da cidade que poucos conseguirão repetir. Em se falando do português, da nossa língua, é reprovável.

No entanto, há alguns que realmente se importam com as pessoas e usam esse meme com bondade no coração. Inclusive o autor.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

A Marca da Civilização

A primeira vez que fui apresentado a uma distopia, foi em uma série de TV acho, que passava após a Sessão da Tarde, na Globo. Apresentava-se um mundo onde os crimes eram punidos com uma marca na testa e os indivíduos marcados eram proibidos de interagir na sociedade. E quem não era marcado, deveria ignorá-los.  Tratava-se de episódios, tal e qual "Black Mirror", dissociados. Esse em especial, ficou na minha memória pela quantidade de pontas soltas. Não se explicava como o marcado sobreviveria sem interagir para comer, por exemplo. Se teria casa, emprego, dinheiro para o básico. De certo modo, essa percepção norteia meus escritos.

Esse filme veio a mente por conta de mais um episódio de bullying, destacado na imprensa. Meus pais tinham uma receita ótima para o "contra-ataque": assumir. Se você se irrita por ser "qualificado como estranho", o resultado é ser atormentado por essa qualificação. O grande entrave aqui, na minha opinião, é a falta de educação. 

O crescimento da população mundial, se deveu em boa parte à liberdade dos anos 60. A juventude ao se impor, promulgando uma nova forma de se relacionar, gerou descendentes mais cedo e não houve tempo para algumas famílias, estabelecerem uma nova forma de preparar esses novos seres humanos para a vida. Há inúmeras exceções, claro. Porém a "bola de neve" só cresceu. Mães e Pais adolescentes relaxaram na educação por absoluta inépcia. Isso criou uma civilização de pessoas psicologicamente suscetíveis a irritabilidade. Claro que há abusos, até criminosos inclusive. Porém, o "aceitar" devolve um desprezo contundente. Eu sofri bullying de meu irmão. Ele fez um comentário e um apelido pegou. O maior culpado pelo achincalhamento que sofri até que isso fosse esquecido, era eu. Por me enervar a cada situação. Quando passei a assumir que não era mesmo um rapaz bonito e até merecia o apelido de "feinho", tudo se transformou. Até namorada eu arranjei!

Há hoje em dia, excessos de parte a parte, tanto dos ofendedores quanto dos ofendidos. No entanto, é inegável que nossa sociedade precisa de mudanças profundas para corrigir o curso. Hoje, temos uma geração sensível e psicologicamente fraca para utilizar o desprezo com eficiência. E há, claramente, a outra parte, extremamente suscetível ao "ânimo de tribo", que incita o indivíduo à crueldade, para justificar seu pertencimento. Nos enfiamos nesse angú de caroço por culpa de nossa inabilidade em gerar seres humanos melhores do que nós.

Porém, toda essa reflexão é para ser lida e desprezada. Sigamos o flow, se é assim que funciona agora. E para não deixar pontas soltas, o que resolveu a situação dos marcados na tal série, foi o amor e a bondade. Para variar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Memento Mori

Há uma história que se conta sobre a Casa Paroquial que me trouxe argumentos para a reflexão que horas apresento. O Cônego Nazareno, que hoje é homenageado com uma estátua defronte a Igreja Matriz e dá nome a um bairro na cidade, tinha tamanha bondade dentro de si, que a árvore que decorava o jardim de sua casa "sentiu" sua partida e foi secando aos poucos até também partir. É inegável que existe sim uma relação entre seres humanos e vegetais cultivados com carinho e atenção. Não só os comestíveis, mas qualquer das "plantinhas do jardim". Conheci muita gente que fala com suas plantas como se falasse com animais de estimação. Porém, essa é uma relação limitada a um microcosmo, no meu entendimento. A árvore da Casa Paroquial secou por conta de sua relação com o Cônego e ponto. Alguma das plantas da minha mãe murcharam e pereceram por falta de cuidado e atenção.

Não posso, no entanto, crer que a árvore do outro lado da rua, por trás dos muros da Fundação de Amparo ao Menor de Ipaussu - FAMI, sinta minha diligência em manter-me vigilante pelo BEM.

As palavras escritas até aqui, se prestam de introdução para a real reflexão: o mundo, a MÃE NATUREZA, não está realmente preocupada com "o" ser humano. Devemos por de lado essa ideia de sermos especiais. As catástrofes naturais são a prova disso. É impossível impedi-las de ocorrer. Pode-se prevenir e só. Baratas são tão importantes para um deslizamento de falha geológica quanto nós. Alguns conseguem sobreviver a terremotos.

E porque pensei sobre isso nessa manhã de segunda-feira? Por conta de uma frase desses inúmeros filósofos do Instagram: "se hoje fosse seu último dia de vida, e você soubesse disso, o que realmente mereceria sua atenção?"

É difícil mensurar o combo de emoções e raciocínios envolvidos no "memento mori". Você pode estar extremamente saudável e feliz e de repente, algo inusitado acontece e adeus. A despreocupação é sua única arma. Pode não ser uma grande história, como a do Cônego Nazareno, contada agora por quem pouco o conheceu. Ainda assim, é algo que fica marcado na memória de alguns. Você pode não ter histórias desse porte para marcar sua passagem, mas alguns amigos e familiares irão repercutir essa sua existência, por mais insignificante que ela possa ter sido.

É um assunto de muitas linhas, sem dúvidas. Vamos continuar escrevendo, enquanto houver percepção de que não será hoje. Tomara!

domingo, 5 de outubro de 2025

Triste eu? Ó dúvida...


O algoritmo segue nossas escolhas e traz, às vezes, questões interessantíssi-mas. Cássio Zanata é cronista do jornal "A Tribuna", entre outros periódicos e revistas. No Instagram o vemos em @cassio_zanata. Está publicando seu 4⁰ livro e o algoritmo me trouxe uma crônica denominada "O Triste", onde questiona se todo otimista é na verdade um triste. Logo compreende que pessoas assim teem na verdade a habilidade de se utilizar dessa tristeza como motor da imaginação. É interessante pois nunca percebi isso. Sempre entendi que sou extrovertido demais e, às vezes, até incompreendido. Por isso "busco a tristeza" (segundo consta ao colega de escrita), para criar uma maneira de agradar aqueles que pretendo atingir com meus contos e crônicas e atitudes e gentilezas. Zanata cita que "é um exorcismo" transformar a tristeza em criação.

Nunca me compreendi assim, mas revendo esses 60 anos sob essa ótica, percebo que sim, há um fundo de verdade. E disso, para quem leu-me até aqui, surge a "cereja do bolo" dessa reflexão matinal: como pode ser proveitoso ver-se por outro ponto de vista, não? Desarmar-se e aceitar um argumento que reconfigura suas verdades. Talvez ele esteja errado, claro. Mas não é a dúvida que move o mundo? Com a dúvida, você se mexe, se reprograma, dá seu jeito. A dúvida no amanhã é o seu motor no hoje.

Ainda reluto em aceitar essa história de "tristeza". Sou muito tonto para isso, 🤣 😛 

Porém, começar o dia escrevendo, alimentando as caraminholas e refletindo sobre si, pode ser sim, considerado um "exorcismo". Um reencontro do verdadeiro que há sob a imagem que está no espelho. E hoje foi especial. Afinal, não é todo dia que escrevo sem medo de soar prepotente (pavor, na verdade), que chamo um grande cronista de "colega de escrita".

sábado, 4 de outubro de 2025

Obrigado? Sim, e grato também

Obrigado. Esta palavra é um ato de compromisso e não de agradecimento. Quando alguém lhe faz um favor, diga "grato" ou "muito grato". Responda com "obrigado" se você realmente quer se comprometer.


ORAÇÃO DAS MANHÃS

Eu me sinto obrigado a acreditar nos meus sonhos 

Eu me sinto obrigado a ser feliz para sempre

Eu me sinto obrigado a ajudar meus semelhantes da melhor maneira possível

Eu me sinto obrigado a crer nas minhas verdades, ainda que não sejam absolutas e as mantenha sempre abertas para argumentações e até para refutá-las

Eu me sinto obrigado a lutar pelo bem, a fazer sempre o bem, a ensinar o bem

Eu me sinto obrigado a compartilhar o conhecimento

Eu me sinto obrigado a agradecer e retribuir com a gentileza, o sorriso e a solidariedade a todos

Eu digo "obrigado" pelo que fui, pelo que sou e prometo me esforçar para me comprometer e agradecer também no futuro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

The Answer is blowing in the Wind


"E se o professor que você mais rejeita, for o único capaz de te libertar? A vida sempre sabe o que está fazendo. Você que não entendeu a lição." São essas as palavras do perfil @sobrebudismo que eu sigo no Instagram, que acabaram por me motivar a escrever na noite do dia 03/10. Fazer um novo texto para o blog no mesmo dia, na mesma sexta-feira, seria fugir da minha proposta inicial do blog. Mas não me custa refletir sobre algo que mexeu comigo. Enquanto estou aqui no meu happy hour solitário, fico pensando quais seriam os professores que me afrontam e me ensinam mais do que aqueles que me são dóceis e fraternos. É muito contraditório, mas é excitante também. Afinal, aprendemos com o exemplo e não com a confrontação. E o Budismo prega que "aqueles que põem o dedo na ferida demonstram o quanto ela ainda está aberta", o quanto de você ainda precisa ser curado. Sempre podemos aprender, por mais idiotas que consigamos ser. Apanhando ou seguindo os exemplos que a vida nos enfia goela abaixo, temos de perceber essas lições. No vento, talvez. "The answer my friend, is blowing in the Wind".

Mas a perspectiva de saber que você aprende melhor quando lhe chamam à ação, é interessante. Lhe confrontam, lhe contradizem. Tive exemplos, se for para puxar pela memória. São quase 60 anos, poxa! Já vi de tudo um pouco. O ruim de refletir sobre essas coisas importantes na vida, no "conduzir" da vida, no "sobreviver", é perceber que isso pode muito bem não ser lido por ninguém.



Reflexão de 03/10/2025, Sexta-feira - Vamos repetir o BEM


Por que há pessoas que só veem o "ganhar a vida" através do "prejudicar os outros"? Só há sentido, para alguns, se houver vantagem, se for possível ser mais esperto e sair na frente? O ser humano é naturalmente ruim? Todo o trabalho de remissão dos pecados foi perdido?

Minha irmã quase foi envolvida em um golpe desses que se pratica via internet com frequência até exagerada, hoje em dia. Quase levou prejuízo. Alguém se passando por mim, lhe pediu uma soma considerável de dinheiro. Porém, deu errado. O que me assombra é a capacidade de gerar uma estratégia fraudulenta de tal maneira, que obtenha sucesso em alguns casos. Se há inteligência bastante para isso, por que não usá-la para o BEM?

É certo que nessa civilização que criamos, fica difícil decidir entre o prato de comida e a conta da energia elétrica. É certo que a carga tributária embutida em cada uma de nossas necessidades básicas é um abuso. No entanto, nada impede os indivíduos de se dar BEM fazendo o BEM também. Há algo animal ainda entranhado em nossas vísceras que nos conduz ao mal. Até por brincadeira, via cotidiano.

A nossa grande missão é permanecer lutando contra essa "falta de prumo", tão natural ao ser humano. Talvez a raiz seja instintiva, afinal, enquanto bando de primatas, a competição por alimento e por posição confortável na hierarquia do grupo, é natural, inerente. Daí herdamos essa competitividade.

A solução, na minha opinião, é usar outra "aptidão" natural ao Homo sapiens: a capacidade de repetir modelos. Aprendemos a comer a polpa branca do coco, após descobrir como quebrar a casca. Com a estratégia definida, passamos a repetí-la sempre que os cocos apareciam. Repitamos, então, o BEM. Incessantemente, vezes e vezes. Sejamos tão canalhas como aqueles que fazem mal, como disse Rubem Braga. Infernizemos a vida de quem deseja sempre "se dar bem" a custa do sofrimento do outro, até que seus comportamentos sejam tão explícitos e vulneráveis, que seja fácil evitar e descartar. Quando ficam sujeitos a críticas, eles nos poupam de suas artimanhas. E como disse Tolstoi: "O mal não pode eliminar o mal. Apenas o BEM é capaz disso."

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...