segunda-feira, 29 de setembro de 2025

Reflexão do dia: 10/09/2025 - Quarta-feira

A expectativa é a mãe da decepção. Ao menos é isso o que pregam os pessimistas de plantão, que povoam o oráculo do mundo atual: as mídias sociais. Sempre há alguém nas redes sociais pregando que não devemos criar expectativas, pois o natural é ser decepcionado. Ou seja, compreende-se que não há mais confiança, não há mais a crença na humanidade. As pessoas passaram a ser objeto de compaixão e de piedade, pois não são mais dignos do credo e da torcida. Não é simplesmente não crer que Gabriel Bortoleto será o novo Ayrton Senna. É crer na frase de Cazuza: “os heróis morreram”, de overdose ou de causas naturais. Li, há alguns dias, que o melhor que se pode fazer pelas pessoas em situação ruim, é olha nos olhos e reafirmar a sua crença na recuperação delas. Não oferecer o assistencialismo (apenas), mas sim a crença de que as pessoas são capazes de “sair do buraco”.

Há algumas passagens sobre a vida de Jesus de Nazaré, transportadas para as telas de cinema e TV, onde os atores interpretam a ligação entre ele e aqueles a quem “salvou”. A extrema ternura no olhar, ao ajudar um aleijado a abandonar as muletas e pôr-se de pé, como uma pessoa sem defeitos. É essa crença nos outros de que falo aqui. Na capacidade de olhar para as pessoas e crer de que são capazes de fazer o que se propuseram a fazer e não tiveram sucesso. 

“Ei!”

Foi apenas a primeira tentativa. É sempre difícil e ninguém nasce sabendo. No entanto, é com os primeiros passos que se iniciam as grandes jornadas. Hoje terei um encontro com pessoas interessadas em produzir comigo um trabalho que, com o tempo, se transformará no Grupo de Teatro de Ipaussu. A expectativa é olhar nos olhos de cada um deles e saber que irão tentar e tentar. O sucesso depende de disciplina, de tempo de maturação, de repetição e resiliência. Não sei o que o futuro reserva e nem mesmo se o meu conhecimento será suficiente para novas Fernandas Montenegro e Antônios Fagundes. O importante é transmitir essa mesma ternura em crer nas pessoas.

Isso se transporta para outra questão que assola meus pensamentos desde ontem: a tal zona de conforto. Manifestei o incômodo com a questão dos ciclomotores conduzidos por adolescentes nas ruas da cidade, produzindo barulho e impunidade. O que percebi é que há zona de conforto em todos os cantos e instâncias e que nem sempre “representar” é “falar em nome de um grupo”. A minha expectativa com o Teatro, com a transformação de jovens ávidos por conhecimento em um grupo que possa gerar espetáculos e entretenimentos, se expande para “representantes”, que se limitam a “representar” em suas digníssimas zonas de conforto, sem a ousadia dos atores. As expectativas continuam. A crença e a ternura no olhar, também!

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