terça-feira, 7 de outubro de 2025

A Marca da Civilização

A primeira vez que fui apresentado a uma distopia, foi em uma série de TV acho, que passava após a Sessão da Tarde, na Globo. Apresentava-se um mundo onde os crimes eram punidos com uma marca na testa e os indivíduos marcados eram proibidos de interagir na sociedade. E quem não era marcado, deveria ignorá-los.  Tratava-se de episódios, tal e qual "Black Mirror", dissociados. Esse em especial, ficou na minha memória pela quantidade de pontas soltas. Não se explicava como o marcado sobreviveria sem interagir para comer, por exemplo. Se teria casa, emprego, dinheiro para o básico. De certo modo, essa percepção norteia meus escritos.

Esse filme veio a mente por conta de mais um episódio de bullying, destacado na imprensa. Meus pais tinham uma receita ótima para o "contra-ataque": assumir. Se você se irrita por ser "qualificado como estranho", o resultado é ser atormentado por essa qualificação. O grande entrave aqui, na minha opinião, é a falta de educação. 

O crescimento da população mundial, se deveu em boa parte à liberdade dos anos 60. A juventude ao se impor, promulgando uma nova forma de se relacionar, gerou descendentes mais cedo e não houve tempo para algumas famílias, estabelecerem uma nova forma de preparar esses novos seres humanos para a vida. Há inúmeras exceções, claro. Porém a "bola de neve" só cresceu. Mães e Pais adolescentes relaxaram na educação por absoluta inépcia. Isso criou uma civilização de pessoas psicologicamente suscetíveis a irritabilidade. Claro que há abusos, até criminosos inclusive. Porém, o "aceitar" devolve um desprezo contundente. Eu sofri bullying de meu irmão. Ele fez um comentário e um apelido pegou. O maior culpado pelo achincalhamento que sofri até que isso fosse esquecido, era eu. Por me enervar a cada situação. Quando passei a assumir que não era mesmo um rapaz bonito e até merecia o apelido de "feinho", tudo se transformou. Até namorada eu arranjei!

Há hoje em dia, excessos de parte a parte, tanto dos ofendedores quanto dos ofendidos. No entanto, é inegável que nossa sociedade precisa de mudanças profundas para corrigir o curso. Hoje, temos uma geração sensível e psicologicamente fraca para utilizar o desprezo com eficiência. E há, claramente, a outra parte, extremamente suscetível ao "ânimo de tribo", que incita o indivíduo à crueldade, para justificar seu pertencimento. Nos enfiamos nesse angú de caroço por culpa de nossa inabilidade em gerar seres humanos melhores do que nós.

Porém, toda essa reflexão é para ser lida e desprezada. Sigamos o flow, se é assim que funciona agora. E para não deixar pontas soltas, o que resolveu a situação dos marcados na tal série, foi o amor e a bondade. Para variar.

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