Extratos críticos e reflexivos sobre um reles mortal ipauçuense admirando o mundo e as criaturas que ainda vivem nele
sexta-feira, 28 de junho de 2024
SINCE BLACK DOG
quarta-feira, 19 de junho de 2024
UM CERTO "PROJETO DE OBJETIVOS"
![]() |
| Estúdio Móvel dos Rolling Stones - Credito: Cantos Music Foundation |
sábado, 15 de junho de 2024
A APOSTA DE SCHOPENHAUER
Mr. Arthur fazia seu jantar em um mesmo restaurante em
Herzberg am Harz e tinha a peculiar mania de depositar uma moeda de ouro sobre
a mesa, ao chegar. Quando terminava, recolhia a moeda.
O garçom que o servia, certa vez perguntou sobre aquele
comportamento. E o filósofo lhe respondeu ter esperança de, um dia, doar a moeda
para a caridade. Bastava que os oficiais que compartilhavam o salão do
restaurante com ele, mudassem de assunto, parando de falar de cavalos, mulheres
e cachorros. APENAS.
O papo mudou, mas a mesmice continua. As pessoas hoje
permanecem conversando sobre um cotidiano que a TV e as mídias sociais vomitam
nos seus ouvidos. Não há cultura e discernimento suficientes para contestar
opiniões, numa argumentação saudável.
A polarização é escrachada em qualquer lugar aonde se vá.
Permeia a política, pois o discurso de dois idiotas conquistou o país todo.
Dividimo-nos em esquerda e direita (ou vice-versa para não desagradar ninguém),
por imposição de outros. Compramos a opinião embalada em invólucros
antiecológicos, melecados de um grude abjeto. E compartilhamos a mesma coisa, por
conta dos rótulos do “ser IN”, descolados, propagados pelos influencers tão
idiotas quanto seu público fiel.
Esse parágrafo é simplesmente para testar os amigos que
dizem ler meus textos e prestar atenção no que digo. Se você leu até aqui,
mande um VTNC no meu WhatsApp (se tiver meu telefone) ou então deixe uma
curtida na postagem do Instagram sobre essa crônica.
A tarefa é hercúlea, pois as pessoas não se importam com o
conteúdo que consomem. Com o passar do tempo, se o assunto não estiver “na tela”,
perde-se para os neurônios. Transferimos para os celulares a nossa fonte de
atenção. É de lá que vem o foco, via bluetooth, acionando as sinapses
necessárias para nossas reações ao que acontece no mundo.
Lembro-me que, em meus anos de Sampa, aleguei certa vez ao
meu grande amigo e parceiro no escritório que não gostava de ir até o bar com o
pessoal, para o happy hour, pois em cinco minutos, todos estavam “picando cartão”,
ou seja, falando de serviço. Há um ligeiro desconto, ao se pensar que a
construtora fazia parte das 24 horas do nosso dia, mas ainda assim, havia um
comportamento autômato e estressante.
A aposta continuará valendo. Temos esperanças sinceras, de que por pouco tempo. Mas melhor esperança que expectativa, não é? Tenho esperança de você ter lido até aqui e se lembrado de enviar a mensagem, conforme o combinado. E antes que eu me esqueça, vá você também!
sexta-feira, 14 de junho de 2024
COISAS ESTRANHAS ACONTECEM TODO DIA
A Igreja sempre "demonizou" o Rock'n'Roll, mas o
termo "rocking" surgiu entre os cantores gospel do início do século
XX, para designar as pessoas que, através das canções de louvor, alcançavam o
êxtase. O "sorrisão" da foto é de Rosetta Atkins Tharpe Morrison, a
precursora e verdadeira Mãe do Rock'n'Roll (ainda bem que houve uma MÃE no
começo de tudo. Um PAI costuma dar m$%&a, não sei por que)
Conhecida pelo seu nome "artístico", Sister
Rosetta Tharpe tinha facilidade com o violão elétrico, o piano e uma ótima voz,
ao interpretar os hinos nas igrejas de Chicago. Quem criou o termo
"Rock'n'Roll", foi um jornalista dessa cidade, ao descrever as
gravações dos hinos na voz de Rosetta. A música que dá título a essa "coluna" (Strange Things Happening Every Day), foi a primeira música
gospel a atingir o Top 10 da Billboard.
Portanto, não foi Marty McFly quem criou o som que Chuck
Berry pensava em fazer.
Em 1940, sua fama a levou a fazer turnês pelos USA, com
"The Jordanaires". Ela quebrava paradigmas MESMO: banda com uma cantora
negra com 4 acompanhantes brancos? Relacionamento afetivo (não confirmado) com
Marie Knight, que a acompanhava no piano (em outra fase da carreira)?
Mas nem só de hinos gospel cantados por poderosas e
empoderadas mulheres se criou o Rock'n'Roll. A revolta expressa nas letras dos
Blues foi incorporada no "caldeirão" e a receita foi disseminada por
um bonitão, bom moço, e rebolante, Mr. Elvis (branco) Presley.
Um pouco mais tarde, em Birmingham, um certo guitarrista
chamado Antony perdeu a ponta dos dedos em uma prensa e resolveu adaptar cordas
e trastes para poder “sentir” seu instrumento, mesmo com próteses na ponta dos
dedos. O som ficava “distorcido e pesado”, pois era o único modo de tocar:
cordas leves (de banjo) e trastes baixos. Nascia o “peso” do Rock’n’Roll com
Mr. (Sir?) Tony Iommi.
O resto é história!
Dia 13 de JULHO - DIA MUNDIAL DO ROCK'N"ROLL
quinta-feira, 13 de junho de 2024
RITA HAYWORTH E A TABERNA
Sinceramente não entendo o porquê dos distribuidores de cinema
no Brasil escolherem nomes para o cinema de Hollywood, Bollywood ou qualquer
outro centro produtor de películas da sétima arte. Deveriam se limitar a filmes
brasileiros e deixar os estrangeiros com os nomes de lá mesmo. Recentemente,
assisti “Road House”. Recebeu o nome de “Matador de Aluguel”. Nas legendas, “road
house” foi traduzido como “taberna”. Imagine você olhar para um cartaz com um
cara musculoso sobre uma luminosidade azul neon de um filme que se chama “Taberna”.
Não “A Taberna”. Ok. É apenas um exemplo.
Seria interessante também você olhar um cartaz com Morgan
Freeman e Tim Robbins onde se lê “Rita Hayworth e a Redenção”. A novela de
Stephen King tem exatamente esse nome: “Rita Hayworth and Shawshank Redemption”.
O livro “Different Seasons” ou “Quatro Estações”, de 1982, reúne quatro estórias
sensacionais. Três viraram filmes. Um deles é esse, nomeado por aqui como “Um
Sonho de Liberdade”.
Escrevo para contradizer-me — ao menos nesse caso específico
— pois é um dos poucos em que acertaram. Shawshank State Prision é uma fictícia
prisão da Nova Inglaterra, no Maine. É o “ambiente” de várias estórias do
mestre Stephen King. Ops! Mestre (com maiúsculas porque os alunos são
exigentes). “A Redenção de Shawshank”, tradução ipsis litteris do título
original do filme, até que representa muito mais o enredo da novela do que o
título adotado aqui no Brasil.
Mas a estratégia do protagonista revela-se uma busca
metódica por não apenas fugir da prisão, como deixar um legado, uma lição para
os que ainda terão penas a cumprir e, o mais importante, um golpe de mestre. E
chega de spoilers. Citar o nome de Rita Hayworth é mero detalhe e, por conta
disso (e na minha opinião), é a isca perfeita.
Um fã de Stephen King ao se deparar com o cartaz, entenderia
de imediato que o filme era uma adaptação daquela novela que abre o livro “Different
Seasons”. E mais ainda, estaria com o ingresso antecipadamente, pois os fã-clubes
do autor, divulgariam antes a adaptação cinematográfica da obra. Mas um
ignorante do assunto, como reagiria?
Talvez, em um universo paralelo, um ícone como Rita Hayworth pudesse funcionar melhor. Idem para o caso de “Road House”. O enredo todo se desenvolve ao redor da Taberna e há uma fala do protagonista perguntando o “porque” do nome. Mas o “povo que dá nome as coisas” (belo título para um conto infantil de terror) achou por bem evocar o “motivo”, ou seja, um cara que já deu e levou muita porrada, aparece onde não é chamado para ser o herói, distribuindo muita porrada.
quarta-feira, 12 de junho de 2024
MENTE EM MOVIMENTO
A capacidade do ser humano em aprender coisas novas é
surpreendente. A negação desse “poder” que nos acomete “no final do segundo
tempo”, é cruel. Modificações em uma rotina são sempre analisadas como um
aborrecimento desnecessário. No entanto, é preciso preservar essa ânsia por
aprender coisas novas, manter a mente em movimento.
A pandemia despertou talentos até então em letargia.
Caminhávamos para uma mesmice horrorosa. Eis que a necessidade de ficar sozinho
consigo, abalou todas as estruturas. Me derreti por uma paixão antiga e
observei minha mente adequar-se aos novos tempos, às regras e convenções, à
modernidade. Redescobri os livros e a escrita, coloquei-me à prova e no passar
desses quatro anos, desenvolvi meu aprendizado como escritor. Hoje, posso dizer
que estou preparado para uma primeira experiência verdadeira de escrita, uma
grande estória, revisões e mais revisões, a busca por uma editora, revisões e
adequações, escolhas e marketing.
Claro que há etapas complicadas: o reconhecimento está sendo
costurado com lentidão e cuidado. Há ainda, pessoas que se interessam mais pelo
meu cachorro (sem nem desejar “bom dia” de volta, pois eu sempre cumprimento). A
grande massa de ignorantes que relegam toda a sua existência ao mundo visual
das telas (Aldous Huxley que o diga!). E preguiçosos por natureza que descartam
o supremo poder que a natureza lhes concede de poder se comunicar com palavras,
através da leitura e da escrita. Esse é o público a ser convencido e o trabalho
é árduo.
Mas independentemente de qualquer fator externo, o que
importa mesmo é o que vai na sua mente. E lá vamos nós para apreender mais e
mais conhecimento. Não ocupa espaço mesmo, não é? Neil deGrasse Tyson alertou
para um fato que sempre me atiçou a curiosidade: para que serve uma equação de
segundo grau. Diz ele que “a nossa capacidade de resolver problemas no dia a dia,
está intrinsecamente ligada ao fato de termos nos esforçado na escola a
resolver fórmulas e equações”, ou seja, não utilizaremos para muito, se
optarmos por uma carreira diferente das ciências onde haja essa necessidade.
Mas as sinapses desenvolvidas para a resolução, nos proporcionam hoje,
enfrentar os problemas do cotidiano com mais tranquilidade.
Outra coisa que me atiçou a curiosidade, foram os estudos a
respeito da capacidade de utilização do vocabulário pelas novas gerações. As
provas da imbecilização estão cada vez mais evidentes e submeter-se a
aprendizado acaba se tornando vantajoso no mundo de hoje. Na minha época, eram
os “canudos”. Hoje, um diploma não é garantia de inteligência funcional,
infelizmente.
domingo, 9 de junho de 2024
ABRA SEUS OLHOS (MESMO)
Vejo a cidade amanhecer quase todo dia e é nas pessoas mais
simples que viceja a esperança. Tem de vir de algum lugar. Quem pega seu carro
e vai até a padaria providenciar seu café da manhã, nem sempre tem o mesmo
espírito da moça de uniforme, empurrando seu carrinho e varrendo a sarjeta.
As pessoas que passam no caminhar apressado em direção à
saída da cidade — sei disso por já participei disso —, têm um sorriso no rosto
por conta de suas certezas: o dia pode ser diferente, o MEU emprego está me
aguardando e quando o dia do pagamento chegar, MEU nome será festejado por meus
credores, pois quito minhas contas. Vários são os motivos e não ficarei
citando-os.
A ideia principal é que me interessa: acordar com esperança
de um dia melhor, de cumprir com as expectativas planejadas e sobreviver para
poder sonhar. Seja com o próximo final de semana, seja com uma compra especial,
uma viagem, uma festa. O brilho nos olhos está lá, firme, forte e sacudido.
Mas há os insatisfeitos, os tristes. Sair da cama é excruciante,
pelo visto. Enfrentar os problemas e responsabilidades é um dilema. A falha no
funcionamento do raciocínio é tão paralisante, que não se enxerga onde se está.
Onde você acordou, cidadão? Não vislumbre a imagem na sua resposta e sim a
situação. Reformulando a pergunta: Em que situação você abriu os olhos para o
novo dia?
É pena que não tenhamos um despertar súbito, como uma bolha
de sabão estourando, por exemplo. Abrir os olhos e puxar o ar e de imediato,
todas as engrenagens do corpo e da mente acendem seus leds e tudo começa a
funcionar de repente. A felicidade e a esperança entrariam junto a primeira
respiração do novo dia (e por que não mentalizar isso, hein?), nos fazendo
reviver num estalar de dedos.
Porém, algumas pessoas escolhem o NÃO. O “bom” do
cumprimento, não segrega o real desejo de que tudo seja especial de novo, feliz
de novo, cheio de esperança de novo. São pessoas que devem amar moda sertaneja,
pelo visto. Aquela celeuma de amores perdidos, bebedeiras solitárias, dor de
cotovelo, etc. Pessoas que adoram ver uma notícia ruim.
A música, na minha opinião, cumpre uma função muito especial
nesse despertar feliz. Acordo todo dia com uma música diferente na boca. Como
um comportamento do sistema nervoso autônomo, o mesmo que controla a respiração
e os batimentos cardíacos. É automático para mim. E mesmo que a música seja um
blues desesperado e triste, a emoção que o permeia é o sorriso de uma Clara
Nunes, bradando “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”
O positivismo, é tão importante como o ar que respiramos. Não acredite em mim, experimente você mesmo e veja a coisa funcionar.
Nomes de Filmes
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