sexta-feira, 28 de junho de 2024

SINCE BLACK DOG

 

Eu tinha oito para nove anos, quando vi um cara cantando em inglês na TV preto e branco de casa, espremendo um tubo gigante de pasta de dente com as pernas. O sujeito tinha pintura nos olhos. Grandes borrões de tinta preta que quase os escondiam, como os buracos dos olhos em um crânio. Depois, em outra música, o mesmo cara aparecia com uma enorme cobra ao redor do pescoço. Isso foi em 1974 e foi a primeira vez que notas distorcidas emitidas pelas cordas de uma guitarra elétrica fizeram sentido para meus neurônios.

Comecei a prestar atenção nas músicas da TV, nas preferências das minhas irmãs e nas que ouvia por acaso na rua. Sempre que aparecia uma guitarra, minha atenção redobrava. Então, certo dia, ouvi no carro de um amigo do meu irmão, a guitarra de Jimmy Page. A canção era “Black Dog” e ele baixou o som do toca-fitas para perguntar:
— Cadê seu irmão? — Saiu com aquela morena que estava conversando com vocês.
Ele balançou a cabeça em negativa e sorriu.
— Tá fazendo nada? — Tô não. — Sobe aí. Vamos dar uma volta. — Que música é essa? — Isso é rock. Rock’n’roll!
E a partir daquela noite, rodando pelas ruas da cidade deserta, que ouvi Led Zeppelin pela primeira vez. Não sabia o nome da música e só guardei o “tanananã-nanã-nam” para contar a um amigo meu que deveria saber do que eu falava. E sim, ele sabia. A coleção de discos do irmão dele era imensa. É ainda, a maior em que já pus os olhos. Vinil e CD.
— Se você gostou da segunda do lado A, vai ficar doido com a quarta música.
Falava de “Stairway to Heaven”. Mas o engraçado da coisa toda, era nosso nível de inglês sofrível. Enquanto “cachorro preto” tinha algo a ver com o diabo, por conta do terror “perdurante” de ter visto “O Exorcista” no cinema, duas vezes; “escadaria para o céu” era a remissão. Depois vieram outras tolices juvenis, claro. “Smoke on the Water” falava sobre fumar maconha na banheira. Daí para pior.
Em 1983 fui ao show do KISS no Morumbi. Ituzaingó, inesquecível busão da madrugada paulistana que nos salvou e levou até uma distância percorrível a pé até em casa, ao Tatuapé. Não minha, pois ainda não tinha me transformado em paulistano. Mas com os caras da Rua São Bernardo, conheci Iron Maiden e AC/DC. Meu irmão gostava de Queen e pediu que eu gravasse fitas K7 para ele.

Era engenhoso alocar as músicas para “caber”. Outros shows vieram, comecei a comprar discos, aprender um pouco mais de inglês, ler mais a respeito de tudo o que me interessava. Agora, estou prestes a começar um programa na rádio da cidade, falando do que ouvi e li a respeito do rock'n'roll nesse tempo todo.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

UM CERTO "PROJETO DE OBJETIVOS"

Estúdio Móvel dos Rolling Stones -
Credito: Cantos Music Foundation

De setembro de 1970 a julho de 1971, a banda se enfiou em um estúdio para gravar e desenvolver um álbum que acabou rendendo apenas um grande sucesso. Os fãs, vão dizer “não é bem assim”, mas há discos que não emplacam. Então, vendo sua criação “não dar liga” e assoberbados com as turnês, decretou-se que era necessária uma parada. Um local tranquilo, onde pudessem conviver e desenvolver um trabalho mais estruturado e que representasse bem a proposta de rock que todos os cinco caras queriam fazer.

Conversa vem, conversa vai, foram parar na Suíça, para descansar e pensar uma grande obra de arte — afinal, é uma obra de arte, caramba — que recolocasse a banda nos trilhos do estrondoso sucesso do disco de 1970. Mas, sabe aquelas coisas que tem tudo para dar errado? Pois é. Era provável que desenvolvessem todo o material por lá e tivessem de se internar outra vez em um estúdio da Inglaterra ou da Califórnia para gravar.

— Não! — lembrou alguém — Tem aquele baita estúdio móvel por lá.

Menos mal. Então, descobriram que haveria alguém tocando no grande teatro, com acústica fenomenal, que pretendiam utilizar nas gravações. Teriam de esperar. Melhor. Descansa-se um pouco. E lá foram eles: Ian, Jon, Ritchie, Roger e o outro Ian: o Deep Purple.

Esse foi o roteiro para a gravação do álbum “Machine Head”, no estúdio móvel dos Rolling Stones, num andar de um hotel de Montreaux. Mais coisas deram errado? Muitas mais: quem estava tocando no Cassino-Barcaça era Frank Zappa e The Mothers of Invention. A certa altura do show, alguém encontrou uma pistola sinalizadora e disparou o artefato no teatro, provocando um incêndio. Improvisaram um estúdio num andar do hotel e esticaram os cabos do estúdio móvel para gravar o melhor álbum (a maioria dos fãs considera isso e eu também) da carreira deles.

A história é contada em detalhes naquela que é a música mais conhecida deles e que eu — quando adolescente e um completo idiota no inglês — acreditava piamente numa letra tratando de drogas. Alguns integrantes da banda ainda questionaram isso:
— “Smoke on the water”? Cara, nossa praia é cachaça. Não vai parecer apologia?
— Bom. A letra está falando do incêndio. Vão ter que ouvir, não é?

Essas e outras grandes histórias do rock serão contadas em pílulas semanais no programa “TAR DE ROCK”, pela Itamaracá FM de Ipaussu-SP e ao vivo no meu perfil do Facebook, a partir do sábado 13/07 - Dia Mundial do Rock, das 14 às 16h. A ideia é abrir um canal para a divulgação dos eventos culturais na região, conselhos, dicas de livros, filmes e séries para TV, e rock’n’roll da melhor qualidade.

sábado, 15 de junho de 2024

A APOSTA DE SCHOPENHAUER

Mr. Arthur fazia seu jantar em um mesmo restaurante em Herzberg am Harz e tinha a peculiar mania de depositar uma moeda de ouro sobre a mesa, ao chegar. Quando terminava, recolhia a moeda.

O garçom que o servia, certa vez perguntou sobre aquele comportamento. E o filósofo lhe respondeu ter esperança de, um dia, doar a moeda para a caridade. Bastava que os oficiais que compartilhavam o salão do restaurante com ele, mudassem de assunto, parando de falar de cavalos, mulheres e cachorros. APENAS.

O papo mudou, mas a mesmice continua. As pessoas hoje permanecem conversando sobre um cotidiano que a TV e as mídias sociais vomitam nos seus ouvidos. Não há cultura e discernimento suficientes para contestar opiniões, numa argumentação saudável.

A polarização é escrachada em qualquer lugar aonde se vá. Permeia a política, pois o discurso de dois idiotas conquistou o país todo. Dividimo-nos em esquerda e direita (ou vice-versa para não desagradar ninguém), por imposição de outros. Compramos a opinião embalada em invólucros antiecológicos, melecados de um grude abjeto. E compartilhamos a mesma coisa, por conta dos rótulos do “ser IN”, descolados, propagados pelos influencers tão idiotas quanto seu público fiel.

Esse parágrafo é simplesmente para testar os amigos que dizem ler meus textos e prestar atenção no que digo. Se você leu até aqui, mande um VTNC no meu WhatsApp (se tiver meu telefone) ou então deixe uma curtida na postagem do Instagram sobre essa crônica.

A tarefa é hercúlea, pois as pessoas não se importam com o conteúdo que consomem. Com o passar do tempo, se o assunto não estiver “na tela”, perde-se para os neurônios. Transferimos para os celulares a nossa fonte de atenção. É de lá que vem o foco, via bluetooth, acionando as sinapses necessárias para nossas reações ao que acontece no mundo.

Lembro-me que, em meus anos de Sampa, aleguei certa vez ao meu grande amigo e parceiro no escritório que não gostava de ir até o bar com o pessoal, para o happy hour, pois em cinco minutos, todos estavam “picando cartão”, ou seja, falando de serviço. Há um ligeiro desconto, ao se pensar que a construtora fazia parte das 24 horas do nosso dia, mas ainda assim, havia um comportamento autômato e estressante.

A aposta continuará valendo. Temos esperanças sinceras, de que por pouco tempo. Mas melhor esperança que expectativa, não é? Tenho esperança de você ter lido até aqui e se lembrado de enviar a mensagem, conforme o combinado. E antes que eu me esqueça, vá você também!

sexta-feira, 14 de junho de 2024

COISAS ESTRANHAS ACONTECEM TODO DIA

A Igreja sempre "demonizou" o Rock'n'Roll, mas o termo "rocking" surgiu entre os cantores gospel do início do século XX, para designar as pessoas que, através das canções de louvor, alcançavam o êxtase. O "sorrisão" da foto é de Rosetta Atkins Tharpe Morrison, a precursora e verdadeira Mãe do Rock'n'Roll (ainda bem que houve uma MÃE no começo de tudo. Um PAI costuma dar m$%&a, não sei por que)

Conhecida pelo seu nome "artístico", Sister Rosetta Tharpe tinha facilidade com o violão elétrico, o piano e uma ótima voz, ao interpretar os hinos nas igrejas de Chicago. Quem criou o termo "Rock'n'Roll", foi um jornalista dessa cidade, ao descrever as gravações dos hinos na voz de Rosetta. A música que dá título a essa "coluna" (Strange Things Happening Every Day), foi a primeira música gospel a atingir o Top 10 da Billboard.

Portanto, não foi Marty McFly quem criou o som que Chuck Berry pensava em fazer.

Em 1940, sua fama a levou a fazer turnês pelos USA, com "The Jordanaires". Ela quebrava paradigmas MESMO: banda com uma cantora negra com 4 acompanhantes brancos? Relacionamento afetivo (não confirmado) com Marie Knight, que a acompanhava no piano (em outra fase da carreira)?

Mas nem só de hinos gospel cantados por poderosas e empoderadas mulheres se criou o Rock'n'Roll. A revolta expressa nas letras dos Blues foi incorporada no "caldeirão" e a receita foi disseminada por um bonitão, bom moço, e rebolante, Mr. Elvis (branco) Presley.

Um pouco mais tarde, em Birmingham, um certo guitarrista chamado Antony perdeu a ponta dos dedos em uma prensa e resolveu adaptar cordas e trastes para poder “sentir” seu instrumento, mesmo com próteses na ponta dos dedos. O som ficava “distorcido e pesado”, pois era o único modo de tocar: cordas leves (de banjo) e trastes baixos. Nascia o “peso” do Rock’n’Roll com Mr. (Sir?) Tony Iommi.

O resto é história!

Dia 13 de JULHO - DIA MUNDIAL DO ROCK'N"ROLL

Suas tardes, caro Ipauçuense, nunca mais serão as mesmas. 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

RITA HAYWORTH E A TABERNA

Sinceramente não entendo o porquê dos distribuidores de cinema no Brasil escolherem nomes para o cinema de Hollywood, Bollywood ou qualquer outro centro produtor de películas da sétima arte. Deveriam se limitar a filmes brasileiros e deixar os estrangeiros com os nomes de lá mesmo. Recentemente, assisti “Road House”. Recebeu o nome de “Matador de Aluguel”. Nas legendas, “road house” foi traduzido como “taberna”. Imagine você olhar para um cartaz com um cara musculoso sobre uma luminosidade azul neon de um filme que se chama “Taberna”. Não “A Taberna”. Ok. É apenas um exemplo.

Seria interessante também você olhar um cartaz com Morgan Freeman e Tim Robbins onde se lê “Rita Hayworth e a Redenção”. A novela de Stephen King tem exatamente esse nome: “Rita Hayworth and Shawshank Redemption”. O livro “Different Seasons” ou “Quatro Estações”, de 1982, reúne quatro estórias sensacionais. Três viraram filmes. Um deles é esse, nomeado por aqui como “Um Sonho de Liberdade”.

Escrevo para contradizer-me — ao menos nesse caso específico — pois é um dos poucos em que acertaram. Shawshank State Prision é uma fictícia prisão da Nova Inglaterra, no Maine. É o “ambiente” de várias estórias do mestre Stephen King. Ops! Mestre (com maiúsculas porque os alunos são exigentes). “A Redenção de Shawshank”, tradução ipsis litteris do título original do filme, até que representa muito mais o enredo da novela do que o título adotado aqui no Brasil.

Mas a estratégia do protagonista revela-se uma busca metódica por não apenas fugir da prisão, como deixar um legado, uma lição para os que ainda terão penas a cumprir e, o mais importante, um golpe de mestre. E chega de spoilers. Citar o nome de Rita Hayworth é mero detalhe e, por conta disso (e na minha opinião), é a isca perfeita.

Um fã de Stephen King ao se deparar com o cartaz, entenderia de imediato que o filme era uma adaptação daquela novela que abre o livro “Different Seasons”. E mais ainda, estaria com o ingresso antecipadamente, pois os fã-clubes do autor, divulgariam antes a adaptação cinematográfica da obra. Mas um ignorante do assunto, como reagiria?

Talvez, em um universo paralelo, um ícone como Rita Hayworth pudesse funcionar melhor. Idem para o caso de “Road House”. O enredo todo se desenvolve ao redor da Taberna e há uma fala do protagonista perguntando o “porque” do nome. Mas o “povo que dá nome as coisas” (belo título para um conto infantil de terror) achou por bem evocar o “motivo”, ou seja, um cara que já deu e levou muita porrada, aparece onde não é chamado para ser o herói, distribuindo muita porrada.

quarta-feira, 12 de junho de 2024

MENTE EM MOVIMENTO

A capacidade do ser humano em aprender coisas novas é surpreendente. A negação desse “poder” que nos acomete “no final do segundo tempo”, é cruel. Modificações em uma rotina são sempre analisadas como um aborrecimento desnecessário. No entanto, é preciso preservar essa ânsia por aprender coisas novas, manter a mente em movimento.

A pandemia despertou talentos até então em letargia. Caminhávamos para uma mesmice horrorosa. Eis que a necessidade de ficar sozinho consigo, abalou todas as estruturas. Me derreti por uma paixão antiga e observei minha mente adequar-se aos novos tempos, às regras e convenções, à modernidade. Redescobri os livros e a escrita, coloquei-me à prova e no passar desses quatro anos, desenvolvi meu aprendizado como escritor. Hoje, posso dizer que estou preparado para uma primeira experiência verdadeira de escrita, uma grande estória, revisões e mais revisões, a busca por uma editora, revisões e adequações, escolhas e marketing.

Claro que há etapas complicadas: o reconhecimento está sendo costurado com lentidão e cuidado. Há ainda, pessoas que se interessam mais pelo meu cachorro (sem nem desejar “bom dia” de volta, pois eu sempre cumprimento). A grande massa de ignorantes que relegam toda a sua existência ao mundo visual das telas (Aldous Huxley que o diga!). E preguiçosos por natureza que descartam o supremo poder que a natureza lhes concede de poder se comunicar com palavras, através da leitura e da escrita. Esse é o público a ser convencido e o trabalho é árduo.

Mas independentemente de qualquer fator externo, o que importa mesmo é o que vai na sua mente. E lá vamos nós para apreender mais e mais conhecimento. Não ocupa espaço mesmo, não é? Neil deGrasse Tyson alertou para um fato que sempre me atiçou a curiosidade: para que serve uma equação de segundo grau. Diz ele que “a nossa capacidade de resolver problemas no dia a dia, está intrinsecamente ligada ao fato de termos nos esforçado na escola a resolver fórmulas e equações”, ou seja, não utilizaremos para muito, se optarmos por uma carreira diferente das ciências onde haja essa necessidade. Mas as sinapses desenvolvidas para a resolução, nos proporcionam hoje, enfrentar os problemas do cotidiano com mais tranquilidade.

Outra coisa que me atiçou a curiosidade, foram os estudos a respeito da capacidade de utilização do vocabulário pelas novas gerações. As provas da imbecilização estão cada vez mais evidentes e submeter-se a aprendizado acaba se tornando vantajoso no mundo de hoje. Na minha época, eram os “canudos”. Hoje, um diploma não é garantia de inteligência funcional, infelizmente.

Por isso, independente da “ranzinice” de se opor às mudanças na rotina, aprender continua sendo maravilhoso.

domingo, 9 de junho de 2024

ABRA SEUS OLHOS (MESMO)

Vejo a cidade amanhecer quase todo dia e é nas pessoas mais simples que viceja a esperança. Tem de vir de algum lugar. Quem pega seu carro e vai até a padaria providenciar seu café da manhã, nem sempre tem o mesmo espírito da moça de uniforme, empurrando seu carrinho e varrendo a sarjeta.

As pessoas que passam no caminhar apressado em direção à saída da cidade — sei disso por já participei disso —, têm um sorriso no rosto por conta de suas certezas: o dia pode ser diferente, o MEU emprego está me aguardando e quando o dia do pagamento chegar, MEU nome será festejado por meus credores, pois quito minhas contas. Vários são os motivos e não ficarei citando-os.

A ideia principal é que me interessa: acordar com esperança de um dia melhor, de cumprir com as expectativas planejadas e sobreviver para poder sonhar. Seja com o próximo final de semana, seja com uma compra especial, uma viagem, uma festa. O brilho nos olhos está lá, firme, forte e sacudido.

Mas há os insatisfeitos, os tristes. Sair da cama é excruciante, pelo visto. Enfrentar os problemas e responsabilidades é um dilema. A falha no funcionamento do raciocínio é tão paralisante, que não se enxerga onde se está. Onde você acordou, cidadão? Não vislumbre a imagem na sua resposta e sim a situação. Reformulando a pergunta: Em que situação você abriu os olhos para o novo dia?

É pena que não tenhamos um despertar súbito, como uma bolha de sabão estourando, por exemplo. Abrir os olhos e puxar o ar e de imediato, todas as engrenagens do corpo e da mente acendem seus leds e tudo começa a funcionar de repente. A felicidade e a esperança entrariam junto a primeira respiração do novo dia (e por que não mentalizar isso, hein?), nos fazendo reviver num estalar de dedos.

Porém, algumas pessoas escolhem o NÃO. O “bom” do cumprimento, não segrega o real desejo de que tudo seja especial de novo, feliz de novo, cheio de esperança de novo. São pessoas que devem amar moda sertaneja, pelo visto. Aquela celeuma de amores perdidos, bebedeiras solitárias, dor de cotovelo, etc. Pessoas que adoram ver uma notícia ruim.

A música, na minha opinião, cumpre uma função muito especial nesse despertar feliz. Acordo todo dia com uma música diferente na boca. Como um comportamento do sistema nervoso autônomo, o mesmo que controla a respiração e os batimentos cardíacos. É automático para mim. E mesmo que a música seja um blues desesperado e triste, a emoção que o permeia é o sorriso de uma Clara Nunes, bradando “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”

O positivismo, é tão importante como o ar que respiramos. Não acredite em mim, experimente você mesmo e veja a coisa funcionar.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

O EXEMPLO COMO FERRAMENTA




Um bem-te-vi canta em meio a copa de uma árvore na Praça da Matriz e um chilreio de suas crias responde. Pássaros ensinam pelo exemplo. Pais conscientes também. Entender e adotar esse princípio é, no meu entendimento, a base de uma sociedade mais feliz. Essa semana escrevi tanto a respeito de atitudes em relação a fazer o BEM como em perseguir o mundo atrás de exemplos bons.

Somos movidos a isso, de certa maneira, a copiar os exemplos que o mundo nos fornece. Falei em outra postagem a respeito do Funk Brasilis e sobre os exemplos que estão repassando a grande manada de imbecis que povoa esse planeta. Corrijo-me, aliás. Grandes estrelas da música americana usam os mesmíssimos termos em suas canções e, por consequência, repassam péssimos exemplos.

Os ídolos de hoje ensinam pouquíssima coisa aproveitável. João Bosco, em uma entrevista para a Rádio Eldorado falando a respeito de “O Bêbado e o Equilibrista”, citou que os filmes de Chaplin sempre terminavam com Carlitos — seu imortal personagem — caminhando em direção a um nascer do sol, com um sorriso no rosto. Um “subtexto”, indicando que amanhã é um novo dia e apesar das desventuras que passamos, podemos recomeçar a batalha para conquistar um momento de felicidade lá adiante.

E chego ao final de semana pensando em política. Qual o exemplo do atual “status quo”? Se você visualizar uma postagem de alguma figura dessas, em destaque na mídia, verá o seguinte: idosos precisando de atendimento em um posto de saúde em péssimas condições de conservação. “Ah, mas no governo de fulano era assim, por que hoje é assado?” Qual o exemplo nisso? Nenhum!

Uma pessoa que dá exemplos bons, influencia as pessoas que convivem com ela. É, com toda a pompa que a alcunha apregoa, um “influenciador/influenciadora”. Os citados do parágrafo acima, adotam a mesma alcunha, mas não correspondem em relação aos bons exemplos, pois se limitam a disputar a atenção.

Este é o mecanismo da imbecilidade: enquanto os “influencers” disputam sua atenção, seu problema, seus anseios, seus sonhos, são protelados. Você vive de acordo com imagens de pessoas vazias e sem função. E isso, é a real tristeza.

Uma ferramenta poderosa, que pode gerar um movimento uniforme na busca do bem comum, é pessimamente utilizada. Uma nação formada por exemplos pífios de civilidade.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

SOBRE A LIBERDADE

Albert Camus (o sorridente aí ao lado), em seu “Resistência, Rebelião, e Morte”, proclama: “A tarefa dos homens ... não é desertar as lutas históricas nem servir aos elementos cruéis e desumanos dessas lutas. É antes permanecer o que são, ajudar o homem contra o que o oprime, favorecer a liberdade contra as fatalidades que se fecham sobre ela ... A grandeza do homem ... reside em sua decisão de ser maior que sua condição. E se sua condição é injusta, ele só tem uma maneira de superá-la, que é SER JUSTO COM ELE MESMO.”

Equivale a dizer que com sujeito humano, você deve debruçar-se sobre a pia do banheiro, jogar a água no rosto, e logo após esfregar a toalha e olhar seus olhos frescos de um novo dia, encarar a sua realidade. Não a máscara que você veste para as pessoas ao seu redor, mas o seu EU. Agenor de Miranda, dizia que “O banheiro é a Igreja de todos os bêbados”, no que estava certo. Foi uma analogia ao fato de entregar-se derrotado, ajoelhando para rezar junto com o famoso Hugo. Mas é ali, na absoluta solidão que você vislumbra a sua alma.

O quanto de liberdade há nessa sua vida? Não se fie a pensar em política e em revanchismo. É extremamente imbecil arrastar toda a reflexão para o confronto esquerda x direita. O quanto você tem se esforçado para superar a injustiça da sua condição. Há o componente religioso sim: “amar ao próximo como a ti mesmo” é uma superação. Pois essa ação, desencadeia uma “bola de neve” que vai crescendo com ações positivas.

Sorrir, ser gentil, ter otimismo inabalável. Positivismo, enfim. Tudo está entremeado nas cordas onde as Nornas traçam nosso destino desde Yggdrasil. A liberdade deve ser a maciez das fibras dessas cordas. E para mantê-las macias, devemos transbordar essa vontade de “viver” rodeado de felicidade, positivismo. “Ah, mas liberdade também significa mandar tudo à merda!” Claro! E o “banquete de consequências”? Pois ao livrar-se das responsabilidades (que seria o “mandar tudo à merda”), adiamos o inexorável: uma hora a conta chega.

Manter-se ciente da coletividade, do positivismo, do fazer o BEM, deve ser o Norte para a liberdade tão almejada. Ao menos, é essa minha opinião. Não que minha vida seja uma maravilha por professar e (tentar) viver sobre essa regra a cada minuto do dia. Mas confesso que é bem mais prazerosa assim. Como disse Buda: “não acredite em mim, experimente e veja você mesmo se funciona!”


quarta-feira, 5 de junho de 2024

ONDE VOCÊ ESTÁ PONDO SEUS OLHOS?

Atualmente, onde a mídia manda. Somos literalmente, teleguiados. Conduzidos a pensar conforme a maioria. Pois, tenho uma grande notícia: todos estão errados. E não é porque EU estou certo. É porque não há UM certo. Há O certo. E alcançá-lo, deve ser uma conquista de todos. A situação é que o antagonismo não deve ter vez.

Apreciamos nesses nossos dias, cada vez mais o antagonismo. Procura-se justificar a sua posição, sempre confrontando algo ou alguém. Milan Kundera (ele de novo, eu sei) escreveu que “a armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário”. Tão desesperada e intimamente, que esquecemos do nosso. O nosso exercício do BEM.

A preocupação excessiva em rechaçar a proposta do “inimigo”, não é uma contraposição, uma argumentação que leve ao ponto em comum. Vejo muito isso na mídia, onde os asseclas da esquerda e da direita se digladiam, em um combate insano e desprovido de eficiência. As comparações se repetem e as soluções parecem o aluno de castigo no canto da sala: todos sabem que ele está lá, mas a ideia é ignorá-lo.

As fornalhas da campanha à administração municipal, começam a ser ativadas. E aqui reflito pelo seguinte raciocínio. O povo detém o poder e escolhe os administradores temporários. Seria uma verdade sublime, se fosse seguida à risca. Mas o que vemos? Eleitos abusando do poder que é (também) o mesmo aluno do canto da sala. O povo cumpre sua obrigação (ridícula pelo adjetivo, não pela importância) de votar e escolher seus representantes e cruza os braços, enfiando os dedos no conforto das axilas.

Argumentando (que é o certo), digo que essa atitude é errada. O poder é do povo. Os eleitos administram a “coisa” pública pelo tempo determinado. Não mandam p$#% nenhuma. Essa é a ideia que não é adotada. E, por usurpar o poder esquecido, fomentam a discórdia, o antagonismo. Rebaixam o discurso a uma troca de farpas ineficientes e decoradas de ilusão.

A falácia, cria um ícone de areia que a mídia adota e “viraliza” (sobre essa palavra, devo fazer uma postagem especial) e a maioria se fia a discutir e atentar apenas ao que lhe é apresentado. As questões importantes, são deixadas para idiotas como eu, que fica berrando sozinho para a massa: “todos vocês estão errados, p#$@!!!”


terça-feira, 4 de junho de 2024

PERMITA-SE COMPREENDER O MUNDO

Não é estranho? Você só dá valor ao que perde.
E o meu coração lá está, e estará até o fim dos meus dias.
Então, entenda: não perca o seu tempo em busca daqueles anos perdidos!
Levante a cabeça, tome uma decisão, e perceba que você está vivendo
Os melhores anos de sua vida!
Muito tempo passou pelas minhas mãos.
Você não sai da minha cabeça. Não é fácil aliviar essa dor.
Quando você não consegue encontrar as palavras, é difícil passar por mais um dia.
E isso me faz querer chorar e erguer as mãos para o céu!

Permitir-se a compreender o mundo, tem muito a ver com baixar a guarda e deixar as informações chegarem ao seu raciocínio, movimentarem suas engrenagens perceptivas, suas experiências e memórias, e só então argumentar. Você não pode rebater de imediato uma informação, antes de “degluti-la”. É preciso entender o processo de raciocinar a respeito de um tema, antes de rechaçar de pronto. Os versos acima, são de uma canção. Boa parte das pessoas não teria uma opinião formada sobre eles, se ouvisse a música em questão.
O processo de permitir-se a ouvir, atualmente, é cada vez mais colocado “para escanteio”. Mas se você não sabe de futebol — apesar de compreender a expressão — saiba que após a cobrança do escanteio, a bola volta para a área. Não se propor a ouvir uma opinião alheia, é sujeitar-se a “levar um gol de bola parada”, ou seja, ser cobrado pela vida lá adiante, pela sua necessidade expressa de aferrar-se às suas crenças.
Em tempos em que a disseminação de mentiras (“feiquenius” meu ovo!) é quase uma regra, avaliar as informações é extremamente importante para a autoestima. Afinal de contas, é ruim demais descobrir-se apoiador de fantasias, no final das contas, não é?
Acordar um dia qualquer e descobrir que seu mundo belo, justo e perfeito é, na verdade uma pantomima, um embuste centrado em opiniões que não se sustentam. O silêncio é um excelente professor e uma excelente resposta. Você dizer as pessoas que “não tem uma opinião formada” a respeito disso ou daquilo, é construtivo. Desde que você não minta, ou seja, dedique-se a se posicionar sobre o assunto e não protelar sua resposta quando inquirido.
A alienação é a desculpa dos fracos, na minha opinião. Alienar-se é passar o dedo na tela do seu celular, sem se interessar por nada. E o maior perigo dessa atitude perante os acontecimentos do seu dia, é perder a capacidade de opinar. Contentar-se em seguir o rumo das coisas, abandonar-se a correnteza, é desperdiçar todo o potencial que a vida colocou em seus milhares de células. Imagine como o mundo seria legal, se você desse suas opiniões também? Argumentar, é encontrar um meio-termo entre as suas opiniões e as de outra pessoa.
Os versos da canção no início do texto, são do Iron Maiden, uma banda de Heavy Metal. A canção se chama “Wasted Years”.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

DESAFIOS LITERÁRIOS

Muito mais do que uma competição, os desafios literários me fisgaram pela possibilidade de aprender com pessoas interessadas em ensinar. Sim, é preciso estar vacinado para as críticas e, agora descobri, vacinado para a rejeição.

Quando li em um dos sites/blogs especializados em divulgar concursos literários que “fulano de tal convida autores de contos a participar do desafio X”, a curiosidade viu-se atiçada. Medroso, a princípio achei não ter o conhecimento e o cacife necessário para expor minhas criações ao crivo de escritores estabelecidos nessa jornada para ser ouvido/lido.

Mas resolvi me expor “na minha praia”, com um conto de terror. Fui horrível. Principalmente nos comentários. Sim. É necessário não apenas expor seu texto para análise dos outros autores, mas também, comentar o texto dos outros. Meus primeiros comentários foram quase preconceituosos, de tão mesquinhos. Em certo ponto, me entendi como aquele personagem do Luiz Fernando Guimarães, o “Sincerão”.

— Olha, achei seu texto uma bosta. Mas a premissa do conto é boa.

Enquanto choviam críticas aos meus erros, no meu texto, destilava todo o meu rancor por entender que as regras ensinadas a mim, deveriam servir de base para analisar os outros. Pois bem, não só.

Quando você lê, aprende. Autores consagrados, como Milan Kundera, por exemplo. “A Insustentável Leveza do Ser”, ao menos a tradução que li (em português de Portugal), era recheada dos “supostos” erros apregoados pelas regras sobre textos que aprendi junto aos “papas” do conto moderno e orientadores. Explico-me:

Supondo que seu conto descreva a cena como em “O Alpinista”, que publiquei no “O Cometa”. Joseph observa Adalberto e sua batalha. Se o foco está em uma ação de Adalberto, EU entendo não haver necessidade de utilizar a palavra “ele” a cada nova ação. O parágrafo todo pode ser referir ao personagem citado no início desse mesmo parágrafo. Em Mr.Kundera e em outros autores que li depois, isso pouco importa. Usam sem “sangria desatada”. E eu, aferrado as minhas convicções, “descascava” os ouros colegas. Aprendi. Estou aprendendo, na verdade. Ainda cometo absurdos.

Acabei virando fã dos desafios e entendo que isso só serve para contribuir com o próprio desenvolvimento. Fiz dois no ENTRECONTOS (https://entrecontos.com) e outros dois no CONCURSO LITERÁRIO DE SUSPENSE E TERROR (https://www.recantodasletras.com.br). Não tive destaque em nenhum deles, mas a gama de conhecimento que adquiri, é um prêmio inigualável. E que venham outros!!

sábado, 1 de junho de 2024

HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA

Acordar com o som do “brazilian funk” — que não compreendo patavina do que é “cantado” — nos ouvidos é algo ignóbil. O que é “ignóbil”? Se você ler um pouco mais, talvez você descubra. É? Sei que é hipocrisia da minha parte e a intenção é essa mesma. Segundo o dicionário, “algo que inspira horror do ponto de vista moral” é ignóbil. Se a ideia de fazer um blog, além de expor opiniões, é informar sobre assuntos que passam despercebidos pela maioria das pessoas, nada mais hipócrita que lançar uma palavra quase desconhecida pela maioria e não dizer do que se trata.

Peguei-me pensando na notícia de uns dias, onde informava-se uma exposição com tema Anitta e o Funk, exibindo o universo musical. No post que li, havia um comentário elogioso que chamou minha atenção: “que mulher empoderada”. A maneira que ela expõe as mulheres em suas letras, não seria controversa na sua opinião? Na sua maioria, as frases expõem uma mulher usando o sexo como instrumento de poder. Expõe uma “cachorra” dominadora, que não se importa de ser usada, desde que se reconheça o desejo dos homens para com ela.

Não é estranho? Se posta como empoderada usando a subserviência como escudo. Não que ela defenda explicitamente a misoginia, mas ela recebe a “pecha” de empoderada e, na verdade, expõe a mulher como um objeto. Saio em defesa dela, quando disse que não é possível você interagir com o público que consome sua música, falando outra língua, ou seja, suas letras não podem ser “hipócritas”, mostrando uma vida idílica (de sonhos) nas letras, quando a realidade é muito distante disso. Concordo. Mas isso não implica dizer que não é possível educar através da música. Inclusive o respeito e a igualdade.

Há exemplos, inclusive nas comunidades carentes, com orquestras nos mais diversos estilos. E o ser humano é pluricultural, se obtiver o acesso à cultura. Se diariamente é exposto à música ruim, não se pode cobrar muito, não é? E surge, nesse caso específico, o mainstream. O importante é ganhar dinheiro, certo? Então façamos funk para a galera consumir e “empoderar” a moça.

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