terça-feira, 21 de outubro de 2025

Sobre a Ilusão que Somos Nós - Parte 3

Um dia, Siegfried foi questionado por um amigo: "você nunca percebeu que tens uma cara de coitado?" Não respondeu de pronto. Buscou na memória a própria face no espelho e acabou, com um bom tempo de reflexão, por concordar. Desde então, quando a oportunidade surge, posta-se defronte a desconhecidos, usando uma lorota qualquer para pedir uns trocados. Alguns dão. Foi Siegfried quem me parou na rua ontem, pediu um minuto e perguntou se sou católico. Poderia lhe explicar, mas disse "não, não sou". Ele contra-argumentou, perguntando se era evangélico ou espírita. Mas, sua oportunidade perdeu força e sua "cara de coitado" se transformou em cara de espanto.

Não nego que, na hora do aperto, vou apelar para Deus. É algo cultural, que todos têm dificuldade de abandonar. Mas cada vez mais creio numa necessidade expressa do consciente de se agarrar em alguma crença. Eu mesmo tenho essa necessidade, por isso, saí do encontro com Siegfried também espantado e reflexivo. Desnecessário dizer que a reflexão sobre a matéria ainda conduz meus pensamentos. Maravilhado que estou com cada coisa que meus olhos capturam, pensando na sua solidez e na sua ilusão "quarkiniana". A energia entre as não-partículas se torna matéria.

Seria necessário mesmo um arquiteto para isso? Ou trata-se de algo naturalíssimo.

A física teórica explica que o grafeno ou o plasma podem servir como barreira invisível protetiva, como um campo de força da Sue Storm, dos quadrinhos. Seria a transformação de energia em matéria de forma prática. Ionizar átomos, segundo a pesquisa que fiz, ou desenvolver uma barreira de grafeno, com um átomo de espessura. Ou, segundo nossas crenças, a junção de átomos que forma toda a matéria ao nosso redor, que se for partida até o limite, resultará nos quarks, que se sustentam visíveis por bilionésimos de bilionésimos de segundo antes de desaparecer.

Somos levados a crer, pela civilização, que existe algo realmente além de nossa imaginação. Temos Miguel Nicolelis falando sobre isso, temos Richard Dawkins, temos Baruch Espinosa e outros. E temos Siegfried, crendo em sua cara de coitado, usando sua fé para ganhar uns trocados. Há ainda, algumas reflexões de gente mais letrada que eu. Doutora Andrea Vermont, por exemplo, cita que nós nos responsabilizamos por uma dívida eterna: o pecado. Ela explica que nós buscamos a Deus por obrigação. Muitos de nós, pelo menos. No exemplo do corte de entrevista que assisti, ela cita a pessoa recebendo a família para o almoço de domingo e após um papo que se estendeu demais após o almoço, pede que todos se retirem pois tem de ir à missa e seria um pecado não ir. Ela explica que devemos buscar a Deus com o coração e não por obrigação. Me situo quase como um discípulo de Espinosa, ao buscá-La* na alegria, na beleza da paisagem e no sorriso das pessoas que interagem conosco. Estou certo? Não sei. E cada vez me importo menos em saber se é esse o caminho certo para minha consciência.


* o “La” é proposital, pois creio cada dia mais na Deus Mãe Natureza. Estranho escrever assim, não? É proposital também.


 

Nenhum comentário:

Postar um comentário

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...