Muito mais do que uma competição, os desafios literários me
fisgaram pela possibilidade de aprender com pessoas interessadas em ensinar.
Sim, é preciso estar vacinado para as críticas e, agora descobri, vacinado para
a rejeição.
Quando li em um dos sites/blogs especializados em divulgar
concursos literários que “fulano de tal convida autores de contos a participar
do desafio X”, a curiosidade viu-se atiçada. Medroso, a princípio achei não ter
o conhecimento e o cacife necessário para expor minhas criações ao crivo de
escritores estabelecidos nessa jornada para ser ouvido/lido.
Mas resolvi me expor “na minha praia”, com um conto de
terror. Fui horrível. Principalmente nos comentários. Sim. É necessário não
apenas expor seu texto para análise dos outros autores, mas também, comentar o
texto dos outros. Meus primeiros comentários foram quase preconceituosos, de
tão mesquinhos. Em certo ponto, me entendi como aquele personagem do Luiz
Fernando Guimarães, o “Sincerão”.
— Olha, achei seu texto uma bosta. Mas a premissa do conto é
boa.
Enquanto choviam críticas aos meus erros, no meu texto,
destilava todo o meu rancor por entender que as regras ensinadas a mim,
deveriam servir de base para analisar os outros. Pois bem, não só.
Quando você lê, aprende. Autores consagrados, como Milan
Kundera, por exemplo. “A Insustentável Leveza do Ser”, ao menos a tradução que
li (em português de Portugal), era recheada dos “supostos” erros apregoados
pelas regras sobre textos que aprendi junto aos “papas” do conto moderno e
orientadores. Explico-me:
Supondo que seu conto descreva a cena como em “O Alpinista”,
que publiquei no “O Cometa”. Joseph observa Adalberto e sua batalha. Se o foco
está em uma ação de Adalberto, EU entendo não haver necessidade de utilizar a
palavra “ele” a cada nova ação. O parágrafo todo pode ser referir ao personagem
citado no início desse mesmo parágrafo. Em Mr.Kundera e em outros autores que li
depois, isso pouco importa. Usam sem “sangria desatada”. E eu, aferrado as
minhas convicções, “descascava” os ouros colegas. Aprendi. Estou aprendendo, na
verdade. Ainda cometo absurdos.
Eu acredito que a troca entre autores seja a melhor forma de se aprimorar a escrita. Mas não podemos esquecer que os colegas também estão aprendendo. Como arte, acredito que não existem regras. O bom é sempre se perguntar se tal técnica funciona ou não para o seu texto, se faz sentido, se ajuda a chegar no objetivo do seu texto. Fico feliz que você encontrou esse espaço de troca.
ResponderExcluirO segredo é esse mesmo, minha cara: "o que vai bem do comentário feito, no meu texto?" ou "o que eu pretendia quando escrevi? Consegui transmitir isso que ora é exposto nesse comentário?" As perguntas devem questionar primeiro a nós mesmos, depois aos comentaristas. Muitíssimo grato por perder um tempinho com minhas caraminholas. ;))
ExcluirOs desafios são mesmo uma ótima forma de aprender e experimentar a escrita.
ResponderExcluirEstou adorando!
ExcluirHá sempre uma certa arrogância em criticar o texto de alguém. Basta olhar para as histórias que hoje são clássicos da literatura. O que para uns é fantástico, brilhante, cativante; para outros é o oposto. O Ulisses de James Joyce, Os Budenbrook do Thomas Mann, Os Maias de Eça de Queirós, Guerra e Paz do Tolstoy, Ensaio sobre a Lucidez do Saramago, por algumas pessoas são considerados muito chatos, ou pelo menos, com partes tão dispensáveis, que fazem com que muitos saltem páginas de forma impiedosa.
ResponderExcluirE concordo com você Valdimir. Já me sucedeu mais de uma vez, encontrar coisas em livros consagrados que são tidos por erros ou falhas por alguns gurus da escrita literária. Enfim, para mim, clareza acima de tudo - o leitor tem de perceber e sentir-se cativado. Mais do que uma questão de bom senso, é uma questão de respeito...
Boas escritas meu amigo...
P.S. - Parabéns pelo seu texto na última Samsara!
Minha prima e também escritora, (@malu.escreve) em um texto recente fala de "Macunaíma" e de "O Amor nos Tempos do Cólera", narrando suas aventuras de leitura "difícil". Eu enfrentei isso com "A Filosofia Perene" de Aldous Huxley e com "Não Verás País Nenhum", de Ignácio de Loyola Brandão. Mas há leituras e leituras e hoje, do alto da minha necessidade de aprender e aprEEnder, leria-os com prazer. Sigamos aprendendo e escrevendo, nénao? Muitíssimo grato por perder um tempinho aqui no blog. ;))
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