As minorias pedem passagem e começam, com a poderosa Bandeira
da Inclusão, a se equiparar aos dominantes civilizados, corrigindo um atraso de
muitos e muitos anos na evolução. Na minha modesta opinião, uma IN-volução,
afinal de contas, a imbecilidade parece uma epidemia ainda mais devastadora do
que a de 2020. E essa mesma massa de incautos e despreparados, engendra uma
minoria ainda mais frágil e condenada a extinção, que é a minoria da CULTURA.
É certo que todos têm seu lugar ao Sol e a civilização discriminou
mulheres, negros, homossexuais de todos os tipos (todo o tal abecedário adotado
na mídia, que não cito por pura ignorância) e grupos específicos, por esse ou
aquele motivo. Todos somos seres humanos e temos deveres e direitos iguais,
afinal, já dizia Silvio Santos: “da vida não se leva nada, vamos sorrir e
cantar”. O Governo Federal e as Instituições Sociais das mais diversas áreas,
promoverem o explícito apoio às minorias, é correto. Mas a CULTURA vem sendo
solapada, vilipendiada até, para que se preserve um nicho em especial.
Na música, aonde navego com mais tranquilidade, vemos cada
vez mais o predomínio do funk carioca e do sertanejo universitário. As letras
se repetem e os acordes, notas e as batidas são sempre as mesmas. Não se vê a
exaltação da grande poesia das letras, pois a indústria musical prioriza
refrões. Quanto mais idiota, melhor.
No nosso rincão, há um investimento restrito em cultura. O
incentivo módico fica restrito à FAIPA (ainda bem que tem), a maior expressão
de diversidade musical que temos na cidade, pois o repertório é múltiplo. Mas
fica aí. Não há um local decente para as artes. Um palco multiuso, por exemplo.
O chamado “recinto”, só se presta a festa do peão, um descarado caça votos. PANIS
ET CIRCENSIS AD ETERNUM.
Não se vê um incentivo ao teatro, por exemplo, um verdadeiro
“efeito dominó” na atratividade por adquirir cultura, vez que os envolvidos na
apresentação, precisam conhecer a obra. O público, sente-se atraído — ainda que
só alguns — a ler o original. O papo das esquinas muda, as pessoas se encontram
e comentam sobre algo mais interessante do que as fofocas das celebridades e as
catástrofes dos jornais.
Não há incentivos das instituições e da administração
pública. Professores não desenvolvem uma campanha maciça sobre a mente dos
alunos para as potencialidades da leitura, do conhecimento da diversidade, não
só no gênero e na necessidade de inclusão e convivência pacífica. Mas, e
também, na diversidade de formas de arte. Se podemos ser ricos em cultura, por que
preferimos ser pobres e viver como patetas sorridentes que passam o dia
esfregando o dedo em uma tela de celular?

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