Há algumas passagens sobre a vida de Jesus de Nazaré, transportadas para as telas de cinema e TV, onde os atores interpretam a ligação entre ele e aqueles a quem “salvou”. A extrema ternura no olhar, ao ajudar um aleijado a abandonar as muletas e pôr-se de pé, como uma pessoa sem defeitos. É essa crença nos outros de que falo aqui. Na capacidade de olhar para as pessoas e crer de que são capazes de fazer o que se propuseram a fazer e não tiveram sucesso.
“Ei!”
Foi apenas a primeira tentativa. É sempre difícil e ninguém nasce sabendo. No entanto, é com os primeiros passos que se iniciam as grandes jornadas. Hoje terei um encontro com pessoas interessadas em produzir comigo um trabalho que, com o tempo, se transformará no Grupo de Teatro de Ipaussu. A expectativa é olhar nos olhos de cada um deles e saber que irão tentar e tentar. O sucesso depende de disciplina, de tempo de maturação, de repetição e resiliência. Não sei o que o futuro reserva e nem mesmo se o meu conhecimento será suficiente para novas Fernandas Montenegro e Antônios Fagundes. O importante é transmitir essa mesma ternura em crer nas pessoas.
Isso se transporta para outra questão que assola meus pensamentos desde ontem: a tal zona de conforto. Manifestei o incômodo com a questão dos ciclomotores conduzidos por adolescentes nas ruas da cidade, produzindo barulho e impunidade. O que percebi é que há zona de conforto em todos os cantos e instâncias e que nem sempre “representar” é “falar em nome de um grupo”. A minha expectativa com o Teatro, com a transformação de jovens ávidos por conhecimento em um grupo que possa gerar espetáculos e entretenimentos, se expande para “representantes”, que se limitam a “representar” em suas digníssimas zonas de conforto, sem a ousadia dos atores. As expectativas continuam. A crença e a ternura no olhar, também!
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