domingo, 9 de junho de 2024

ABRA SEUS OLHOS (MESMO)

Vejo a cidade amanhecer quase todo dia e é nas pessoas mais simples que viceja a esperança. Tem de vir de algum lugar. Quem pega seu carro e vai até a padaria providenciar seu café da manhã, nem sempre tem o mesmo espírito da moça de uniforme, empurrando seu carrinho e varrendo a sarjeta.

As pessoas que passam no caminhar apressado em direção à saída da cidade — sei disso por já participei disso —, têm um sorriso no rosto por conta de suas certezas: o dia pode ser diferente, o MEU emprego está me aguardando e quando o dia do pagamento chegar, MEU nome será festejado por meus credores, pois quito minhas contas. Vários são os motivos e não ficarei citando-os.

A ideia principal é que me interessa: acordar com esperança de um dia melhor, de cumprir com as expectativas planejadas e sobreviver para poder sonhar. Seja com o próximo final de semana, seja com uma compra especial, uma viagem, uma festa. O brilho nos olhos está lá, firme, forte e sacudido.

Mas há os insatisfeitos, os tristes. Sair da cama é excruciante, pelo visto. Enfrentar os problemas e responsabilidades é um dilema. A falha no funcionamento do raciocínio é tão paralisante, que não se enxerga onde se está. Onde você acordou, cidadão? Não vislumbre a imagem na sua resposta e sim a situação. Reformulando a pergunta: Em que situação você abriu os olhos para o novo dia?

É pena que não tenhamos um despertar súbito, como uma bolha de sabão estourando, por exemplo. Abrir os olhos e puxar o ar e de imediato, todas as engrenagens do corpo e da mente acendem seus leds e tudo começa a funcionar de repente. A felicidade e a esperança entrariam junto a primeira respiração do novo dia (e por que não mentalizar isso, hein?), nos fazendo reviver num estalar de dedos.

Porém, algumas pessoas escolhem o NÃO. O “bom” do cumprimento, não segrega o real desejo de que tudo seja especial de novo, feliz de novo, cheio de esperança de novo. São pessoas que devem amar moda sertaneja, pelo visto. Aquela celeuma de amores perdidos, bebedeiras solitárias, dor de cotovelo, etc. Pessoas que adoram ver uma notícia ruim.

A música, na minha opinião, cumpre uma função muito especial nesse despertar feliz. Acordo todo dia com uma música diferente na boca. Como um comportamento do sistema nervoso autônomo, o mesmo que controla a respiração e os batimentos cardíacos. É automático para mim. E mesmo que a música seja um blues desesperado e triste, a emoção que o permeia é o sorriso de uma Clara Nunes, bradando “levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima!”

O positivismo, é tão importante como o ar que respiramos. Não acredite em mim, experimente você mesmo e veja a coisa funcionar.

sexta-feira, 7 de junho de 2024

O EXEMPLO COMO FERRAMENTA




Um bem-te-vi canta em meio a copa de uma árvore na Praça da Matriz e um chilreio de suas crias responde. Pássaros ensinam pelo exemplo. Pais conscientes também. Entender e adotar esse princípio é, no meu entendimento, a base de uma sociedade mais feliz. Essa semana escrevi tanto a respeito de atitudes em relação a fazer o BEM como em perseguir o mundo atrás de exemplos bons.

Somos movidos a isso, de certa maneira, a copiar os exemplos que o mundo nos fornece. Falei em outra postagem a respeito do Funk Brasilis e sobre os exemplos que estão repassando a grande manada de imbecis que povoa esse planeta. Corrijo-me, aliás. Grandes estrelas da música americana usam os mesmíssimos termos em suas canções e, por consequência, repassam péssimos exemplos.

Os ídolos de hoje ensinam pouquíssima coisa aproveitável. João Bosco, em uma entrevista para a Rádio Eldorado falando a respeito de “O Bêbado e o Equilibrista”, citou que os filmes de Chaplin sempre terminavam com Carlitos — seu imortal personagem — caminhando em direção a um nascer do sol, com um sorriso no rosto. Um “subtexto”, indicando que amanhã é um novo dia e apesar das desventuras que passamos, podemos recomeçar a batalha para conquistar um momento de felicidade lá adiante.

E chego ao final de semana pensando em política. Qual o exemplo do atual “status quo”? Se você visualizar uma postagem de alguma figura dessas, em destaque na mídia, verá o seguinte: idosos precisando de atendimento em um posto de saúde em péssimas condições de conservação. “Ah, mas no governo de fulano era assim, por que hoje é assado?” Qual o exemplo nisso? Nenhum!

Uma pessoa que dá exemplos bons, influencia as pessoas que convivem com ela. É, com toda a pompa que a alcunha apregoa, um “influenciador/influenciadora”. Os citados do parágrafo acima, adotam a mesma alcunha, mas não correspondem em relação aos bons exemplos, pois se limitam a disputar a atenção.

Este é o mecanismo da imbecilidade: enquanto os “influencers” disputam sua atenção, seu problema, seus anseios, seus sonhos, são protelados. Você vive de acordo com imagens de pessoas vazias e sem função. E isso, é a real tristeza.

Uma ferramenta poderosa, que pode gerar um movimento uniforme na busca do bem comum, é pessimamente utilizada. Uma nação formada por exemplos pífios de civilidade.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

SOBRE A LIBERDADE

Albert Camus (o sorridente aí ao lado), em seu “Resistência, Rebelião, e Morte”, proclama: “A tarefa dos homens ... não é desertar as lutas históricas nem servir aos elementos cruéis e desumanos dessas lutas. É antes permanecer o que são, ajudar o homem contra o que o oprime, favorecer a liberdade contra as fatalidades que se fecham sobre ela ... A grandeza do homem ... reside em sua decisão de ser maior que sua condição. E se sua condição é injusta, ele só tem uma maneira de superá-la, que é SER JUSTO COM ELE MESMO.”

Equivale a dizer que com sujeito humano, você deve debruçar-se sobre a pia do banheiro, jogar a água no rosto, e logo após esfregar a toalha e olhar seus olhos frescos de um novo dia, encarar a sua realidade. Não a máscara que você veste para as pessoas ao seu redor, mas o seu EU. Agenor de Miranda, dizia que “O banheiro é a Igreja de todos os bêbados”, no que estava certo. Foi uma analogia ao fato de entregar-se derrotado, ajoelhando para rezar junto com o famoso Hugo. Mas é ali, na absoluta solidão que você vislumbra a sua alma.

O quanto de liberdade há nessa sua vida? Não se fie a pensar em política e em revanchismo. É extremamente imbecil arrastar toda a reflexão para o confronto esquerda x direita. O quanto você tem se esforçado para superar a injustiça da sua condição. Há o componente religioso sim: “amar ao próximo como a ti mesmo” é uma superação. Pois essa ação, desencadeia uma “bola de neve” que vai crescendo com ações positivas.

Sorrir, ser gentil, ter otimismo inabalável. Positivismo, enfim. Tudo está entremeado nas cordas onde as Nornas traçam nosso destino desde Yggdrasil. A liberdade deve ser a maciez das fibras dessas cordas. E para mantê-las macias, devemos transbordar essa vontade de “viver” rodeado de felicidade, positivismo. “Ah, mas liberdade também significa mandar tudo à merda!” Claro! E o “banquete de consequências”? Pois ao livrar-se das responsabilidades (que seria o “mandar tudo à merda”), adiamos o inexorável: uma hora a conta chega.

Manter-se ciente da coletividade, do positivismo, do fazer o BEM, deve ser o Norte para a liberdade tão almejada. Ao menos, é essa minha opinião. Não que minha vida seja uma maravilha por professar e (tentar) viver sobre essa regra a cada minuto do dia. Mas confesso que é bem mais prazerosa assim. Como disse Buda: “não acredite em mim, experimente e veja você mesmo se funciona!”


quarta-feira, 5 de junho de 2024

ONDE VOCÊ ESTÁ PONDO SEUS OLHOS?

Atualmente, onde a mídia manda. Somos literalmente, teleguiados. Conduzidos a pensar conforme a maioria. Pois, tenho uma grande notícia: todos estão errados. E não é porque EU estou certo. É porque não há UM certo. Há O certo. E alcançá-lo, deve ser uma conquista de todos. A situação é que o antagonismo não deve ter vez.

Apreciamos nesses nossos dias, cada vez mais o antagonismo. Procura-se justificar a sua posição, sempre confrontando algo ou alguém. Milan Kundera (ele de novo, eu sei) escreveu que “a armadilha do ódio é que ele nos prende muito intimamente ao adversário”. Tão desesperada e intimamente, que esquecemos do nosso. O nosso exercício do BEM.

A preocupação excessiva em rechaçar a proposta do “inimigo”, não é uma contraposição, uma argumentação que leve ao ponto em comum. Vejo muito isso na mídia, onde os asseclas da esquerda e da direita se digladiam, em um combate insano e desprovido de eficiência. As comparações se repetem e as soluções parecem o aluno de castigo no canto da sala: todos sabem que ele está lá, mas a ideia é ignorá-lo.

As fornalhas da campanha à administração municipal, começam a ser ativadas. E aqui reflito pelo seguinte raciocínio. O povo detém o poder e escolhe os administradores temporários. Seria uma verdade sublime, se fosse seguida à risca. Mas o que vemos? Eleitos abusando do poder que é (também) o mesmo aluno do canto da sala. O povo cumpre sua obrigação (ridícula pelo adjetivo, não pela importância) de votar e escolher seus representantes e cruza os braços, enfiando os dedos no conforto das axilas.

Argumentando (que é o certo), digo que essa atitude é errada. O poder é do povo. Os eleitos administram a “coisa” pública pelo tempo determinado. Não mandam p$#% nenhuma. Essa é a ideia que não é adotada. E, por usurpar o poder esquecido, fomentam a discórdia, o antagonismo. Rebaixam o discurso a uma troca de farpas ineficientes e decoradas de ilusão.

A falácia, cria um ícone de areia que a mídia adota e “viraliza” (sobre essa palavra, devo fazer uma postagem especial) e a maioria se fia a discutir e atentar apenas ao que lhe é apresentado. As questões importantes, são deixadas para idiotas como eu, que fica berrando sozinho para a massa: “todos vocês estão errados, p#$@!!!”


terça-feira, 4 de junho de 2024

PERMITA-SE COMPREENDER O MUNDO

Não é estranho? Você só dá valor ao que perde.
E o meu coração lá está, e estará até o fim dos meus dias.
Então, entenda: não perca o seu tempo em busca daqueles anos perdidos!
Levante a cabeça, tome uma decisão, e perceba que você está vivendo
Os melhores anos de sua vida!
Muito tempo passou pelas minhas mãos.
Você não sai da minha cabeça. Não é fácil aliviar essa dor.
Quando você não consegue encontrar as palavras, é difícil passar por mais um dia.
E isso me faz querer chorar e erguer as mãos para o céu!

Permitir-se a compreender o mundo, tem muito a ver com baixar a guarda e deixar as informações chegarem ao seu raciocínio, movimentarem suas engrenagens perceptivas, suas experiências e memórias, e só então argumentar. Você não pode rebater de imediato uma informação, antes de “degluti-la”. É preciso entender o processo de raciocinar a respeito de um tema, antes de rechaçar de pronto. Os versos acima, são de uma canção. Boa parte das pessoas não teria uma opinião formada sobre eles, se ouvisse a música em questão.
O processo de permitir-se a ouvir, atualmente, é cada vez mais colocado “para escanteio”. Mas se você não sabe de futebol — apesar de compreender a expressão — saiba que após a cobrança do escanteio, a bola volta para a área. Não se propor a ouvir uma opinião alheia, é sujeitar-se a “levar um gol de bola parada”, ou seja, ser cobrado pela vida lá adiante, pela sua necessidade expressa de aferrar-se às suas crenças.
Em tempos em que a disseminação de mentiras (“feiquenius” meu ovo!) é quase uma regra, avaliar as informações é extremamente importante para a autoestima. Afinal de contas, é ruim demais descobrir-se apoiador de fantasias, no final das contas, não é?
Acordar um dia qualquer e descobrir que seu mundo belo, justo e perfeito é, na verdade uma pantomima, um embuste centrado em opiniões que não se sustentam. O silêncio é um excelente professor e uma excelente resposta. Você dizer as pessoas que “não tem uma opinião formada” a respeito disso ou daquilo, é construtivo. Desde que você não minta, ou seja, dedique-se a se posicionar sobre o assunto e não protelar sua resposta quando inquirido.
A alienação é a desculpa dos fracos, na minha opinião. Alienar-se é passar o dedo na tela do seu celular, sem se interessar por nada. E o maior perigo dessa atitude perante os acontecimentos do seu dia, é perder a capacidade de opinar. Contentar-se em seguir o rumo das coisas, abandonar-se a correnteza, é desperdiçar todo o potencial que a vida colocou em seus milhares de células. Imagine como o mundo seria legal, se você desse suas opiniões também? Argumentar, é encontrar um meio-termo entre as suas opiniões e as de outra pessoa.
Os versos da canção no início do texto, são do Iron Maiden, uma banda de Heavy Metal. A canção se chama “Wasted Years”.

segunda-feira, 3 de junho de 2024

DESAFIOS LITERÁRIOS

Muito mais do que uma competição, os desafios literários me fisgaram pela possibilidade de aprender com pessoas interessadas em ensinar. Sim, é preciso estar vacinado para as críticas e, agora descobri, vacinado para a rejeição.

Quando li em um dos sites/blogs especializados em divulgar concursos literários que “fulano de tal convida autores de contos a participar do desafio X”, a curiosidade viu-se atiçada. Medroso, a princípio achei não ter o conhecimento e o cacife necessário para expor minhas criações ao crivo de escritores estabelecidos nessa jornada para ser ouvido/lido.

Mas resolvi me expor “na minha praia”, com um conto de terror. Fui horrível. Principalmente nos comentários. Sim. É necessário não apenas expor seu texto para análise dos outros autores, mas também, comentar o texto dos outros. Meus primeiros comentários foram quase preconceituosos, de tão mesquinhos. Em certo ponto, me entendi como aquele personagem do Luiz Fernando Guimarães, o “Sincerão”.

— Olha, achei seu texto uma bosta. Mas a premissa do conto é boa.

Enquanto choviam críticas aos meus erros, no meu texto, destilava todo o meu rancor por entender que as regras ensinadas a mim, deveriam servir de base para analisar os outros. Pois bem, não só.

Quando você lê, aprende. Autores consagrados, como Milan Kundera, por exemplo. “A Insustentável Leveza do Ser”, ao menos a tradução que li (em português de Portugal), era recheada dos “supostos” erros apregoados pelas regras sobre textos que aprendi junto aos “papas” do conto moderno e orientadores. Explico-me:

Supondo que seu conto descreva a cena como em “O Alpinista”, que publiquei no “O Cometa”. Joseph observa Adalberto e sua batalha. Se o foco está em uma ação de Adalberto, EU entendo não haver necessidade de utilizar a palavra “ele” a cada nova ação. O parágrafo todo pode ser referir ao personagem citado no início desse mesmo parágrafo. Em Mr.Kundera e em outros autores que li depois, isso pouco importa. Usam sem “sangria desatada”. E eu, aferrado as minhas convicções, “descascava” os ouros colegas. Aprendi. Estou aprendendo, na verdade. Ainda cometo absurdos.

Acabei virando fã dos desafios e entendo que isso só serve para contribuir com o próprio desenvolvimento. Fiz dois no ENTRECONTOS (https://entrecontos.com) e outros dois no CONCURSO LITERÁRIO DE SUSPENSE E TERROR (https://www.recantodasletras.com.br). Não tive destaque em nenhum deles, mas a gama de conhecimento que adquiri, é um prêmio inigualável. E que venham outros!!

sábado, 1 de junho de 2024

HIPOCRISIA NOSSA DE CADA DIA

Acordar com o som do “brazilian funk” — que não compreendo patavina do que é “cantado” — nos ouvidos é algo ignóbil. O que é “ignóbil”? Se você ler um pouco mais, talvez você descubra. É? Sei que é hipocrisia da minha parte e a intenção é essa mesma. Segundo o dicionário, “algo que inspira horror do ponto de vista moral” é ignóbil. Se a ideia de fazer um blog, além de expor opiniões, é informar sobre assuntos que passam despercebidos pela maioria das pessoas, nada mais hipócrita que lançar uma palavra quase desconhecida pela maioria e não dizer do que se trata.

Peguei-me pensando na notícia de uns dias, onde informava-se uma exposição com tema Anitta e o Funk, exibindo o universo musical. No post que li, havia um comentário elogioso que chamou minha atenção: “que mulher empoderada”. A maneira que ela expõe as mulheres em suas letras, não seria controversa na sua opinião? Na sua maioria, as frases expõem uma mulher usando o sexo como instrumento de poder. Expõe uma “cachorra” dominadora, que não se importa de ser usada, desde que se reconheça o desejo dos homens para com ela.

Não é estranho? Se posta como empoderada usando a subserviência como escudo. Não que ela defenda explicitamente a misoginia, mas ela recebe a “pecha” de empoderada e, na verdade, expõe a mulher como um objeto. Saio em defesa dela, quando disse que não é possível você interagir com o público que consome sua música, falando outra língua, ou seja, suas letras não podem ser “hipócritas”, mostrando uma vida idílica (de sonhos) nas letras, quando a realidade é muito distante disso. Concordo. Mas isso não implica dizer que não é possível educar através da música. Inclusive o respeito e a igualdade.

Há exemplos, inclusive nas comunidades carentes, com orquestras nos mais diversos estilos. E o ser humano é pluricultural, se obtiver o acesso à cultura. Se diariamente é exposto à música ruim, não se pode cobrar muito, não é? E surge, nesse caso específico, o mainstream. O importante é ganhar dinheiro, certo? Então façamos funk para a galera consumir e “empoderar” a moça.

Hipocrisia é uma moeda tão consumida e trocada hoje em dia, que vira quase lugar comum. Haja vista que Trump, condenado à cadeia, ser presidente dos Estados Unidos é um horror. Mas...

Nomes de Filmes

Quarta, por recomendação de minha filha, assisti 'Fences' (2016), crente que estava vendo o filme em que se baseou o primeiro trabal...