segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Reflexão do dia: 30/08/2025 - Sábado


"The truth is, everyone is going to hurt you. You just got to find the ones worth suffering for." A frase é de Bob Marley e quer dizer: "A verdade é que todo mundo vai te machucar. Você só precisa encontrar aqueles pelos quais vale a pena sofrer." Nos remete a uma reflexão sobre se é realmente isso: encontrar aqueles pelos quais vale a pena sofrer. É que me peguei pensando: não procuramos isso? Você não usa e descarta as pessoas como uma muda de roupa que não serve mais. Se você age assim, é uma canalhice sem tamanho. E nesse pensamento, liguei a frase de Saint-Exupéry em "Pequeno Príncipe": "Tu te tornas eternamente responsável por aquilo que cativas." E depois ainda, com Richard Bach em seu "Ilusões": "Você procura problemas porque tem algo a ganhar com eles."

A vida é para o Homo sapiens, uma sucessão de problemas criados e resolvidos onde, imitando nossos neurônios, geramos ligação com nossos semelhantes. E a lição mais importante é antagônica à frase de Bob Marley, pois não se trata de sofrer e sim de viver. Isso é viver! Você só procura a solidão se precisar e entender que precisa se corrigir, para voltar a buscar as conexões, a amizade e o amor. E problemas. E cativar e se responsabilizar pelos outros. E por fim, ao pensar nos outros, caio naquela reflexão sobre entender que tudo na sua vida, vem dos outros. Voluntária ou involuntariamente, suas conexões existem. Vestem você, te alimentam, te ensinam, te pagam, te enterrarão. Mesmo você buscando selecionar (sem sucesso, viu? Pode esquecer) aqueles por quem vale a pena sofrer.

segunda-feira, 18 de novembro de 2024

Hein, Paulo Miklos?

 Não sei quanto tempo faz que não posto nada por aqui, mas resolvi trazer reflexões, já que meus leitores são quase nulos e, portanto, talvez esse espaço sirva apenas para meu autoconhecimento. Hoje, uma dúvida ou conclusão, ou constatação me atingiu os miolos: minha necessidade mais urgente é de encontrar um ponto de apoio. Não físico, mas espiritual. Não mental, pois creio piamente que tenho um discernimento tão treinado para não esmorecer que qualquer tristeza dura pouco mais de um segundo. Não é uma insensibilidade, porém parece bastante com isso. Saio contrariado de casa pela manhã para o trabalho. Não é uma situação cotidiana: às vezes já saio cantando. Mas há coisas na vida de um casal que acontecem e toda união passa por isso mesmo. Há um acordo até tácito. E resulta em contrariedades por vezes. Mas dura pouco. Alguns passos para dizer a verdade. Em instantes a música invade meus pensamentos e/ou nela eu busco refúgio — quem canta seus males espanta, não é? — e tudo se faz claro, com rapidez.

Então hoje, me veio essa pergunta: será que não preciso mesmo de um apoio espiritual? Creio que, se não aparecer uma pessoa desconhecida de repente, me olhando firme e dizendo que vê minha aura nebulosa e meus caminhos trancados, minha vida transcorre na normalidade. Desse modo, com essa “regra” em mente, não vejo porque arranjar um apoio espiritual. Mas, há dúvida — sempre há. Nunca se está certo. Flávio Cavalcanti mentia quando dizia “absolutamente certo” — brincadeirinha, sô Flávio. Mas verdades absolutas sob a ótica da física de partículas existem para derreter diante de novos cálculos e teorias, é isso que a Science nos mostra em cada um de seus números. Não, nunca li. Só leio coisas a respeito do que lá é publicado. Mas quero traçar um comparativo com as verdades em nossas vidas em relação a sentimentos. Não se ama absolutamente. Não se odeia absolutamente. Não se crê absolutamente, e do mesmo modo, não se é ateu absolutamente. Diante de um animal enfurecido e faminto como um Urso Polar, por exemplo. Pensamos, por cultura: “E agora, meu Deus!”, não é?

Mal não pode fazer. Espera-se que não. Afinal de contas são pessoas de boa índole, preocupadas em amar ao próximo como Jesus nos amou. Mas existem improbabilidades demais e fenômenos demais. Quanta coisa carrega uma sacola monstruosa de dúvidas. Se há tanto poder e onipresença, porque não se pode ir contra o livre arbítrio, por exemplo? Temos essa prerrogativa, certo? Podemos escolher o caminho do bem ou o do mal, ok. Mas, se há poder e onipresença em Deus, por que não infringir esse “campo de força” do livre arbítrio? Dizer a cada ser humano, sem a necessidade de igreja, bíblia, condições especiais: “Cara, confie em Mim! Eu sou o Senhor, teu Deus!” Ah, mas existem os escolhidos, os santos, os pastores, os pobres de espírito, os padres e blá-blá-blá. P#$&a! És poderoso, ou um saco de batatas?

Mas como existem as tais dúvidas, eu fico naquela: será que eu preciso disso? “Será que é disso que eu necessito?” Hein, Paulo Miklos?

segunda-feira, 14 de outubro de 2024

13 de Outubro - 21550 dias de vida - 59 YO

Experimente tornar-se invisível. Não é difícil. Exclua a acessibilidade aos seus dados pessoais e descubra quem realmente se importa em interagir com você. Primeiro, tenha certeza do seguinte: aqueles que se julgam mais próximos e que, por conta desse seu experimento, entendem que você exagera, ficarão ofendidos. Os que, por ocorrência fortuita, interagiram contigo a um dia ou dois, após longa ausência, pedirão desculpas para daqui a uma semana, tornarem a lhe ignorar.

É exagero meu, sem dúvidas. Mas o exagero vem com propósito: demonstrar como estamos nos tornando escravos da tecnologia. Sim, porque se a tecnologia nos orientar, nosso dia transcorre sem incidentes. Imagine — se ainda tiver acesso a sua imaginação — acordar com notificações sobre um dia especial. O dia do santo X, o mesmo da igreja do seu bairro. E, também, o dia em que se comemora um evento de escala global. E ainda, o aniversário dos únicos gêmeos que você mantém uma amizade frequente. Por último, é o dia em que você completa mais um ano sem fumar, ou outro ano de trabalho.

Ser notificado e recorrer à tecnologia para lembrar de tudo isso, é uma comodidade da vida moderna. Mas é também, uma falência. Um pecado mortal — não católico, mas evolutivo — em relação às benesses que esse nosso corpo humano nos proporciona. Não se usa mais o cérebro como se deveria. Recorremos à tecnologia como uma muleta. E quando a energia acaba, nosso cérebro se desliga.

Muito mais do que me queixar por poucos se lembrarem de um alô, no último 13 de outubro, os relatos de quem sofre com o apagão em São Paulo motivam esse texto. Por conta da tempestade e da ineficiência da concessionária de energia, sofre-se quase que mortalmente. Órfãos. Boa parte, desesperadamente perdidos. Esquecidos que, além de redes sociais, o aparelho em suas mãos é também um telefone e pode-se falar através dele, com o outro lado do mundo — se necessário for.
 

sábado, 5 de outubro de 2024

TAR DE ROCK OU MAIS TARDE

Quando tomei coragem e propus um programa de rock’n’roll ao responsável pela rádio comunitária da cidade, não imaginava quantas aventuras me esperavam. Não nego que a proposta era uma e o programa acabou por virar outra coisa, bem diferente. Como no desenvolvimento de um conto, onde se tem uma premissa na cabeça e as primeiras frases saem promissoras em direção ao primeiro esboço. Então, essa selvagem e inconsequente imaginação que temos, acaba por nos desviar e contar outra estória, bem diferente.

Algo como: “e se um bando de socialistas corruptos lançasse um movimento pelas eleições diretas em um país que vivia sob uma ditadura e logo em seguida, se dividisse em múltiplos partidos para enganar o povo e tomar o poder tal e qual uma dinastia, só trocando de fantasias para aparentar a democracia?” Acho que essa premissa já foi usada. Tentarei outro exemplo. Não. Procurem por significados e deixe-me voltar a falar de meu programa de rádio.
É muito legal interagir com a voz e colocar para fora um monte de coisas legais. Pena que são poucos os que realmente prestam atenção às palavras. Querem que seu pedido seja atendido logo. Após ouvir os primeiros acordes de sua música, já se voltam para sua vida nas telas. Durante seis sábados a partir de 13/07, dia em que no Brasil se comemora o “Dia Mundial” do Rock, e outras seis sextas-feiras, estive ali, pilotando a mesa de som e alternando entre os canais 1, 8 e 9, para levar entretenimento a alguns ouvidos.
O interessante é haver pessoas na cidade que passam por mim e já cumprimentam com um “Fala aí, du Rock!” É gradualmente, vamos crescendo e as responsabilidades vão aumentando. A primeira grande jogada, foi iniciada nesse mês de outubro, quando comecei a trabalhar para implantar um concurso de desenho para as crianças. Tudo indica que será bem legal e renderá bons frutos. Apesar de outubro ser um mês atípico nas escolas, com a semana da criança, o dia dos professores e as eleições.
Como é um projeto e planejo conseguir a atenção e o estofo pedagógico junto às escolas, pouco importa se vamos lançar o regulamento, as propagandas e as datas de inscrição e entrega dos trabalhos para já, ou para 2025. O que importa, é que começou. Como o programa TAR DE ROCK acabou virando MAIS TARDE, ganhou declamação de poesias, poemas e reflexões filosóficas em meio ao rock’n’roll e suas vertentes. E agora, ganhará convidados, ao menos uma vez por mês.
MAIS TAR DE ROCK, um programa para se ouvir ao vivo. Por enquanto. Quem sabe, mais adiante na estrada, não conseguimos monetizar apenas o suficiente para que a gravação em vídeo fique sempre disponível no Youtube ou em outro ponto de encontro. Basta começar, né?

quinta-feira, 15 de agosto de 2024

ONDE ESTÁ A INCLUSÃO PARA A CULTURA? – TAR-DE-ROCK-005

As minorias pedem passagem e começam, com a poderosa Bandeira da Inclusão, a se equiparar aos dominantes civilizados, corrigindo um atraso de muitos e muitos anos na evolução. Na minha modesta opinião, uma IN-volução, afinal de contas, a imbecilidade parece uma epidemia ainda mais devastadora do que a de 2020. E essa mesma massa de incautos e despreparados, engendra uma minoria ainda mais frágil e condenada a extinção, que é a minoria da CULTURA.

É certo que todos têm seu lugar ao Sol e a civilização discriminou mulheres, negros, homossexuais de todos os tipos (todo o tal abecedário adotado na mídia, que não cito por pura ignorância) e grupos específicos, por esse ou aquele motivo. Todos somos seres humanos e temos deveres e direitos iguais, afinal, já dizia Silvio Santos: “da vida não se leva nada, vamos sorrir e cantar”. O Governo Federal e as Instituições Sociais das mais diversas áreas, promoverem o explícito apoio às minorias, é correto. Mas a CULTURA vem sendo solapada, vilipendiada até, para que se preserve um nicho em especial.

Na música, aonde navego com mais tranquilidade, vemos cada vez mais o predomínio do funk carioca e do sertanejo universitário. As letras se repetem e os acordes, notas e as batidas são sempre as mesmas. Não se vê a exaltação da grande poesia das letras, pois a indústria musical prioriza refrões. Quanto mais idiota, melhor.

No nosso rincão, há um investimento restrito em cultura. O incentivo módico fica restrito à FAIPA (ainda bem que tem), a maior expressão de diversidade musical que temos na cidade, pois o repertório é múltiplo. Mas fica aí. Não há um local decente para as artes. Um palco multiuso, por exemplo. O chamado “recinto”, só se presta a festa do peão, um descarado caça votos. PANIS ET CIRCENSIS AD ETERNUM.

Não se vê um incentivo ao teatro, por exemplo, um verdadeiro “efeito dominó” na atratividade por adquirir cultura, vez que os envolvidos na apresentação, precisam conhecer a obra. O público, sente-se atraído — ainda que só alguns — a ler o original. O papo das esquinas muda, as pessoas se encontram e comentam sobre algo mais interessante do que as fofocas das celebridades e as catástrofes dos jornais.

Não há incentivos das instituições e da administração pública. Professores não desenvolvem uma campanha maciça sobre a mente dos alunos para as potencialidades da leitura, do conhecimento da diversidade, não só no gênero e na necessidade de inclusão e convivência pacífica. Mas, e também, na diversidade de formas de arte. Se podemos ser ricos em cultura, por que preferimos ser pobres e viver como patetas sorridentes que passam o dia esfregando o dedo em uma tela de celular?

 

domingo, 4 de agosto de 2024

SAIA DA ZONA DE CONFORTO E CUIDE DA ZONA DA SUA VIDA


Nada como pensar a respeito das coisas que acontecem contigo e descobrir que há ainda muita brasa sob as cinzas da decepção. Permanecer tentando divulgar cultura é a meta. Se há alguém com inveja, sinto muito. Os golpes dessa vez, foram doloridos. Estou como um boxeador que sofreu um knock-down. Triste e decepcionado, pensando seriamente em parar. Mas como diz a canção do Led Zeppelin: um novo dia nascerá para aqueles que permanecerem esperando — STAND! Não é Mamma Abagail. O texto do programa de 03/08, que foi sumariamente eliminado pelo Facebook, e desrespeitaram (no meu entender) as licenças “free” das trilhas de NATIONAL SWEETHEART da biblioteca de áudio do Youtube Studio. Adoraria ganhar alguns milhões em um processo judicial, mas não posso competir contra Warner, Apple, Paramount e sei lá que outra detentora de direitos autorais de música, existente nesse mundo. Se, como disse Ivan Lins, apenas 0,02% vão para os artistas, imagine o bolo de grana que vai para a mão dos “atravessadores”. Tentei fazer o certo, agora, vou jogar com as armas que a tecnologia me disponibiliza. Segue parte do texto do programa, que girou sobre a necessidade de lutar contra o sistema, tomar o leme da sua vida e desbravar os mares.

 

Dizia Schopenhauer: “Pessoas comuns pensam em como GASTAR o seu tempo. Pessoas com talento, em como USAR.” Para o grande bando de pessoas que vivem achando que não têm talento, não podem com nada e vivem aguardando o tempo mudar e o milagre acontecer, TAR  DE ROCK n.º 004. Mas não pense que você é o único “desligado” do pedaço. Você, na verdade, não está ligado em coisas certas. Por exemplo, se existiu um cara desligado como cantavam “Os Mutantes”, esse era Raul Seixas. Não no sentido de alienação. Mas sim, alguém que percebe a mesmice e deseja manter-se longe dela. Houve tese de doutorado na USP, dizendo que Raulzito estava cagando e andando para os movimentos musicais e a suposta ZEITGEIST dos anos 70. Onde tudo era motivo para contestar, ele se dizia avesso a preconceitos explícitos, professados pelo “povo da MPB”. Belchior, Silvio Brito e Hermes Aquino são citados nos versos da canção “EU TAMBÉM VOU RECLAMAR”. Além disso, a música é uma antevisão do parque de diversão dos imbecis que procriam pelo nosso mundo hoje em dia. Ao cantar que “todo mundo explica tudo, como a luz acende, como um avião pode voar”, prega que muita gente explica e só complica, ao usar muito o “simplifica”. Não somos mesmo enrodilhados em um mundo de coaching que vive explicando das coisas mais idiotas às mais simples?

O grande hino da geração de mentes descontentes e com um desejo expresso de mudança — e que paralelamente, não teve atitude para provocar essa mudança — veio com o grunge dos anos 90. Uma geração toda posicionada no “centro da corda do cabo de guerra”: a expectativa era de uma juventude passiva e ludibriável pela cultura de massa. A realidade, do outro lado, mostrava uma “tribo” desiludida com o mundo que herdou, onde muitas promessas foram feitas entre os 60’s e, até os 80’s e pouco foi realizado. O pior, era a incapacidade de perceber que a mudança só ocorre de dentro para fora. Para atingir o “nirvana” é preciso mudar a si e fazer parte do todo, cumpadre.

Ficar preso em um remoinho de culpa e de frustração por não alcançar as metas que a sociedade lhe impõe é seu carma. Ao ser aconselhado por imbecis, você acaba cada vez mais enrolado. É preciso se reerguer e seguir em frente, fazer o possível e ficar atento a vida ao seu redor. Aprender a crescer com ela. É difícil? Claro. Mas o que seria da vida sem as coisas que temos de enfrentar e vencer? Ainda que, para vencer, seja preciso avançar apenas um milímetro por vez. Um lembrete: a semente floresce mais rápido se você a plantar nas merdas que fez na vida.

A busca por esse modo de vida onde você não se prenda a nada que tenha a intenção de lhe diminuir, é uma luta constante. Você deve encontrar satisfação na jornada, pois esse é o sentido da vida. Se você se propor a fazer algo, procure encontrar “algo” que lhe dê prazer em fazer. Onde você possa descansar sua cabeça no final do dia, sabendo que está no caminho certo. A verdadeira liberdade vem da capacidade de se adaptar ao desconhecido.

Um dos entraves na vida da gente, é a ansiedade. Não fique preso ao passado eternamente. Nos anos 80 que era bom, nos anos 90 que era bom. Não. Faça o “agora” o melhor. Entender que o futuro é solução, acaba carecendo de uma compreensão mais abrangente. Não crie expectativas e sim esperanças. Expectativas geram frustrações. Esperanças, nunca morrem, certo? A ideia é ser resiliente e viver o presente. Não adiar ações e sentimentos, agindo imediatamente.

Você deve procurar a motivação em todos os cantos da sua própria escuridão. Dizem que, se você acender um fósforo no meio de um pasto à meia-noite, sob um céu coberto de nuvens e sem lua, provavelmente não irá contribuir muito para encontrar o caminho de casa. Mas por um instante, todo o tamanho da escuridão lhe será revelado. Conhecendo o seu inimigo, tudo fica mais fácil. E você não deve deixar de crer. Venha você de onde vier, com a inteligência que dispor, não deixe de acreditar.

Mas essa estória toda é uma confusão enorme, né? Uma mente despreparada, que não lê, não se acultura, terá dificuldade e sucumbe no mal dos nossos dias, a depressão e o sentimento de impotência. Afinal, estou dizendo para você não se prender e ter esperanças, ao mesmo tempo que trabalha para sua vitória. Utopia? Sonho? Bem, você não pode deixar de sonhar, Cumpadre. Com perseverança tudo se alcança. Sonhar faz parte da sua vida. É o seu propósito. Erga sua voz aos céus e lute por seus sonhos. Lute pela sua vida. Lute por você!

PARA PLAYLIST, COPY-PASTE: https://open.spotify.com/user/31opiurnyuc76encxhrzxyd3iefq?si=9a45b066fd164fcd

quinta-feira, 1 de agosto de 2024

O CLIMÃO


 A postagem comemorava um evento proveitoso de aprendizado, junto às amigas e um passo importante na carreira de empreendedorismo. As finanças em casa estavam no limite e se aproximava o tempo daquelas despesas inevitáveis, como exames periódicos e as despesas de formatura da filha mais velha.

Mas eis que o marido comentou, curto e grosso:

— Retire a referência a esse cara. É melhor ficar longe dele, de hoje em diante!

A referência era a um dos instrutores do curso que aparecia na fotografia. Você escreve o texto e coloca o sinal de arroba para marcar a pessoa. E a irritação do marido tinha motivos políticos. A polarização e a imbecilidade, tomam conta da cidade e não é de bom-tom, fazer essas declarações. Ainda que sejam subjetivas.

O caso é que, pormenores precisam ser analisados. O primeiro e mais gritante, não diz respeito ao embate político e sim, ao comportamento misógino da maioria dos homens. Manifestar-se, ainda que focando na conquista, na vitória do aprendizado sobre a incompetência, da inteligência sobre a ignorância, pelo ponto de vista único e exclusivo do comportamento adquirido da civilização patriarcal, é “pecaminoso”.

A mulher não se manifestou, sequer por um segundo, politicamente. Comemorou, sim, sua conquista do conhecimento, da expertise. A intenção era manifestar para suas amigas/amigos e seguidores, a conquista de mais excelência para seu produto e mostrar que se tratava de uma microempresária preocupada em evoluir a si e ao seu negócio. Mas o pretenso envolvimento político do instrutor, foi julgado como desabonador pelo marido e ponto final.

Que raiz maldita é essa que invadiu a nossa árvore e suprimiu nossa capacidade de discernimento? Sim, pois certas “ervas” conseguem tomar conta de um solo fértil e impedir que a grande árvore floresça e dê frutos. Há uma infestação generalizada em nossa sociedade. Pequenas comunidades, como é o caso, dividem-se clamorosamente, como se o mundo fosse acabar no dia da divulgação do resultado das urnas. Os optantes derrotados, desaparecerão e a cidade irá sobreviver apenas com o lado vencedor.

A empreendedora da vez, terá uma redução considerável no número de seus clientes, afinal, vende apenas para o lado vencedor. Seria algo tão idiota como “não se come mais arroz aqui em casa. O arroz é plantado, colhido e beneficiado pelo pessoal que apoia o partido X e nós somos do partido Y. Aqui, todo dia tem sopa de legumes.”

Uma cidade com menos de quinze mil habitantes está se esfacelando por conta dessa disputa imbecil. Em primeiro de janeiro, pouco importa quem ocupará a cadeira no prédio azul. Você terá de acordar e enfrentar os seus boletos, batalhar por seus sonhos, comemorar suas vitórias, sorrir e tocar a sua vida do mesmo jeito de sempre. Não é “A” ou “B” que irá resolver a sua vida.

E que seja banida para sempre esse comportamento patriarcal de orientar as mulheres sobre o voto. Já são suficientemente competentes para saber o que fazer sozinhas.

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...