Mr. Arthur fazia seu jantar em um mesmo restaurante em
Herzberg am Harz e tinha a peculiar mania de depositar uma moeda de ouro sobre
a mesa, ao chegar. Quando terminava, recolhia a moeda.
O garçom que o servia, certa vez perguntou sobre aquele
comportamento. E o filósofo lhe respondeu ter esperança de, um dia, doar a moeda
para a caridade. Bastava que os oficiais que compartilhavam o salão do
restaurante com ele, mudassem de assunto, parando de falar de cavalos, mulheres
e cachorros. APENAS.
O papo mudou, mas a mesmice continua. As pessoas hoje
permanecem conversando sobre um cotidiano que a TV e as mídias sociais vomitam
nos seus ouvidos. Não há cultura e discernimento suficientes para contestar
opiniões, numa argumentação saudável.
A polarização é escrachada em qualquer lugar aonde se vá.
Permeia a política, pois o discurso de dois idiotas conquistou o país todo.
Dividimo-nos em esquerda e direita (ou vice-versa para não desagradar ninguém),
por imposição de outros. Compramos a opinião embalada em invólucros
antiecológicos, melecados de um grude abjeto. E compartilhamos a mesma coisa, por
conta dos rótulos do “ser IN”, descolados, propagados pelos influencers tão
idiotas quanto seu público fiel.
Esse parágrafo é simplesmente para testar os amigos que
dizem ler meus textos e prestar atenção no que digo. Se você leu até aqui,
mande um VTNC no meu WhatsApp (se tiver meu telefone) ou então deixe uma
curtida na postagem do Instagram sobre essa crônica.
A tarefa é hercúlea, pois as pessoas não se importam com o
conteúdo que consomem. Com o passar do tempo, se o assunto não estiver “na tela”,
perde-se para os neurônios. Transferimos para os celulares a nossa fonte de
atenção. É de lá que vem o foco, via bluetooth, acionando as sinapses
necessárias para nossas reações ao que acontece no mundo.
Lembro-me que, em meus anos de Sampa, aleguei certa vez ao
meu grande amigo e parceiro no escritório que não gostava de ir até o bar com o
pessoal, para o happy hour, pois em cinco minutos, todos estavam “picando cartão”,
ou seja, falando de serviço. Há um ligeiro desconto, ao se pensar que a
construtora fazia parte das 24 horas do nosso dia, mas ainda assim, havia um
comportamento autômato e estressante.
A aposta continuará valendo. Temos esperanças sinceras, de que por pouco tempo. Mas melhor esperança que expectativa, não é? Tenho esperança de você ter lido até aqui e se lembrado de enviar a mensagem, conforme o combinado. E antes que eu me esqueça, vá você também!

Nenhum comentário:
Postar um comentário