Dignidade é a qualidade do que é nobre, consciente do próprio valor, a honra de uma pessoa. Aprendi na balada sobre isso, lá pelos 25, 26, nos tempos em que frequentar o Café Piu-Piu era minha necessidade de fim de semana. Alguém que não me lembro quem, me disse que as pessoas se sentem mais seguras se você perguntar o nome delas e dizer expressamente que "gosta de tratar as pessoas pelo nome". E lembro de outro amigo na conversa, comentar que quando aprendeu sobre vendas, o instrutor observou isso.
Nós estamos sempre no processo de uma venda. Tempo, atenção, carinho, alegria, ideias. O diálogo, mais hora menos hora, se transforma em uma venda. Sempre pensamos em troca, é óbvio. No entanto, nossa ânsia em ser aceito, em participar, em colaborar para o BEM comum, é sempre uma motivação de venda. Queremos que nosso interlocutor "compre" nossa opinião. Na maioria das vezes, apenas por ouvir e considerar por alguns instantes. Aí reside a dignidade.
Aquele que devolve atenção ao próximo, concede a preciosidade das relações: a dignidade da equiparação. O nome da moda, é empatia, mas vejo coisas distintas. A empatia é mais íntima. A dignidade é o primeiro passo para a empatia, penso eu. E como disse Saramago, "é preciso criar o Dia dos Deveres Humanos".
É necessário cobrar dignidade de todos, mas principalmente, de si próprio. Nesses 60 anos, tenho exercitado isso no dia a dia, sem descanso. Considero-me um excelente aprendiz. Estou atento na maior parte do dia, para responder com atenção e cuidado. Excelente seria muita pretensão de minha parte. Um boníssimo aprendiz, digamos.
Olhe ao redor e veja quanta gente pode ser impactada por um gesto simples, como um sorriso, um desejo de bom dia e um abraço. Abraços são tão importantes que deveria-se instituir um horário específico, todo dia, para trocarmos um abraço. Algo como 18h18, por exemplo.
Já que existem narrativas sobre mundos distópicos, usemos essa possibilidade para um movimento disruptivo em nossos dias: um abraço amigo em um estranho, só para lhe entregar essa preciosa moeda chamada dignidade. Comecemos com um aperto de mãos, que a acham? A vergonha vai cedendo aos poucos e chegamos nos abraços. É exagero? Bom, eu comecei com sorrisos e "bom dia", portanto, apertos de mão estão ao meu alcance.


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