Entender que a realidade de cada um é estritamente particular, leva a pensar em outros conceitos, como liberdade e comunhão, para citar apenas dois. O que seria a liberdade nessa visão de realidade? Uma prisão. Lembro-me de um corte em uma entrevista de Elke Maravilha, onde cita que um interno de hospital psiquiátrico, detido atrás das grades da solitária, disse a ela: "eu também estou lhe vendo atrás de grades". A perspectiva. Invadir a sua liberdade é, de certo modo, coexistir na sua realidade. E essa coexistência pode e deve ser pacífica. O respeito. Quando vigora o respeito, a comunhão se faz e sua realidade se expande. Parece óbvio, mas não nos damos conta disso, desligados como somos da realidade dos outros.
O físico teórico Erwin Schrödinger propôs a interpretação da mecânica quântica com o paradoxo do famoso "Gato de Schrödinger", onde há um gato encerrado em uma caixa que não podemos dizer estar apenas vivo ou apenas morto, mas numa sobreposição desses dois estados, ao menos até abrirmos a caixa. É justamente essa reflexão: a realidade não é conhecida enquanto não fazemos parte dela.
No mundo de hoje, vê-se muita teoria sobre comportamentos e atitudes, posições e discursos. No entanto, não há "participatividade". Por isso, o melhor é calar. A imposição provocada pelos emergentes, através do protecionismo, pode ser uma cruel invasão da liberdade dos outros. Nesse final de semana, por exemplo, tomei conhecimento de um pormenor em relação a medidas restritivas em casos de separação (os assuntos no dia a dia e na boca das pessoas, parecem nos perseguir como o algoritmo das redes sociais). A mulher, independente dos fatos, consegue, por via jurídica, uma medida de restrição contra o ex-marido. Não me importou o motivo da decisão judicial, mas sim saber que se ambos se encontram em um mercado e suas realidades se tocam, a medida restritiva exige que o homem abandone imediatamente o que está fazendo e saia. Não é exagero, é lei! A realidade de um pode ser severamente destruída em sua liberdade, nesse exemplo.
Permaneço insistindo na ideia de que a união faz a força. Não há lados: estamos no mesmo barco e precisamos parar de remar cada um para um lado. Nossas realidades precisam se reconectar se desejamos um futuro mais coeso e inteligente.
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