sexta-feira, 31 de maio de 2024

Revista Contos de Samsara n° 14

Lançada hoje a Revista Contos de Samsara n° 14, cujo tema é LIVRO. Participo com o conto "Não era o seu?", uma estória bem humorada sobre ... Não vou dar spoiler.

https://linktr.ee/contosdesamsara

Copie e cole, se for necessário. Há outras/ outros ótimas/os contistas também. É minha terceira vez. Já participei das edições "Vermelho" e "Noite".

Estamos em campanha para financiamento das edições em papel e você pode conferir no mesmo link.

OVERDOSES COTIDIANAS

Sempre me disseram que tudo o que é demais, faz mal. Uma constatação atiçou meu pensamento logo pela manhã. Enquanto cuidava de me encapotar para enfrentar a ida até a padaria (sou extremamente “friorento”), ouvia as notícias no jornal da manhã. Quantas coisas em excesso são embutidas em nossos cérebros logo cedo, não?

A curiosidade do ser humano foi erroneamente educada pela mídia, desde os anos 90 do século retrasado — 1896, precisamente — quando Marconi fez a primeira transmissão via rádio. Se bem que, desde que existe civilização, a curiosidade nos atiça mais quando a notícia se refere à maldade.

Não bastassem as catástrofes no sul do país, a mídia agora se volta para os desabrigados diante da onde de frio. Não contesto a necessidade de se divulgar pontos de doação, para quem pode prestar solidariedade. Mas precisamos ser lembrados? Amar o semelhante não é uma regra?

Depois, uma notícia sobre a comunidade LGBTQIA+. Outra. Na sequência, a repercussão de mais uma taxação pelo governo. Outra. Tudo que é excessivo faz mal. Impostos, nem se fala. A necessidade de inclusão, é urgente, sem dúvida. Mas a mídia parece assumir toda a culpa pela repressão. Bombardeia os ouvidos e olhos com um sem número de informações que uma cultura de dez milhões de anos não está acostumada a notar.

Enfim, essa insistência acaba criando um ranço nos mais conservadores e, no lugar de provocar a revisão dos conceitos e o bem, provoca antagonismo. Provoca não, fomenta! O ódio germina e o cotidiano fica mais e mais contaminado, viciado, terminal. Guerra, fome, peste e morte, deveriam compor apenas uma linha do noticiário geral.

— Mas isso não vende!

Você já experimentou vender o BEM, cidadão? Já experimentou montar sua barraca e expor esse produto? Perseverar, como fazem os esperançosos voluntários com a sacolinha de doações na feira livre. Se todos vissem o BEM, todo dia, não teriam saída a não ser interessar-se por ele.

A presença do BEM relaxa tensões, imprime franqueza aos sorrisos, dissemina-se como uma praga. Experimente cair na gargalhada do nada, em um ambiente tenso: insista, rindo diante dos rostos admirados. É contagioso! O BEM é contagioso.

As Overdoses Cotidianas (grande nome para uma banda, hein?) só preenchem nosso espírito de tristeza, antagonismo velado contra o próximo (as ditas “minorias” inclusive), nos arrastam para um lado da briga, quando não deveríamos ter lado algum. Somos todos uma espécie e precisamos pensar sempre no BEM comum. É utopia? Bem, nunca experimentamos nos drogar com a bondade, que eu saiba. Quem sabe não é uma viagem?

quinta-feira, 30 de maio de 2024

O TOTALITARISMO VELADO

Você abre uma mensagem de vídeo no whatsapp. Uma rua qualquer, em um lugar que não interessa. No rodapé da tela, há um emoji de riso escancarado e lágrimas nos olhos. O som, no fundo, é de uma risada quase forçada. Se você for um bom entendedor, não é necessário ver o restante. A barra de duração está no início e a cena continua sem nenhuma ação. Se você for bom entendedor, já começa a rir e interrompe a mensagem. Mas você é um imbecil, na visão do remetente. O emoji e a trilha sonora estão ali para lhe ensinar a rir de coisas que um bom entendedor reconheceria como qualquer outra coisa, menos uma cena de humor.

Então, você tem um espaço para divulgar suas reflexões, para expressar o modo como vê o mundo. Vai até lá e descreve a ridícula situação do vídeo e em instantes, é achincalhado pelos comentaristas de plantão, argumentando que o mundo está muito chato e que esses “intelectuais de merda” estão estragando a diversão das pessoas, com seus critérios “de sarrafo alto”. E então você se resigna e apaga seu post. Afinal, o mundo gira ao redor de quem recebe mais “likes”.

Dia desses, vi a paixão exacerbada do brasileiro ser colocada em julgamento. Um jogador de futebol apareceu em uma foto, usando a camisa de outro clube. Se a camisa fosse de uma equipe sem expressão, ou do exterior, ou de outro esporte, não haveria celeuma. Mas, como era de um clube rival... Desconsideraram-se os problemas de renovação de contrato, que se arrastam por meses. Desconsiderou-se a inusitada situação de ser preterido até do banco de reservas nos jogos. Desconsiderou-se a individualidade. “Não precisamos dos seus serviços, mas não ouse vestir-se como bem entender.”

O mundo gira ao redor de quem recebe mais “likes” e no lugar de ser uma salvaguarda, é uma prisão. Você tem que rir como ri a “imensa maioria” (um pleonasmo aceitável, mas que evito na medida do impossível). Você está preso a convenções. Você é apenas um produto do status quo. Não ouse apreciar o seu próprio tempo. Estamos, cada vez mais, sob um totalitarismo velado, imposto pelas consequências. E isso, cheira a revolução.

Quando o horizonte parece limpo

O sol domina o céu

Esplendoroso

A brisa começa a soprar

Inevitável

A resposta não está na paisagem

PUBLICAÇÃO PARA O JORNAL "O COMETA", DE SET/2023 (REVISADA)

Exceto se algo formidável ocorra em Ipaussu, é extremamente difícil você encontrar uma estrela do Cinema Hollywoodiano passeando pelas calçadas da cidade. Porém, ainda que exista essa possibilidade, o astro ou atriz, não será tão cortês e distribuirá tantos “Bom Dia”, como Vladimir Ferrari. Nascido em 1965 aqui mesmo, filho de José e Odemia Ferrari, irmão de Gilberto Ferrari (esse, sim, um astro na cidade), é escritor e iniciou sua carreira enveredando pelo caminho dos contistas. Influenciado diretamente pelo (seu) Professor Jayme Ferreira, entendeu-se ainda adolescente como apreciador da ideia de combinar palavras em frases e textos, principalmente para contar histórias. Porém, as necessidades comuns a todos os jovens de sua idade e a carência de possibilidades na realização de sonhos no interior, o levou ao caminho natural de morar e “se fazer” em São Paulo, capital. Passou quase 34 anos em um escritório de construção civil, trabalhando na indústria mais irrequieta da Pauliceia Desvairada. Apreendeu muito da cidade, das pessoas e das experiências por lá e quando retornou à terrinha para recomeçar a vida, foi surpreendido — como todo o planeta — pela pandemia. Com tempo, resolveu desenterrar o velho prazer da escrita e num passe de mágica, teve o primeiro conto selecionado em uma antologia da Ases da Literatura, de Portugal. Outras antologias vieram, o conhecimento do mercado, das técnicas do conto moderno, contribuindo para o prazer de escrever histórias. Enveredou pelo universo das DIME NOVELS. Estórias de tiro curto em revistas com papel barato, vendidas a preços módicos. Fizera muito sucesso na Era Vitoriana na Inglaterra, quando o índice de alfabetização girava nos 99,9% da população. Escreveu três: “O Pesadelo de Snowy Mountain”, “O Segredo do Campanário” (terror) e “O Caso Walt Willians” — um conto policial. Mas, não se basta nesses gêneros, claro. Escreve e publica seus contos de humor, suspense, romance, aventura e drama nos portais TREMA, SCRIV e RECANTO DAS LETRAS (os links podem ser encontrados em https://linktr.ee/Vlaferrari). Busca padrinhos e madrinhas para bancar as ilustrações em uma noveleta, onde a mistura de elementos de ficção cotidiana será o fio condutor de uma trama surpreendente, recheada de influências da cultura dos anos 80 e 90. E continua distribuindo seus “Bom Dia” nos intervalos.

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...