segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Reflexão do dia: 13/09/2025 - Sábado

Lembrei-me das manhãs em Sampa, onde por conta da proximidade com o Parque, punha os pés na caminhada ali pelas 5 da manhã, cruzando as ruas do Jardim Paulistano rumo ao Ibirapuera. Um sabiá cantando alto em meio ao vento que sacudia as árvores da FAMI, me ajudou nessa memória doce. Lá como cá, morava relativamente próximo ao escritório (por imposição ou conveniência da empresa) e podia chegar tranquilo no horário, após uma caminhada. O bairro é decorado de amoreiras aqui e ali e os sábias comandam a área, muito mais que pardais e bem-te-vis. Sempre gostei de caminhar e apreciar a paisagem e aqui em Ipaussu não é diferente, apesar das restrições de meu acompanhante nesses últimos anos, o buldogue e sua dificuldade respiratória. Julgo que o interesse pela natureza ao redor, ainda que duramente impactada pela ação humana, é o momento perfeito de se encontrar consigo. Por isso, a frase de Neruda que usei ontem, me chamou a atenção. Não estamos, como ele disse (disse?), indefectivelmente nos encontrando a cada momento? Pois é! Parece que sim.

O principal fator de desequilíbrio, então, creio eu, é a capacidade inata e as doses maciças de abstração que a vida de hoje nos propõe. Não nos concentramos em nós. Somos facilmente envolvidos por abstrações a todo momento. E eis que me surge uma metáfora boa: preferimos as linhas livres, desembaraçadas, correndo ligeiras nos ilhós, do que enfrentar os nós que nos atam ao nosso íntimo. Somos tristes onde a felicidade reina, mas corremos tanto e nos abstraímos tanto, que não percebemos isso. O momento precioso de entender que a única pessoa que irá lhe acompanhar até o final, é você mesmo. A vida que inventamos, com tecnologia e movimento contínuo, nos impõe esse compromisso e aceitamos passivamente. E é de suma importância que você esteja à vontade consigo, para quando a natureza lhe oferecer um tiquinho de beleza, você possa sorrir e sentir-se cativado, ciente de si, e feliz, é claro.

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