Não sei quanto tempo faz que não posto nada por aqui, mas resolvi trazer reflexões, já que meus leitores são quase nulos e, portanto, talvez esse espaço sirva apenas para meu autoconhecimento. Hoje, uma dúvida ou conclusão, ou constatação me atingiu os miolos: minha necessidade mais urgente é de encontrar um ponto de apoio. Não físico, mas espiritual. Não mental, pois creio piamente que tenho um discernimento tão treinado para não esmorecer que qualquer tristeza dura pouco mais de um segundo. Não é uma insensibilidade, porém parece bastante com isso. Saio contrariado de casa pela manhã para o trabalho. Não é uma situação cotidiana: às vezes já saio cantando. Mas há coisas na vida de um casal que acontecem e toda união passa por isso mesmo. Há um acordo até tácito. E resulta em contrariedades por vezes. Mas dura pouco. Alguns passos para dizer a verdade. Em instantes a música invade meus pensamentos e/ou nela eu busco refúgio — quem canta seus males espanta, não é? — e tudo se faz claro, com rapidez.
Então hoje, me veio essa pergunta: será que não preciso
mesmo de um apoio espiritual? Creio que, se não aparecer uma pessoa
desconhecida de repente, me olhando firme e dizendo que vê minha aura nebulosa
e meus caminhos trancados, minha vida transcorre na normalidade. Desse modo,
com essa “regra” em mente, não vejo porque arranjar um apoio espiritual. Mas,
há dúvida — sempre há. Nunca se está certo. Flávio Cavalcanti mentia quando
dizia “absolutamente certo” — brincadeirinha, sô Flávio. Mas verdades absolutas
sob a ótica da física de partículas existem para derreter diante de novos
cálculos e teorias, é isso que a Science nos mostra em cada um de seus números.
Não, nunca li. Só leio coisas a respeito do que lá é publicado. Mas quero
traçar um comparativo com as verdades em nossas vidas em relação a sentimentos.
Não se ama absolutamente. Não se odeia absolutamente. Não se crê absolutamente, e do mesmo modo, não se é ateu absolutamente. Diante de um animal enfurecido e
faminto como um Urso Polar, por exemplo. Pensamos, por cultura: “E agora, meu Deus!”,
não é?
Mal não pode fazer. Espera-se que não. Afinal de contas são
pessoas de boa índole, preocupadas em amar ao próximo como Jesus nos amou. Mas
existem improbabilidades demais e fenômenos demais. Quanta coisa carrega uma
sacola monstruosa de dúvidas. Se há tanto poder e onipresença, porque não se
pode ir contra o livre arbítrio, por exemplo? Temos essa prerrogativa, certo?
Podemos escolher o caminho do bem ou o do mal, ok. Mas, se há poder e
onipresença em Deus, por que não infringir esse “campo de força” do livre
arbítrio? Dizer a cada ser humano, sem a necessidade de igreja, bíblia, condições
especiais: “Cara, confie em Mim! Eu sou o Senhor, teu Deus!” Ah, mas existem os
escolhidos, os santos, os pastores, os pobres de espírito, os padres e blá-blá-blá.
P#$&a! És poderoso, ou um saco de batatas?
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