quinta-feira, 13 de junho de 2024

RITA HAYWORTH E A TABERNA

Sinceramente não entendo o porquê dos distribuidores de cinema no Brasil escolherem nomes para o cinema de Hollywood, Bollywood ou qualquer outro centro produtor de películas da sétima arte. Deveriam se limitar a filmes brasileiros e deixar os estrangeiros com os nomes de lá mesmo. Recentemente, assisti “Road House”. Recebeu o nome de “Matador de Aluguel”. Nas legendas, “road house” foi traduzido como “taberna”. Imagine você olhar para um cartaz com um cara musculoso sobre uma luminosidade azul neon de um filme que se chama “Taberna”. Não “A Taberna”. Ok. É apenas um exemplo.

Seria interessante também você olhar um cartaz com Morgan Freeman e Tim Robbins onde se lê “Rita Hayworth e a Redenção”. A novela de Stephen King tem exatamente esse nome: “Rita Hayworth and Shawshank Redemption”. O livro “Different Seasons” ou “Quatro Estações”, de 1982, reúne quatro estórias sensacionais. Três viraram filmes. Um deles é esse, nomeado por aqui como “Um Sonho de Liberdade”.

Escrevo para contradizer-me — ao menos nesse caso específico — pois é um dos poucos em que acertaram. Shawshank State Prision é uma fictícia prisão da Nova Inglaterra, no Maine. É o “ambiente” de várias estórias do mestre Stephen King. Ops! Mestre (com maiúsculas porque os alunos são exigentes). “A Redenção de Shawshank”, tradução ipsis litteris do título original do filme, até que representa muito mais o enredo da novela do que o título adotado aqui no Brasil.

Mas a estratégia do protagonista revela-se uma busca metódica por não apenas fugir da prisão, como deixar um legado, uma lição para os que ainda terão penas a cumprir e, o mais importante, um golpe de mestre. E chega de spoilers. Citar o nome de Rita Hayworth é mero detalhe e, por conta disso (e na minha opinião), é a isca perfeita.

Um fã de Stephen King ao se deparar com o cartaz, entenderia de imediato que o filme era uma adaptação daquela novela que abre o livro “Different Seasons”. E mais ainda, estaria com o ingresso antecipadamente, pois os fã-clubes do autor, divulgariam antes a adaptação cinematográfica da obra. Mas um ignorante do assunto, como reagiria?

Talvez, em um universo paralelo, um ícone como Rita Hayworth pudesse funcionar melhor. Idem para o caso de “Road House”. O enredo todo se desenvolve ao redor da Taberna e há uma fala do protagonista perguntando o “porque” do nome. Mas o “povo que dá nome as coisas” (belo título para um conto infantil de terror) achou por bem evocar o “motivo”, ou seja, um cara que já deu e levou muita porrada, aparece onde não é chamado para ser o herói, distribuindo muita porrada.

Um comentário:

  1. Gostei do filme e não sabia ser uma história de Mr. Stephen. Grato por me fazer mais sábio.

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