sexta-feira, 19 de julho de 2024

- O ANO MÁGICO DA MÚSICA

Durante o programa TAR DE ROCK nº 002, a playlist foi essa: (artista/banda – álbum – música):

Don McLean – American Pie – American PieThe Rolling Stones – Sticky Fingers – Dead FlowersThe Doors – L.A.Woman – Love Her MadlyThe Who – Who’s Next – Won’t Get Fooled AgainJohn Lennon – Imagine – Give Me Some TruthPaul McCartney – Ram – Smile AwayAlice Cooper – Love It To Death – I’m EighteenDeep Purple – Machine Head – Smoke On The Water(*) / Humble Pie – Performance Rockin’ The Fillmore – Stone Cold FeverGrand Funk Railroad – Survival – Feelin’ AllrightMC5 – High Time – Sister AnneTen Years After – A Space In Time – One Of These DaysDavid Bowie – Hunky Dory – Song For Bob DylanGenesis – Nursery Cryme – Harold The BarrelBlack Sabbath – Master Of Reality – Into The VoidThin Lizzy – Thin Lizzy – Look What The Wind Blew InRory Gallagher – Rory Gallagher – Wave Myself GoodbyeMódulo 1000 – Não Fale Com As Paredes – Salve-se Quem PuderOs Mutantes – Jardim Elétrico – Top TopLed Zeppelin – Four Simbols – Rock And Roll.

(*) A música é de 1971, mas o álbum só saiu em 1972. Como fez parte do Momento História, achei que poderia "burlar" a regra


Outros álbuns em 1971, de artistas citados no programa: (álbum – artista)

Wild Life – Wings / Madman Across The Water – Elton John / Teaser And The Firecat – Cat Stevens / Pearl – Janis Joplin / What’s Going On – Marvin Gaye / The Concert For Bangladesh – George Harrison / Blue – Joni Mitchell / Fireball – Deep Purple/ At Fillmore East – Allman Brothers / Meddle – Pink Floyd / Fragile – Yes / Killer – Alice Cooper / America – America / Straight Up – Badfinger / Trafalgar – Bee Gees / Just As I Am – Bill Winters  / Black Oak Arkansas – Black Oak Arkansas / Tapestry – Carole King / Chicago III – Chicago / Roots – Curtis Mayfield / If I Could Only Remember My Name – David Crosby / Tarkus – Emerson, Lake & Palmer / A Nod Is As Good As A Wink... To A Blind Horse – Faces / Future Games – Fleetwood Mac / Maggot Brain – Funkadelic / Mwandishi – Herbie Hancock / Mud Slide Slim and the Blue Horizon – James Taylor / Rough And Ready – Jeff Beck Group / Aqualung – Jethro Tull / Songs Of Love And Hate – Leonard Cohen / Jack Johnson – Miles Davis / Every Picture Tells A Story – Rod Stewart / Deuce – Rory Gallagher / Santana III – Santana / There’s A Riot Goin’ On – Sly & The Family Stone / Eletric Warrior – T.Rex / Other Voices – The Doors / Muswell Hillbillies – The Kinks / ZZ Top’s First Album – ZZ Top / Humble Pie – Rock On / E Pribulus Funk – Grand Funk Railroad / The Low Spark Of High Heeled Boys – Traffic / Live At Berkeley – Stephen Stills / Songs For Beginners – Graham Nash / Live At The Apollo Vol.III – James Brown / The Cry Of Love – Jimmy Hendrix / Play It Loud – Slade / The Return of the Magnificent Seven – The Supremes / Sky’s The Limit – The Temptations / Acquiring The Taste – Gentle Giant


sábado, 13 de julho de 2024

ONDE VOCÊ PÕE SEUS OLHOS - INFLUENCERS SEM 2º GRAU


Música: SANIDADE

Boa tarde, ouvintes da ZYM-818 Itamaracá FM em 104,9 MHz para Ipaussu e toda a região. Está começando o programa TAR DE ROCK, colaborando com o movimento BLOCKOUT para conteúdos mais relevantes que as dancinhas do TIK-TOK. Vamos parar de seguir gente que só quer o seu like, comprendes Cumpadre?

Duas horas com Rock’n’Roll, Cultura e variedades. Informação e história dos grandes nomes da música e do imortal ROCK’N’ROLL. Desmistifiquemos esse conceito de música do diabo. Afinal de contas, como diria um grande amigo de Sampa: O rock’n’roll é LINDO! Vamos com no BG com a trilha sonora da série de TV “True Blood”. Jace Everett e o tema de abertura: I WANNA DO BAD THINGS WITH YOU.

A música do Raimundos que rolou na abertura, “SANIDADE” diz que:
“o que pode parecer bom para você, não parece bom para mim”. Isso vem ao encontro do tema de hoje. Gravada no álbum “Éramos Quatro”, a canção é dos anos 80, escrita e composta bem antes dos Titãs descobrirem os caras. Mas, vamos devagar-correndo. Até as 16 horas aqui. Os jovens de hoje se protegem atrás de uma comodidade generalizada. O Mundo Moderno tem muito isso. Os caras “Ligam o Foda-se” e tá tudo muito bom, tudo muito bem. Mas não está, não é mesmo? A Epidemia de Vaidade contagiou todo mundo. Você só “sobrevive” como parte integrante da sociedade se tiver muitos likes na sua time-line. Estamos todos alienados e somos conduzidos a isso sem sentir. Próxima música nessa tarde vem do álbum “Physical Graffitti” de 1975 e a letra fala sobre sedução, ciclos da vida e sobre crescer. Fala que você se deixa levar pela paixão e suas emoções horas são boas, hora ruins. Isso nos engana e o mundo fácil, faz nossa nau seguir sem rumo. Led Zeppelin para vocês.

Música: THE WANTON SONG

Aos ouvidos atentos, Robert Plant anuncia que a roda da vida continua a girar. “And the weels rolls on”, diz ele. A roda gira, o mundo muda e você precisa acompanhar, Cumpadre! A roda é o Ka e o Ka é a roda! Já dizia Stephen King. Dica Literária: enfrente a aventura de ler os sete volumes e as quase 3900 páginas da saga “A TORRE NEGRA”. Um multiverso espetacular, muito diferente desse seu mundinho restrito à tela do seu celular. Cultura Pop, imagens surreais. Se sua imaginação puder acompanhar, claro. Assim são os livros: começam na mente do escritor e terminam na mente do leitor. Livros, compadres! Ninguém será melhor do que você, se você ler muito, pode ter certeza. A próxima de hoje, fala a respeito de cercar-se em um mundo particular, atrás de seus muros. Você relega sua imaginação a um canto escuro e frio e deixa que os INFLUENCERS SEM 2º GRAU pensem o mundo por você. E eles só querem seus likes.

Do álbum “Talk”, de 1994, Yes no TAR DE ROCK

Música: WALLS

Como curiosidade complementar, quando o contador da música marca 3,09 minutos, Mister Jon Anderson emite um agudo com incríveis 19 segundos de duração. Eis o 19! Não é a camisa do Breno Lopes. O famoso 19 é o número que permeia toda a epopeia de Stephen King. “I want to find another way to live”, cantam Trevor Rabin e Jon Anderson. Quero encontrar outro modo de viver. Se você fica estagnado, vivendo sob a influência dos espertinhos, você vegeta, fica cego na dança da vida. Você dança no escuro. Bruce Springsteen canta isso, lembra? Ele, sim, é um ótimo influenciador. Muito mais inteligente e comprometido com causas humanitárias das mais diversas. E sem fazer propaganda disso. Outra música que fala sobre a necessidade de mudança, de alterar a rota da sua vida. The Boss, canta que “você não pode começar uma fogueira sem a primeira faísca”, ou seja, a mudança tem de vir de você. Venha para a Luz. O Rock’n’roll pode ser uma luz, por que não?

Música: DANCING IN THE DARK

Você pode acompanhar todas as letras das músicas e o que procuro encaixar no sentido desse texto, na internet. “Dancing in the Dark” é de 1984 e está no álbum “Born in the USA”. Continuando com o pretenso “Concertos para a Juventude”, conserto com “S”, vamos mexer com os seus brios e o seu intelecto para alertar sobre a necessidade de mudança de atitude, que só se processará se você tomar a frente da sua nau, do seu próprio barco. Porque você não percebe, mas os influenciadores só se interessam pelo seu like. Se você interagir ou não, pouco interessa. Experimente pedir um conselho para quem tem menos estudo do que você. É algo como encontrar uma agulha em um palheiro. Poucos irão lhe proporcionar orientação. De 1986, o primeiro lugar do ranking de discos de Heavy Metal elaborado pela METAL HAMMER, Metallica no TAR DE ROCK!

Música: MASTER OF PUPPETS

Pois é Cumpadres! Pulling your strings, twisting your mind and smashing your Dreams, ou seja, puxo suas cordinhas, confundo sua mente e despedaço seus sonhos. É isso o que os influencers fazem contigo. A ideia de modo geral é contar absolutamente o necessário para garantir sua lealdade cega. Moldam sua opinião. E brilham com seus milhares de likes. Consórcio de imprensa, lembram? Só valia o que eles divulgavam. Canais oficiais de informação. Se você não se acultura e busca o mais difícil, fica refém. O lobo sempre será mal, se você ouvir só a versão da Chapeuzinho Vermelho.

O autor desse texto também está precisando de seus likes, claro, mas convenhamos: há uma troca de conhecimento através da música. As ondas do rádio eram o modo de transmissão do conhecimento de antigamente, não é? Procurando oferecer algo em troca, quase de graça.

Música: THE SPIRIT OF RADIO

A intenção é disseminar o conhecimento e mostrar a você que é possível viver a sua vida sozinho, sem se apegar a influências que podem não ter nada a ver com você. O Rush gravou o álbum “Permanent Waves” em 1979 e incluiu essa música onde canta que “ouvir o rádio era a resposta emocional num complemento de onda eterno, trazendo um presente sem preço”, que era o entreter-se o aculturar-se. Como citei antes, é preciso que você tome o controle desse barco. Porque, se você dá ouvido aos tolos...

Música: THE MOB RULES

A Máfia, não é aquela de “O Poderoso Chefão”. A Máfia de hoje em dia é a formada pelos veículos de comunicação que escolhem o que você tem de vestir, comer e ouvir. É mais ou menos como fazem os senhores da guerra, que torcem por você, mas... não são eles que vão morrer no fim.

Música: THE DOGS OF WAR

“For hard cash we lie and decive”. Em outras palavras, por dinheiro vivo, nós mentiremos e enganaremos você. E é isso, você pode encontrar também muito dessa “guerra” de lutar contra o sistema e entender que o sistema é nocivo a você na série de TV “Sons of Anarchy”, entretenimento de primeira para a mente, nos pensamentos do protagonista.

Música: THIS LIFE

Música: BAD COMPANY

“O rei está morto, mas a vida continua e você não deve perder a cabeça quando o negócio der errado”, canta Curtis Stigers e “nascemos com uma arma nas mãos e por trás dela, é que teremos de decidir nossa vida”, canta Ivan Moody. E qual seria essa arma? Seu cérebro, caríssima/caríssimo. Sua imaginação!

Música: HAMMER TO FALL

“You don’t waste no time at all” canta Fredy Mercury. Você não pode perder SEU tempo de todo. O relógio do final do mundo está correndo e você não pode se deixar levar. Isso não é um texto para te pressionar. Mas é! Quando é que você vai virar o seu disco?

Músicas adicionais da playlist: 

TWO MINUTES TO MIDNIGHT 

ROCK’N’ROLL AIN’T NOISE POLLUTION 

BEST OF BOTH WORLDS 

LET IT BLEED 

BEIJOS DE CORPO 

NIGHTRAIN 

EM RESPEITO AO VÍCIO

https://open.spotify.com/playlist/3w4Kfn4vy9CviQEUmmdgYe?si=b6cb3d4fd38d4f7a


sexta-feira, 28 de junho de 2024

SINCE BLACK DOG

 

Eu tinha oito para nove anos, quando vi um cara cantando em inglês na TV preto e branco de casa, espremendo um tubo gigante de pasta de dente com as pernas. O sujeito tinha pintura nos olhos. Grandes borrões de tinta preta que quase os escondiam, como os buracos dos olhos em um crânio. Depois, em outra música, o mesmo cara aparecia com uma enorme cobra ao redor do pescoço. Isso foi em 1974 e foi a primeira vez que notas distorcidas emitidas pelas cordas de uma guitarra elétrica fizeram sentido para meus neurônios.

Comecei a prestar atenção nas músicas da TV, nas preferências das minhas irmãs e nas que ouvia por acaso na rua. Sempre que aparecia uma guitarra, minha atenção redobrava. Então, certo dia, ouvi no carro de um amigo do meu irmão, a guitarra de Jimmy Page. A canção era “Black Dog” e ele baixou o som do toca-fitas para perguntar:
— Cadê seu irmão? — Saiu com aquela morena que estava conversando com vocês.
Ele balançou a cabeça em negativa e sorriu.
— Tá fazendo nada? — Tô não. — Sobe aí. Vamos dar uma volta. — Que música é essa? — Isso é rock. Rock’n’roll!
E a partir daquela noite, rodando pelas ruas da cidade deserta, que ouvi Led Zeppelin pela primeira vez. Não sabia o nome da música e só guardei o “tanananã-nanã-nam” para contar a um amigo meu que deveria saber do que eu falava. E sim, ele sabia. A coleção de discos do irmão dele era imensa. É ainda, a maior em que já pus os olhos. Vinil e CD.
— Se você gostou da segunda do lado A, vai ficar doido com a quarta música.
Falava de “Stairway to Heaven”. Mas o engraçado da coisa toda, era nosso nível de inglês sofrível. Enquanto “cachorro preto” tinha algo a ver com o diabo, por conta do terror “perdurante” de ter visto “O Exorcista” no cinema, duas vezes; “escadaria para o céu” era a remissão. Depois vieram outras tolices juvenis, claro. “Smoke on the Water” falava sobre fumar maconha na banheira. Daí para pior.
Em 1983 fui ao show do KISS no Morumbi. Ituzaingó, inesquecível busão da madrugada paulistana que nos salvou e levou até uma distância percorrível a pé até em casa, ao Tatuapé. Não minha, pois ainda não tinha me transformado em paulistano. Mas com os caras da Rua São Bernardo, conheci Iron Maiden e AC/DC. Meu irmão gostava de Queen e pediu que eu gravasse fitas K7 para ele.

Era engenhoso alocar as músicas para “caber”. Outros shows vieram, comecei a comprar discos, aprender um pouco mais de inglês, ler mais a respeito de tudo o que me interessava. Agora, estou prestes a começar um programa na rádio da cidade, falando do que ouvi e li a respeito do rock'n'roll nesse tempo todo.

quarta-feira, 19 de junho de 2024

UM CERTO "PROJETO DE OBJETIVOS"

Estúdio Móvel dos Rolling Stones -
Credito: Cantos Music Foundation

De setembro de 1970 a julho de 1971, a banda se enfiou em um estúdio para gravar e desenvolver um álbum que acabou rendendo apenas um grande sucesso. Os fãs, vão dizer “não é bem assim”, mas há discos que não emplacam. Então, vendo sua criação “não dar liga” e assoberbados com as turnês, decretou-se que era necessária uma parada. Um local tranquilo, onde pudessem conviver e desenvolver um trabalho mais estruturado e que representasse bem a proposta de rock que todos os cinco caras queriam fazer.

Conversa vem, conversa vai, foram parar na Suíça, para descansar e pensar uma grande obra de arte — afinal, é uma obra de arte, caramba — que recolocasse a banda nos trilhos do estrondoso sucesso do disco de 1970. Mas, sabe aquelas coisas que tem tudo para dar errado? Pois é. Era provável que desenvolvessem todo o material por lá e tivessem de se internar outra vez em um estúdio da Inglaterra ou da Califórnia para gravar.

— Não! — lembrou alguém — Tem aquele baita estúdio móvel por lá.

Menos mal. Então, descobriram que haveria alguém tocando no grande teatro, com acústica fenomenal, que pretendiam utilizar nas gravações. Teriam de esperar. Melhor. Descansa-se um pouco. E lá foram eles: Ian, Jon, Ritchie, Roger e o outro Ian: o Deep Purple.

Esse foi o roteiro para a gravação do álbum “Machine Head”, no estúdio móvel dos Rolling Stones, num andar de um hotel de Montreaux. Mais coisas deram errado? Muitas mais: quem estava tocando no Cassino-Barcaça era Frank Zappa e The Mothers of Invention. A certa altura do show, alguém encontrou uma pistola sinalizadora e disparou o artefato no teatro, provocando um incêndio. Improvisaram um estúdio num andar do hotel e esticaram os cabos do estúdio móvel para gravar o melhor álbum (a maioria dos fãs considera isso e eu também) da carreira deles.

A história é contada em detalhes naquela que é a música mais conhecida deles e que eu — quando adolescente e um completo idiota no inglês — acreditava piamente numa letra tratando de drogas. Alguns integrantes da banda ainda questionaram isso:
— “Smoke on the water”? Cara, nossa praia é cachaça. Não vai parecer apologia?
— Bom. A letra está falando do incêndio. Vão ter que ouvir, não é?

Essas e outras grandes histórias do rock serão contadas em pílulas semanais no programa “TAR DE ROCK”, pela Itamaracá FM de Ipaussu-SP e ao vivo no meu perfil do Facebook, a partir do sábado 13/07 - Dia Mundial do Rock, das 14 às 16h. A ideia é abrir um canal para a divulgação dos eventos culturais na região, conselhos, dicas de livros, filmes e séries para TV, e rock’n’roll da melhor qualidade.

sábado, 15 de junho de 2024

A APOSTA DE SCHOPENHAUER

Mr. Arthur fazia seu jantar em um mesmo restaurante em Herzberg am Harz e tinha a peculiar mania de depositar uma moeda de ouro sobre a mesa, ao chegar. Quando terminava, recolhia a moeda.

O garçom que o servia, certa vez perguntou sobre aquele comportamento. E o filósofo lhe respondeu ter esperança de, um dia, doar a moeda para a caridade. Bastava que os oficiais que compartilhavam o salão do restaurante com ele, mudassem de assunto, parando de falar de cavalos, mulheres e cachorros. APENAS.

O papo mudou, mas a mesmice continua. As pessoas hoje permanecem conversando sobre um cotidiano que a TV e as mídias sociais vomitam nos seus ouvidos. Não há cultura e discernimento suficientes para contestar opiniões, numa argumentação saudável.

A polarização é escrachada em qualquer lugar aonde se vá. Permeia a política, pois o discurso de dois idiotas conquistou o país todo. Dividimo-nos em esquerda e direita (ou vice-versa para não desagradar ninguém), por imposição de outros. Compramos a opinião embalada em invólucros antiecológicos, melecados de um grude abjeto. E compartilhamos a mesma coisa, por conta dos rótulos do “ser IN”, descolados, propagados pelos influencers tão idiotas quanto seu público fiel.

Esse parágrafo é simplesmente para testar os amigos que dizem ler meus textos e prestar atenção no que digo. Se você leu até aqui, mande um VTNC no meu WhatsApp (se tiver meu telefone) ou então deixe uma curtida na postagem do Instagram sobre essa crônica.

A tarefa é hercúlea, pois as pessoas não se importam com o conteúdo que consomem. Com o passar do tempo, se o assunto não estiver “na tela”, perde-se para os neurônios. Transferimos para os celulares a nossa fonte de atenção. É de lá que vem o foco, via bluetooth, acionando as sinapses necessárias para nossas reações ao que acontece no mundo.

Lembro-me que, em meus anos de Sampa, aleguei certa vez ao meu grande amigo e parceiro no escritório que não gostava de ir até o bar com o pessoal, para o happy hour, pois em cinco minutos, todos estavam “picando cartão”, ou seja, falando de serviço. Há um ligeiro desconto, ao se pensar que a construtora fazia parte das 24 horas do nosso dia, mas ainda assim, havia um comportamento autômato e estressante.

A aposta continuará valendo. Temos esperanças sinceras, de que por pouco tempo. Mas melhor esperança que expectativa, não é? Tenho esperança de você ter lido até aqui e se lembrado de enviar a mensagem, conforme o combinado. E antes que eu me esqueça, vá você também!

sexta-feira, 14 de junho de 2024

COISAS ESTRANHAS ACONTECEM TODO DIA

A Igreja sempre "demonizou" o Rock'n'Roll, mas o termo "rocking" surgiu entre os cantores gospel do início do século XX, para designar as pessoas que, através das canções de louvor, alcançavam o êxtase. O "sorrisão" da foto é de Rosetta Atkins Tharpe Morrison, a precursora e verdadeira Mãe do Rock'n'Roll (ainda bem que houve uma MÃE no começo de tudo. Um PAI costuma dar m$%&a, não sei por que)

Conhecida pelo seu nome "artístico", Sister Rosetta Tharpe tinha facilidade com o violão elétrico, o piano e uma ótima voz, ao interpretar os hinos nas igrejas de Chicago. Quem criou o termo "Rock'n'Roll", foi um jornalista dessa cidade, ao descrever as gravações dos hinos na voz de Rosetta. A música que dá título a essa "coluna" (Strange Things Happening Every Day), foi a primeira música gospel a atingir o Top 10 da Billboard.

Portanto, não foi Marty McFly quem criou o som que Chuck Berry pensava em fazer.

Em 1940, sua fama a levou a fazer turnês pelos USA, com "The Jordanaires". Ela quebrava paradigmas MESMO: banda com uma cantora negra com 4 acompanhantes brancos? Relacionamento afetivo (não confirmado) com Marie Knight, que a acompanhava no piano (em outra fase da carreira)?

Mas nem só de hinos gospel cantados por poderosas e empoderadas mulheres se criou o Rock'n'Roll. A revolta expressa nas letras dos Blues foi incorporada no "caldeirão" e a receita foi disseminada por um bonitão, bom moço, e rebolante, Mr. Elvis (branco) Presley.

Um pouco mais tarde, em Birmingham, um certo guitarrista chamado Antony perdeu a ponta dos dedos em uma prensa e resolveu adaptar cordas e trastes para poder “sentir” seu instrumento, mesmo com próteses na ponta dos dedos. O som ficava “distorcido e pesado”, pois era o único modo de tocar: cordas leves (de banjo) e trastes baixos. Nascia o “peso” do Rock’n’Roll com Mr. (Sir?) Tony Iommi.

O resto é história!

Dia 13 de JULHO - DIA MUNDIAL DO ROCK'N"ROLL

Suas tardes, caro Ipauçuense, nunca mais serão as mesmas. 

quinta-feira, 13 de junho de 2024

RITA HAYWORTH E A TABERNA

Sinceramente não entendo o porquê dos distribuidores de cinema no Brasil escolherem nomes para o cinema de Hollywood, Bollywood ou qualquer outro centro produtor de películas da sétima arte. Deveriam se limitar a filmes brasileiros e deixar os estrangeiros com os nomes de lá mesmo. Recentemente, assisti “Road House”. Recebeu o nome de “Matador de Aluguel”. Nas legendas, “road house” foi traduzido como “taberna”. Imagine você olhar para um cartaz com um cara musculoso sobre uma luminosidade azul neon de um filme que se chama “Taberna”. Não “A Taberna”. Ok. É apenas um exemplo.

Seria interessante também você olhar um cartaz com Morgan Freeman e Tim Robbins onde se lê “Rita Hayworth e a Redenção”. A novela de Stephen King tem exatamente esse nome: “Rita Hayworth and Shawshank Redemption”. O livro “Different Seasons” ou “Quatro Estações”, de 1982, reúne quatro estórias sensacionais. Três viraram filmes. Um deles é esse, nomeado por aqui como “Um Sonho de Liberdade”.

Escrevo para contradizer-me — ao menos nesse caso específico — pois é um dos poucos em que acertaram. Shawshank State Prision é uma fictícia prisão da Nova Inglaterra, no Maine. É o “ambiente” de várias estórias do mestre Stephen King. Ops! Mestre (com maiúsculas porque os alunos são exigentes). “A Redenção de Shawshank”, tradução ipsis litteris do título original do filme, até que representa muito mais o enredo da novela do que o título adotado aqui no Brasil.

Mas a estratégia do protagonista revela-se uma busca metódica por não apenas fugir da prisão, como deixar um legado, uma lição para os que ainda terão penas a cumprir e, o mais importante, um golpe de mestre. E chega de spoilers. Citar o nome de Rita Hayworth é mero detalhe e, por conta disso (e na minha opinião), é a isca perfeita.

Um fã de Stephen King ao se deparar com o cartaz, entenderia de imediato que o filme era uma adaptação daquela novela que abre o livro “Different Seasons”. E mais ainda, estaria com o ingresso antecipadamente, pois os fã-clubes do autor, divulgariam antes a adaptação cinematográfica da obra. Mas um ignorante do assunto, como reagiria?

Talvez, em um universo paralelo, um ícone como Rita Hayworth pudesse funcionar melhor. Idem para o caso de “Road House”. O enredo todo se desenvolve ao redor da Taberna e há uma fala do protagonista perguntando o “porque” do nome. Mas o “povo que dá nome as coisas” (belo título para um conto infantil de terror) achou por bem evocar o “motivo”, ou seja, um cara que já deu e levou muita porrada, aparece onde não é chamado para ser o herói, distribuindo muita porrada.

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...