Pensava sobre a posse ontem, após assistir um filme que entendi pela sinopse ser um terror, mas não passava de um suspense com ação e final romântico. Gostei da trilha sonora, como sempre. E não me lembro bem como surgiu esse pensamento, mas me fez refletir muito sobre minha oração matinal e passar a usar nomes no lugar de títulos. Agradecer pelo sucesso de sua filha e de sua ex-mulher por exemplo. Entendi ser errado usar esse tipo de pronome. Não há nada errado, pois todo o mundo faz uso dessas designações, mas parti dessa reflexão para outra maior: a partir do momento em que você denomina uma pessoa como "sua", há dois caminhos. O primeiro é inevitável e forma a base da relação com essa pessoa, ou seja, tudo deve se pautar pelo respeito. É sua a responsabilidade de dividir batalhas diárias, conquistas, conhecimento, felicidade. É sua a responsabilidade de cuidar, acarinhar, incentivar e aplaudir. É sua essa pessoa, para compartilhar contigo a existência e a sobrevivência.
O segundo é a posse e a imposição de vontade. E então surgiu a frase que me fez escrever esse texto, que é: quando uma pessoa tem posse sobre outra, transforma-a em objeto e esses, são descartáveis. Dessa reflexão me veio a compreensão sobre o amor não ser posse. Se você colhe uma flor, você decreta sua morte. Vê-la em botão, desabrochando, perfumando, perdendo as pétalas, extrusando o bulbo e se transformando em fruto é amá-la de verdade. Amar é respeitar a individualidade de cada um, sem "podar". Amar, é deixar ir, mas acolher quando necessário. É respeitar silêncios, autenticidade, possibilidades e argumentos. Não é concordar sempre, mas também não passa por imposição de vontades suas.
Hoje no mundo, falta amor justamente por conta dessa nova educação de massa. Há a educação cultural, que ajuda a moldar o indivíduo a seu meio e essa educação, está seriamente comprometida pela imbecilidade perpetuada. Precisamos reverter esse quadro ao nosso redor. Fazer o que nos cabe, mudar o que é possível, amar com respeito, empatia e sem posse. Dá pra mudar o mundo? Bem, somos especialistas em "jeitinho", não é? Devagar, vamos longe.

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