quarta-feira, 8 de outubro de 2025

Isso a TV não mostra


Me deparei com uma frase, ainda agora, e veio a mente essa nossa "apropriação por necessidade", tão comum hoje em dia. O "compartilhar" é na verdade uma apropriação. Poucos questionam o destino do fluxo, no entanto. É mais fácil seguir. De repente, um indivíduo tão comum como eu e você, dispara algo como "pisei na dobradinha". Isso é compartilhado pelos amigos, em cortes fora do contexto, vira um meme da turma e então extrapola as barreiras do sentido, adaptando-se às situações. As pessoas se apropriam de algo sem a menor preocupação com a origem e o que realmente se quis referenciar.

Aqui na cidade, por exemplo. Um amigo transformou uma saudação em algo pessoal que acabou se espalhando. "Bom dia, tudo bem?" diz alguém. Aí que ele sempre respondia "Bom cê", uma abreviação de "Bom dia, tudo, e você?" Isso se espalhou pela cidade e você escuta da boca das pessoas mais diversas, alguns que nem conhecem o autor. Claro, a cidade é pequena e a maioria deve conhecê-lo. Porém, nas viagens loucas da minha mente, fico pensando em crianças ouvindo e aprendendo esses memes linguísticos, sendo condicionados a seguir o fluxo sem questionar, sem descobrir antes o destino desse "bonde". E os comportamentos se repetem para a vida.

Repostei (apropriei-me) um vídeo do músico Lobão, que cita que a ofensa é muito mais culpa do ofendido do que do ofensor. Você não está plenamente resolvido com essa questão e por isso se ofende quando ela é imposta. Eu me ofendo constantemente com o uso da língua de modo "desleixado". Principalmente porque o sentido é jogado para escanteio: a pessoa que lhe saúda não quer saber da sua vida de verdade e se você está mesmo bem. É apenas educação. E você passaria por chato, se explicar como se sente. Antes que alguém se sinta ofendido, eu conheço o autor desde a adolescência e sei de suas intenções e a bondade de seu coração. Sua "criação" é antes de mais nada, uma marca. Um registro na história da cidade que poucos conseguirão repetir. Em se falando do português, da nossa língua, é reprovável.

No entanto, há alguns que realmente se importam com as pessoas e usam esse meme com bondade no coração. Inclusive o autor.

terça-feira, 7 de outubro de 2025

A Marca da Civilização

A primeira vez que fui apresentado a uma distopia, foi em uma série de TV acho, que passava após a Sessão da Tarde, na Globo. Apresentava-se um mundo onde os crimes eram punidos com uma marca na testa e os indivíduos marcados eram proibidos de interagir na sociedade. E quem não era marcado, deveria ignorá-los.  Tratava-se de episódios, tal e qual "Black Mirror", dissociados. Esse em especial, ficou na minha memória pela quantidade de pontas soltas. Não se explicava como o marcado sobreviveria sem interagir para comer, por exemplo. Se teria casa, emprego, dinheiro para o básico. De certo modo, essa percepção norteia meus escritos.

Esse filme veio a mente por conta de mais um episódio de bullying, destacado na imprensa. Meus pais tinham uma receita ótima para o "contra-ataque": assumir. Se você se irrita por ser "qualificado como estranho", o resultado é ser atormentado por essa qualificação. O grande entrave aqui, na minha opinião, é a falta de educação. 

O crescimento da população mundial, se deveu em boa parte à liberdade dos anos 60. A juventude ao se impor, promulgando uma nova forma de se relacionar, gerou descendentes mais cedo e não houve tempo para algumas famílias, estabelecerem uma nova forma de preparar esses novos seres humanos para a vida. Há inúmeras exceções, claro. Porém a "bola de neve" só cresceu. Mães e Pais adolescentes relaxaram na educação por absoluta inépcia. Isso criou uma civilização de pessoas psicologicamente suscetíveis a irritabilidade. Claro que há abusos, até criminosos inclusive. Porém, o "aceitar" devolve um desprezo contundente. Eu sofri bullying de meu irmão. Ele fez um comentário e um apelido pegou. O maior culpado pelo achincalhamento que sofri até que isso fosse esquecido, era eu. Por me enervar a cada situação. Quando passei a assumir que não era mesmo um rapaz bonito e até merecia o apelido de "feinho", tudo se transformou. Até namorada eu arranjei!

Há hoje em dia, excessos de parte a parte, tanto dos ofendedores quanto dos ofendidos. No entanto, é inegável que nossa sociedade precisa de mudanças profundas para corrigir o curso. Hoje, temos uma geração sensível e psicologicamente fraca para utilizar o desprezo com eficiência. E há, claramente, a outra parte, extremamente suscetível ao "ânimo de tribo", que incita o indivíduo à crueldade, para justificar seu pertencimento. Nos enfiamos nesse angú de caroço por culpa de nossa inabilidade em gerar seres humanos melhores do que nós.

Porém, toda essa reflexão é para ser lida e desprezada. Sigamos o flow, se é assim que funciona agora. E para não deixar pontas soltas, o que resolveu a situação dos marcados na tal série, foi o amor e a bondade. Para variar.

segunda-feira, 6 de outubro de 2025

Memento Mori

Há uma história que se conta sobre a Casa Paroquial que me trouxe argumentos para a reflexão que horas apresento. O Cônego Nazareno, que hoje é homenageado com uma estátua defronte a Igreja Matriz e dá nome a um bairro na cidade, tinha tamanha bondade dentro de si, que a árvore que decorava o jardim de sua casa "sentiu" sua partida e foi secando aos poucos até também partir. É inegável que existe sim uma relação entre seres humanos e vegetais cultivados com carinho e atenção. Não só os comestíveis, mas qualquer das "plantinhas do jardim". Conheci muita gente que fala com suas plantas como se falasse com animais de estimação. Porém, essa é uma relação limitada a um microcosmo, no meu entendimento. A árvore da Casa Paroquial secou por conta de sua relação com o Cônego e ponto. Alguma das plantas da minha mãe murcharam e pereceram por falta de cuidado e atenção.

Não posso, no entanto, crer que a árvore do outro lado da rua, por trás dos muros da Fundação de Amparo ao Menor de Ipaussu - FAMI, sinta minha diligência em manter-me vigilante pelo BEM.

As palavras escritas até aqui, se prestam de introdução para a real reflexão: o mundo, a MÃE NATUREZA, não está realmente preocupada com "o" ser humano. Devemos por de lado essa ideia de sermos especiais. As catástrofes naturais são a prova disso. É impossível impedi-las de ocorrer. Pode-se prevenir e só. Baratas são tão importantes para um deslizamento de falha geológica quanto nós. Alguns conseguem sobreviver a terremotos.

E porque pensei sobre isso nessa manhã de segunda-feira? Por conta de uma frase desses inúmeros filósofos do Instagram: "se hoje fosse seu último dia de vida, e você soubesse disso, o que realmente mereceria sua atenção?"

É difícil mensurar o combo de emoções e raciocínios envolvidos no "memento mori". Você pode estar extremamente saudável e feliz e de repente, algo inusitado acontece e adeus. A despreocupação é sua única arma. Pode não ser uma grande história, como a do Cônego Nazareno, contada agora por quem pouco o conheceu. Ainda assim, é algo que fica marcado na memória de alguns. Você pode não ter histórias desse porte para marcar sua passagem, mas alguns amigos e familiares irão repercutir essa sua existência, por mais insignificante que ela possa ter sido.

É um assunto de muitas linhas, sem dúvidas. Vamos continuar escrevendo, enquanto houver percepção de que não será hoje. Tomara!

domingo, 5 de outubro de 2025

Triste eu? Ó dúvida...


O algoritmo segue nossas escolhas e traz, às vezes, questões interessantíssi-mas. Cássio Zanata é cronista do jornal "A Tribuna", entre outros periódicos e revistas. No Instagram o vemos em @cassio_zanata. Está publicando seu 4⁰ livro e o algoritmo me trouxe uma crônica denominada "O Triste", onde questiona se todo otimista é na verdade um triste. Logo compreende que pessoas assim teem na verdade a habilidade de se utilizar dessa tristeza como motor da imaginação. É interessante pois nunca percebi isso. Sempre entendi que sou extrovertido demais e, às vezes, até incompreendido. Por isso "busco a tristeza" (segundo consta ao colega de escrita), para criar uma maneira de agradar aqueles que pretendo atingir com meus contos e crônicas e atitudes e gentilezas. Zanata cita que "é um exorcismo" transformar a tristeza em criação.

Nunca me compreendi assim, mas revendo esses 60 anos sob essa ótica, percebo que sim, há um fundo de verdade. E disso, para quem leu-me até aqui, surge a "cereja do bolo" dessa reflexão matinal: como pode ser proveitoso ver-se por outro ponto de vista, não? Desarmar-se e aceitar um argumento que reconfigura suas verdades. Talvez ele esteja errado, claro. Mas não é a dúvida que move o mundo? Com a dúvida, você se mexe, se reprograma, dá seu jeito. A dúvida no amanhã é o seu motor no hoje.

Ainda reluto em aceitar essa história de "tristeza". Sou muito tonto para isso, 🤣 😛 

Porém, começar o dia escrevendo, alimentando as caraminholas e refletindo sobre si, pode ser sim, considerado um "exorcismo". Um reencontro do verdadeiro que há sob a imagem que está no espelho. E hoje foi especial. Afinal, não é todo dia que escrevo sem medo de soar prepotente (pavor, na verdade), que chamo um grande cronista de "colega de escrita".

sábado, 4 de outubro de 2025

Obrigado? Sim, e grato também

Obrigado. Esta palavra é um ato de compromisso e não de agradecimento. Quando alguém lhe faz um favor, diga "grato" ou "muito grato". Responda com "obrigado" se você realmente quer se comprometer.


ORAÇÃO DAS MANHÃS

Eu me sinto obrigado a acreditar nos meus sonhos 

Eu me sinto obrigado a ser feliz para sempre

Eu me sinto obrigado a ajudar meus semelhantes da melhor maneira possível

Eu me sinto obrigado a crer nas minhas verdades, ainda que não sejam absolutas e as mantenha sempre abertas para argumentações e até para refutá-las

Eu me sinto obrigado a lutar pelo bem, a fazer sempre o bem, a ensinar o bem

Eu me sinto obrigado a compartilhar o conhecimento

Eu me sinto obrigado a agradecer e retribuir com a gentileza, o sorriso e a solidariedade a todos

Eu digo "obrigado" pelo que fui, pelo que sou e prometo me esforçar para me comprometer e agradecer também no futuro.

sexta-feira, 3 de outubro de 2025

The Answer is blowing in the Wind


"E se o professor que você mais rejeita, for o único capaz de te libertar? A vida sempre sabe o que está fazendo. Você que não entendeu a lição." São essas as palavras do perfil @sobrebudismo que eu sigo no Instagram, que acabaram por me motivar a escrever na noite do dia 03/10. Fazer um novo texto para o blog no mesmo dia, na mesma sexta-feira, seria fugir da minha proposta inicial do blog. Mas não me custa refletir sobre algo que mexeu comigo. Enquanto estou aqui no meu happy hour solitário, fico pensando quais seriam os professores que me afrontam e me ensinam mais do que aqueles que me são dóceis e fraternos. É muito contraditório, mas é excitante também. Afinal, aprendemos com o exemplo e não com a confrontação. E o Budismo prega que "aqueles que põem o dedo na ferida demonstram o quanto ela ainda está aberta", o quanto de você ainda precisa ser curado. Sempre podemos aprender, por mais idiotas que consigamos ser. Apanhando ou seguindo os exemplos que a vida nos enfia goela abaixo, temos de perceber essas lições. No vento, talvez. "The answer my friend, is blowing in the Wind".

Mas a perspectiva de saber que você aprende melhor quando lhe chamam à ação, é interessante. Lhe confrontam, lhe contradizem. Tive exemplos, se for para puxar pela memória. São quase 60 anos, poxa! Já vi de tudo um pouco. O ruim de refletir sobre essas coisas importantes na vida, no "conduzir" da vida, no "sobreviver", é perceber que isso pode muito bem não ser lido por ninguém.



Reflexão de 03/10/2025, Sexta-feira - Vamos repetir o BEM


Por que há pessoas que só veem o "ganhar a vida" através do "prejudicar os outros"? Só há sentido, para alguns, se houver vantagem, se for possível ser mais esperto e sair na frente? O ser humano é naturalmente ruim? Todo o trabalho de remissão dos pecados foi perdido?

Minha irmã quase foi envolvida em um golpe desses que se pratica via internet com frequência até exagerada, hoje em dia. Quase levou prejuízo. Alguém se passando por mim, lhe pediu uma soma considerável de dinheiro. Porém, deu errado. O que me assombra é a capacidade de gerar uma estratégia fraudulenta de tal maneira, que obtenha sucesso em alguns casos. Se há inteligência bastante para isso, por que não usá-la para o BEM?

É certo que nessa civilização que criamos, fica difícil decidir entre o prato de comida e a conta da energia elétrica. É certo que a carga tributária embutida em cada uma de nossas necessidades básicas é um abuso. No entanto, nada impede os indivíduos de se dar BEM fazendo o BEM também. Há algo animal ainda entranhado em nossas vísceras que nos conduz ao mal. Até por brincadeira, via cotidiano.

A nossa grande missão é permanecer lutando contra essa "falta de prumo", tão natural ao ser humano. Talvez a raiz seja instintiva, afinal, enquanto bando de primatas, a competição por alimento e por posição confortável na hierarquia do grupo, é natural, inerente. Daí herdamos essa competitividade.

A solução, na minha opinião, é usar outra "aptidão" natural ao Homo sapiens: a capacidade de repetir modelos. Aprendemos a comer a polpa branca do coco, após descobrir como quebrar a casca. Com a estratégia definida, passamos a repetí-la sempre que os cocos apareciam. Repitamos, então, o BEM. Incessantemente, vezes e vezes. Sejamos tão canalhas como aqueles que fazem mal, como disse Rubem Braga. Infernizemos a vida de quem deseja sempre "se dar bem" a custa do sofrimento do outro, até que seus comportamentos sejam tão explícitos e vulneráveis, que seja fácil evitar e descartar. Quando ficam sujeitos a críticas, eles nos poupam de suas artimanhas. E como disse Tolstoi: "O mal não pode eliminar o mal. Apenas o BEM é capaz disso."

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...